sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ciclo de Palestras: Aspectos da Surdez: LIBRAS, cultura e política, na FFLCH-USP

I Ciclo de Palestras

Aspectos da Surdez: Libras, Cultura e Política
dia 27 de novembro, às 14h, na sala 102 do prédio de Letras (FFLCH-USP).

http://www.fflch.usp.br

As palestras focarão as pesquisas que o grupo de Estudos da Comunidade Surda: língua, cultura e
história (ECS) têm desenvolvido a respeito da Língua de Sinais Brasileira bem como sobre as questões acerca do que vem sendo chamado de Cultura e Comunidade Surda.

Programação:

14h - 14h10 Abertura

14h10 - 14h50 "A Linguistica versus as falsas idéias sobre as línguas sinais"

Palestrantes:

André Nogueira Xavier (Mestre em Linguística - FFLCH/USP e Doutorando em

Linguistica - IEL/UNICAMP)

Renata Lúcia Moreira (Mestre em Linguística FFLCH/USP e Doutoranda em

Linguística - FFLCH/USP)

14h50 - 15h30 - A surdez em questão: usos das categorias deficiência e cultura.

Palestrante:

César Augusto de Assis Silva (Doutorando em Antropologia Social FFLCH/USP)

Intervalo

15h40 - 16h20 - Mãe ouvinte + Pai ouvinte = Filho surdo?.

Palestrante:

Maria Carolina Casati Digiampietri (Mestre em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês FFLCH/USP)

16h20 - 17h A luta pela língua de sinais no Brasil e a criação da Lei de Libras.

Palestrante:

Prof. Ms. Fábio Bezerra de Brito (Mestre em História Social - FFLCH/USP e

Doutorando em Educação - FE/USP)

domingo, 1 de novembro de 2009

3o Simpósio Ação Cidadã: Criatividade, Colaboração e Criticidade nas Práticas Sociais (LAEL-PUC-SP_

Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL PUC-SP)
Grupo de Pesquisa Linguagem em Atividades no Contexto Escolar (LACE)
Instituto Ação Cidadã (IAC) e Programa Ação Cidadã (PAC)

Data: 14 e 15 de novembro de 2009
Local: Colégio Albert Sabin
Av. Darcy Reis,1901 - Pq. dos Príncipes - Cep.:05396-450 - São Paulo, SP.
Telefone: (11) 3712-0713 - Ramais 261/254.
www.albertsabin.com.br
INSCRIÇÕES GRATUITAS
CERTIFICADOS EMITIDOS NO DIA DO EVENTO
INTÉRPRETES DE LIBRAS (mesas e simpósios de inclusão)
TRADUÇÃO SIMULTÂNEA (palestrantes internacionais dia 15)
COLABORE COM NOSSOS PROJETOS SOCIAIS: TRAGA BRINQUEDOS, LIVROS INFANTIS E/OU
ALIMENTOS NÃO PERECÍVEIS!

APRESENTAÇÃO
O SIAC é um evento organizado pelos participantes, alunos e pesquisadores do Grupo de Pesquisa Linguagem em Atividades no Contexto Escolar (LACE) que integra as temáticas Linguagem, Colaboração e Criticidade (LCC), sob a liderança da Profa. Dra. Maria Cecília Magalhães, e Linguagem, Criatividade e Multiplicidade (LCM), sob a liderança da Profa. Dra. Fernanda Liberali, responsável também pelo Programa de Extensão Ação Cidadã (PAC).
O evento surgiu do desejo de compartilhar conhecimentos produzidos em diferentes espaços de ação social, tais como: centros de educação infantil, creches, escolas, universidades, institutos e ONGs. A intenção é provocar o debate colaborativo-criativo entre os participantes, com vistas à mobilização e à transformação informada da sociedade. O evento visa à criação de laços mais fortes entre projetos de pesquisa e de extensão.

Este evento objetiva propiciar lócus para que os participantes apresentem e aprofundem discussões sobre as práticas sociais e compreensões sobre as bases teórico-metodológicas de suas pesquisas, no encontro com pesquisadores, professores, alunos e colegas de diversas instituições na discussão de temáticas como: educação à distância, educação bilíngue, educação infantil, equipe diretiva – diretores e coordenadores, leitura e escrita nas diferentes áreas, educação inclusiva, ensino e atividade social e formação de professores.

All Stars - Múltiplos Mundos Shows
O All Star/ Múltiplos Mundos Show, atividade iniciada no II SIAC, tem como base dois projetos: o All Stars Talent Show e Múltiplos Mundos. O primeiro foi criado e organizado pela ONG All Stars Project de Nova York como uma atividade de desenvolvimento formativo baseada em performances artísticas. O Múltiplos Mundos, organizado pelo Programa Ação Cidadã, é um projeto para o desenvolvimento de valores de forma interdependente entre comunidades múltiplas. Em sua segunda edição, o All Star/ Múltiplos Mundos Show reunirá participantes de contextos vários para a apresentação artística de performances que expressem, de forma engajada, os valores que estão na base das ações cidadãs como propostas pelo grupo LACE. Neste ano, os parceiros envolvidos no SIAC estão convidados a realizar curtas apresentações (5 minutos), na forma de teatro, dança, música, movimento, etc. que expressem como seus projetos sociais e/ou de pesquisa tratam a temática: colaboração, criticidade e criatividade nas práticas sociais.

Grupo de Pesquisa Linguagem em Atividades no Contexto Escolar (LACE)
O grupo LACE, fundado em 2004, focaliza principalmente a formação de educadores e alunos críticos-reflexivos. Inclui pesquisas de intervenção crítico-colaborativas que investigam a constituição dos sujeitos, suas formas de participação e a produção de sentidos e significados em Educação. Além disso, visa desenvolver e aprofundar:

(a) a discussão dos modos como a linguagem está sendo enfocada nos contextos de formação de professores e (
b) um quadro teórico-metodológico para o trabalho de intervenção nos contextos profissionais escolares.

Integra duas temáticas centrais: Linguagem, Colaboração e Criticidade (LCC), sob a liderança da Profa. Dra. Maria Cecília Magalhães, e Linguagem Criatividade e Multiplicidade (LCM), sob a liderança da Profa. Dra. Fernanda Liberali.

Partindo da Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural (Vygotsky, Leontiev, Bakhtin), as temáticas consideram:
a) as atividades como formas de transformação da ação do ser humano na vida e
b) a pesquisa como uma forma de emancipação pela perspectiva de ação no/para/sobre/com o mundo.
O LCC examina e discute o conceito de colaboração como central para o desenvolvimento de reflexão crítica na produção de conhecimento sobre questões de ensino-aprendizagem e de produção da consciência crítica. O LCM aborda questões de formação crítica em contexto mono e bilíngües, em que a linguagem permite a constituição de Cadeias Criativas (Liberali, 2006) como espaço de formação em que os participantes geram novos significados, criando uma multiplicidade de possibilidades de participação no mundo.

O Programa Ação Cidadã (PAC)
O PAC é um trabalho de intervenção colaborativa em Institutos de Educação Infantil e Fundamental da rede pública, particular e conveniada, situadas em áreas carentes de São Paulo. Parte de necessidades específicas e circunscritas a esses contextos, com vistas à formação de professores, diretores e coordenadores para educação básica e à construção da cidadania. Envolve reflexão crítica sobre atividades e linguagem presentes no contexto escolar, que permita um rompimento com práticas a-sociais, a-políticas e a-históricas, isto é, com o individualismo que, em geral, caracteriza o contexto escolar. Tem sua centralidade na linguagem e na sua articulação com outras áreas do saber, tais como Educação, Sociologia e Psicologia. O programa é pautado pelos princípios teórico – filosóficos: a compreensão do objeto se dá na e pela linguagem; a linguagem é uma arena na qual os conflitos aparecem; a pesquisa acadêmica é indissociável dos problemas da sociedade; a autonomia de todos os envolvidos nos contextos educacionais é o norte de todo trabalho de intervenção e a autonomia responsável está na base de todo agir cidadão. O programa engloba os seguintes subprojetos de formação crítico-criativa, por meio de atividades teórico-práticas, no triênio 2007-2009:
1) “Leitura e Escrita nas Diferentes Áreas”, realizado junto a escolas da rede pública de São Paulo e Grande São Paulo;
2) “Aprender Brincando”, realizado junto a instituições de educação infantil de São Paulo;
3) “Múltiplos Mundos”, realizado por meio de plataforma virtual para integrar participantes dos vários projetos, educadores e pesquisadores nacionais e internacionais. O foco principal do programa está na compreensão, discussão e ação colaborativa crítico-criativa, pautadas pela ética e pela interdependência. São valores constitutivos: colaboração, criticidade, criatividade, ética interdependente, responsividade e responsabilidade.

As propostas de comunicações serão organizadas de acordo com temas específicos. Selecione o tema de seu trabalho:

TEMAS DOS TRABALHOS
1. Educação Bilíngüe
2. Educação à Distância
3. Educação Inclusiva
4. Educação Infantil
5. Equipe Diretiva – diretores e coordenadores
6. Formação de Professores
7. Leitura e Escrita nas Diferentes Áreas
8. Ensino e Atividade Social

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A invisibilidade dos migrantes e a anistia - Debate no CEDEM/UNESP em São Paulo

A invisibilidade dos migrantes e a anistia

Debate Cedem/Unesp


A invisibilidade dos migrantes e a anistia será o tema do Debate Cedem/Unesp no próximo dia 29 de outubro, quinta-feira às 18h30, promovido pelo CEDEM – Centro de Documentação e Memória da UNESP e pela Pastoral do Migrante em São Paulo.

Os imigrantes são a nova face da pobreza no mundo contemporâneo. Segregados socialmente, trabalhando na clandestinidade, são alvo de todo tipo de racismo e discriminação, vivenciando cotidianamente a sensação de estar fora do lugar. A todo momento são chamados a justificar o porque de sua presença num país que não é o seu. Por isso, frequentemente buscam a invisibilidade social, ao mesmo tempo em que a própria sociedade nacional em que se inserem não parece considerar a sua existência.

O pressuposto da cidadania é o reconhecimento de toda pessoa humana como sujeito de direitos, o reconhecimento de sua existência e de sua aparição pública. A anistia é uma porta que se abre àqueles que se encontram na invisibilidade social, por não contarem como nacionais, aqueles que deveriam ser reconhecidos pelo Estado-Nação. Mas é apenas uma porta... O que efetivamente surge quando se abre essa porta? Qual o caminho real a ser trilhado pelos imigrantes para alcançarem a cidadania que eles, de fato, almejam? E que tipo de cidadãos a sociedade brasileira espera que eles sejam?

Debatedores

Sidnei Marco Dornelas - Padre Scalabriniano, Mestre em Ciências Sociais (Institut Catholique de Paris) e Diretor do Centro de Estudos Migratórios (CEM/SP)

Mário Geremia - Padre Scalabriniano e Coordenador do Centro Pastoral do Migrante (CPM/SP)

Ruth Camacho - Advogada e presta serviços de atendimento jurídico no Centro Pastoral dos Migrantes (CPM/SP)

Mediador: Oscar D´Ambrósio
Bacharel em Letras – Mackenzie, Mestre em Artes – UNESP, Crítico de Arte
Graduado em Jornalismo – USP, Escritor e Coordenador de Imprensa da Reitoria da UNESP

Inscrições gratuitas c/ Sandra Santos pelo e-mail: ssantos@cedem.unesp.br
Local: CEDEM/UNESP – Praça da Sé, 108 – 1º andar (metrô Sé)
Quando: 29/10/09 às 18h30 – 5ª feira

(11) 3105 - 9903 - www.cedem.unesp.br

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Colóquio Internacional: Ciências da Linguagem e Didática das Línguas, na USP

Colóquio Internacional: Ciências da Linguagem e Didática das Línguas: 30 anos de cooperação franco-brasileira
FFLCH - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
de 19 A 21 DE OUTUBRO DE 2009

Especialistas franceses e brasileiros de renome internacional debaterão os aspectos e os avanços das ciências da linguagem e da didática das línguas.
Questões relativas à identidade, construção do sentido, discursos sociais, socialização e educação serão analisadas a partir da atividade de linguagem.
No âmbito das validações disciplinares e de seus desdobramentos no ensino de línguas, cabe voltar sobre a história das relações entre os estudos da linguagem e a didática das línguas e, mais especificamente, entre a lingüística e a lingüística aplicada.

19 DE OUTUBRO PROGRAMA
8:00 - 8:30 Recepção aos inscritos e retirada do material

8:30 - 10:00 Cerimônia de abertura
SUELY VILELA - Reitora da Universidade de São Paulo
SYLVAIN ITTé - Cônsul Geral da França em São Paulo
SANDRA MARGARIDA NITRINI - Diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - Universidade de São Paulo
PIERRE COLOMBIER - Conselheiro de Coop. e de Ação Cultural, Embaixada da França em Brasília
MARIA AUGUSTA DA COSTA VIEIRA - Chefe do Departamento de Letras Modernas,
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo
PATRICK DAHLET - Adido de Coop. Educativa, Embaixada da França em Brasília
VéRONIQUE BRAUN DAHLET - Presidente da Comissão Organizadora

10:00 - 10:30 Café

10:30 - 12:00 Conferência de abertura: Língua e Conhecimento: uma prática e muitos efeitos de sentido
ENI ORLANDI - Universidade Estadual de Campinas
Moderador: JOSé LUIZ FIORIN - Universidade de São Paulo

12:00 - 14:00 Almoço

14:00 - 15:30 MESA-REDONDA 1: CAPES, FAPESP, USP e -Cofecub: para uma linguagem comum
LUIZ HENRIQUE LOPES DOS SANTOS - Coord. Adjunto da Diretoria Científica FAPESP/Cofecub
MARIA ABIGAIL DE SOUZA - Coord. Progr. USP/ Cofecub, Pró-Reitoria de Pesquisa
THIERRY VALENTIN - Centro Franco-Brasileiro de Doc. Técnica e Científica
SANDOVAL CARNEIRO JR. - CAPES/ Cofecub
PIERRE JAISSON - Coord. Progr. Cofecub, Universidade de Paris 13
Moderador: PATRICK CHARDENET - Agence Universitaire de la Francophonie, Montréal

15:30 - 17:00 MESA-REDONDA 2: Lingüística(s) e didática(s): perguntas recíprocas
CHRISTIAN PUREN - Universidade Jean Monnet de Saint-Etienne
EVELYNE BéRARD - Universidade de Franche-Comté
JOSé CARLOS CHAVES DA CUNHA - Universidade Federal do Pará
DARIO PAGEL - Universidade de Paris VII
Moderadora: CRISTINA CASADEI PIETRARóIA - Universidade de São Paulo

17:00 - 17:30 Café

17:30 - 19:00 MESA-REDONDA 3: Gramáticas e ensino
MARIA HELENA DE MOURA NEVES - Universidade Estadual Paulista / Universidade Presbiteriana Mackenzie
SíRIO POSSENTI - Universidade Estadual de Campinas
RéMY PORQUIER - Universidade de Paris X
VéRONIQUE BRAUN DAHLET - Universidade de São Paulo
Moderadora: Estela Klett - Universidade de Buenos Aires

19:30 Coral USP

20 DE OUTUBRO PROGRAMA
8:30 - 10:00 MESA-REDONDA 4: Análise e apropriação dos discursos sociais
JOSé LUIZ FIORIN - Universidade de São Paulo
IDA LúCIA MACHADO - Universidade Federal de Minas Gerais
CHRISTIAN PLANTIN - Universidade de Lyon 2
Moderador: JOSé CARLOS CHAVES DA CUNHA - Universidade Federal do Pará

10:00 - 10:30 Café

10:30 - 12:00 MESA-REDONDA 5: Linguagens, variações e socialização
MARIA CECíLIA PEREZ DE SOUZA E SILVA - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
MARCOS BAGNO - Universidade de Brasília
DANIEL FAïTA - Instituto Universitário de Formação de Professores do Ensino
Fundamental de Aix-Marseille
PIERRE DUMONT - Universidade das Antilhas e da Guiana
Moderadora: Ida Lúcia Machado - Universidade Federal de Minas Gerais

12:00 - 14:00 Almoço
14:00 - 15:30 MESA-REDONDA 6: O sentido e suas alterações: representações, reconstruções e apropriações
SOPHIE MOIRAND - Universidade de Paris III
ALAIN RABATEL - Universidade de Lyon 2
BETH BRAIT - Universidade de São Paulo / Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
DIANA LUZ PESSOA DE BARROS - Universidade de São Paulo / Universidade Presbiteriana Mackenzie
Moderadora: VéRONIQUE BRAUN DAHLET - Universidade de São Paulo

15:30 - 16:00 Café e Lanche
16:00 - 18:00 Visita ao Museu da Língua Portuguesa -Encontro com a imprensa

21 DE OUTUBRO PROGRAMA
8:30 - 10:00 MESA-REDONDA 7: Ensinar uma língua de especialização: o francês instrumental
SOPHIE MOIRAND - Universidade de Paris III
VERA MARINELLI - Universidade de São Paulo
CRISTINA CASADEI PIETRARóIA - Universidade de São Paulo
ESTELA KLETT - Universidade de Buenos Aires
Moderadora: Haydée Silva - Universidade Nacional Autônoma da Cidade do México

10:00 - 10:30 Café

10:30 - 12:00 MESA-REDONDA 8: Linguagem, identidades e educação
TEREZA MAHER - (Universidade Estadual de Campinas)
MARIA CONCEIçãO PASSEGGI -Universidade Federal do Rio Grande do Norte
PATRICK DAHLET - Universidade das Antilhas e da Guiana / Adido de Coop. Educativa,
Embaixada da França em Brasília
Moderadora: Cecília Perez de Souza e Silva Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

12:00 - 14:00 Almoço

14:00 - 15:30 MESA-REDONDA 9: Cooperar com o espaço francófono: redes e perspectivas
HAYDéE SILVA - Universidade Nacional Autônoma da Cidade do México
ABDELOUAHAD MABROUR - Universidade Chouaïb Doukkali El Jadida/Marrocos
PATRICK CHARDENET - Agence Universitaire de la Francophonie, Montréal
PIERRE DUMONT - Universidade das Antilhas e da Guiana
Moderador: Dario Pagel - Universidade de Paris VII

15:30 - 16:00 Café

16:00 - 17:00 CONFERêNCIA DE ENCERRAMENTO: Convergência de estudos da linguagem e ensino em línguas
JEAN-LOUIS CHISS - Universidade de Paris III
Moderador: Patrick Dahlet - Embaixada da França/Universidade das Antilhas e da Guiana

17:30 - 18:00 Cerimônia de encerramento
SANDRA MARGARIDA NITRINI - Diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas / Universidade de São Paulo
PATRICK DAHLET - Adido de Cooperação Educativa, Embaixada da França/Universidade das
Antilhas e da Guiana
PATRICK CHARDENET - Agence Universitaire de la Francophonie, Montréal
Véronique Braun Dahlet - Presidente da Comissão Organizadora

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Seminário de Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa na FEUSP, em outubro

VIII Seminário de Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa: Formação Inicial do Professor e Repercussão na Sala de Aula
http://www2.fe.usp.br/~lalec/smelp2009/index.html

É com satisfação que comunicamos a realização do VIII Seminário de Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, cujo tema será Formação inicial do professor e repercussão na sala de aula. O evento ocorrerá em 07 e 08 de outubro de 2009 e terá os seguintes objetivos:

• Apresentar e discutir resultados de pesquisas e de novas experiências no campo da Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa;

• Promover a socialização dos trabalhos dos alunos resultantes de seus estágios;

• Promover o intercâmbio entre professores do ensino fundamental, médio e superior e de estudantes;

• Propor novas reflexões sobre formação inicial e contínua de professores de Língua Portuguesa;

• Discutir novas demandas e novas perspectivas de abordagens para o ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Lingüística.

A exemplo do que temos feito desde 2003, quando propusemos a realização do I Colóquio de Professores de Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e de Literatura , que neste ano será realizado na UFMA, de 03 a 06/11/09, bem como do que vimos investigando desde 2005, nesta edição do Seminário enfatizaremos as seguintes questões norteadoras das nossas preocupações em torno da especificidade das disciplinas encarregadas de fazer o elo entre linguagem e educação:

• A especificidade da disciplina Metodologia, ou Prática, ou Didática, de Ensino de Língua Portuguesa: Quais práticas dão contorno ao que é central na disciplina? Seleção de conteúdos? Formulação de atividades? Indicação de linhas teóricas mais eficazes para o trabalho na docência?

• A pluralidade de nomes e de endereços: Quais as razões e as conseqüências das variações como Didática da Língua e da Literatura, Prática de Ensino de...; Metodologia de... e outros? E da lotação do professor da disciplina, ora no Departamento de Letras, ora no Departamento de Educação, etc.?

• A natureza do relatório de estágio: como vem sendo conduzida a sua confecção? Com um caráter de reconhecimento da situação ou mais investigativo? Ele tem se tornado uma instância a mais de crítica à escola e às suas práticas cotidianas ou um estudo sobre a cultura escolar? Ele se constitui em um trabalho em que o licenciando pode exercitar a autoria?

• O papel, a importância e abrangência das práticas de estágio para a disciplina e para a formação do professor de Língua Materna e de Literatura: Como são avaliadas e valorizadas as experiências do estagiário? A realização do estágio, a presença do estagiário no cotidiano escolar, é também vista como um momento importante da pesquisa universitária? Como as universidades e as redes escolares se organizam para cumprir a LDB em relação às suas exigências legais em relação à formação do professor?

• A cultura institucional frente ao estágio: como lidar com uma cultura, infelizmente já instalada em muitas escolas, de fornecer a assinatura nas fichas de estágio sem que o estágio tenha sido realizado? Como instaurar projetos eficazes de trabalho em conjunto com a escola?

• A relação da disciplina com os documentos oficiais sobre o ensino de Língua Portuguesa, tais como PCNS, Propostas Estaduais, Municipais, etc: a disciplina deve estar a serviço da implantação destas propostas? É o lugar da crítica destas propostas? É um momento de teste? É um momento em que o aluno tem contato com as teorias que embasam as propostas?

• Os diálogos possíveis com as outras disciplinas: o que um aluno pode não saber ao chegar no estágio? Em que momento do curso a matrícula na disciplina é pertinente? Que tipo de leitura é pertinente fazer na disciplina? De reconhecimento de conteúdo? De busca de informação? De polemização?

• A atuação dos professores da disciplina enquanto área: Como tem sido nossa participação em eventos nacionais e internacionais? Há eventos regionais eventos específicos da área?

Essas questões têm motivado nossos esforços de pesquisa por meio de projetos que têm sido apoiados por diferentes órgãos:

• Representações concernentes à formação do professor de língua Materna: Estudos sobre a especificidade da disciplina “metodologia/didática/prática do ensino da Língua Materna” , apoiado pela Pró-reitoria de Pesquisa da USP, 2006 - 2008.

• Disciplinas da licenciatura voltadas para o ensino de Língua Portuguesa: saberes e práticas na formação docente , colaboração USP-UFMA, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão- FAPEMA, 2008 - 2010.

• Projeto de Cooperação Acadêmica: Disciplinas da Licenciatura voltadas para o ensino de Língua Portuguesa , apoiado pelo Programa de Cooperação Acadêmica - PROCAD-CAPES (Processo No. 23038.0433099/2008-78), cooperação UFMA-USP-UERN, 2009-2013.

Temos a firme convicção de que a partir deste debate será possível reunir elementos para uma reorganização da área na busca de um perfil acadêmico e científico que faça jus à sua relevância na formação do professor de Língua Materna e de Literatura.

Contamos com a sua colaboração.

Comissão Organizadora

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Bilinguismo: ganho cultural ou mais um motivo para o fracasso escolar?

BILINGÜISMO: GANHO CULTURAL OU MAIS UM MOTIVO PARA O FRACASSO ESCOLAR

Heloísa Xavier da Silveira Calazan
Professora de Português e Inglês UFRJ, Pós-graduada em Literaturas de Língua Inglesa UERJ, Psicopedagoga – Instituto Isabel, Pós-graduada no curso de Formação de Professores de Português para Estrangeiros PUC - RJ
heloisacalazans@uol.com.br

“Conhecer verdadeiramente como um sujeito aprende é um conceito revolucionário, no sentido de aceitar este sujeito e fazer com que ele aprenda de verdade” (Jorge Visca)

Resumo
A proposta deste trabalho é primeiramente tecer certas considerações a respeito das colocações de Piaget e Emília Ferrero com relação ao processo de aprendizagem, focalizando não somente o papel do educador no contexto de aprendizagem bilingüe, como também a validade dos modelos de aprendizagem didáticos, para que haja sucesso nesta modalidade de apprendizagem. Apontará as vantagens de uma abordagem natural, sem deixar de aludir , é óbvio, à prevenção como uma ferramenta indispensável na educação cuja finalidade é minimizar toda e qualquer dificuldade que possa surgir na mesma.

Abstract
This paper aims to discuss some of Piaget’s and Emilia Ferrero’s thoughts about the learning process, focusing not only on the educator’s role but also on the validity of the didactic learning methods. It will also mention the advantages of the natural approach in education, without forgetting obviously, to allude to prevention as an indispensable tool for minimizing all and any difficulty that might occur in this learning modality.

Escolas Americanas são encontradas em vários países da Europa, da América do Sul e até mesmo no Japão. Só no Brasil existem mais que dez escolas americanas distribuídas por diferentes estados. Cursos livres de língua inglesa são também em grande número e até as pequenas cidades já oferecem a oportunidade de se aprender uma outra língua em cursos especiais para tal fim. Por que será que existe este grande desejo de dominarmos uma outra língua além da nossa língua materna? Os motivos são vários, mas o principal deles é podermos nos comunicar com indivíduos de culturas e países diferentes a fim de trocarmos experiências e conhecermos melhor o mundo onde vivemos.
Desta forma as escolas bilingües, como as americanas, inglesas, suíças, etc., passaram além de oferecer educação para os filhos daqueles que se deslocam constantemente de um país para o outro, também a oportunidade para os que querem proporcionar a seus filhos a chance de estudarem em uma escola de uma outra cultura e se tornarem adultos bilingües.
E como fica a educação neste momento? Quais serão as dificuldades que poderão ocorrer na aprendizagem em uma outra língua que não a materna? Será este mais um obstáculo e um outro motivo para o fracasso escolar?
Freqüentemente o bilingüismo é visto como a causa de confusão cognitiva, como coloca Collin Baker (1997). “Este processo é visto por muitos como um cérebro dividido em duas partes, cada uma com uma engrenagem trabalhando a meia força, enquanto o cérebro de uma pessoa monolíngüe teria apenas uma engrenagem trabalhando com força total”. Baker afirma que, na verdade, o bilingüismo deveria ser visto como um dos fatores que favorecem o desenvolvimento da área cognititva, uma vez que exige um maior exercício da mesma, provocando uma maior atividade neuronal, estabelecendo um aumento do número de ligações entre os neurônios do tônus cerebral. O problema não está no bilingüismo, mas sim em como as duas línguas são ou devem ser ensinadas e aprendidas de forma que ambas as línguas sejam totalmente dominadas pelo apren-dente. Para que aprendamos realmente a estrutura de uma língua é necessário estarmos expostos a ela de diferentes formas e muito freqüentemente. Se o aprendente for muito bem guiado dentro deste processo é muito pouco provável um fracasso por parte dele.
Para Piaget (1973), a adaptação intelectual do indivíduo é conseqüência de uma interação ou troca, que ocorre entre meio e indivíduo e envolve os mesmos processos que toda adaptação biológica envolve – assimilação e acomodação. Por um lado a pessoa incorpora ou assimila características da realidade externa às suas próprias características psicológicas, enquanto que também modifica ou acomoda suas próprias características psicológicas de forma a corresponder às exigências que o meio externo exerce sobre ela. Adaptação nada mais é que uma tendência do organismo humano a relizar este processo.
Estes dois processos ocorrem simultaneamente e a adaptação não ocorre sem organização. Organização é o processo pelo qual o indivíduo organiza suas atividades e a forma pela qual ele adiciona características novas à sua estrutura básica, para que possa atender às exigências de novas situações. O resultado da adaptação é que novas estruturas são continuadamente formadas, a partir das já existentes.
Piaget (1973) descreve inteligência como a capacidade do ser humano de se adaptar biologicamente ao mundo que o cerca, assim como o desenvolvimento de uma série de operações mentais que permitem um equilíbrio entre este indivíduo e o meio em que vive. Claro é que o indivíduo também traz uma bagagem hereditária em sua estrutura mental, que coloca limites no seu campo intelectual, limites estes que, salvo os casos de crianças com deficiências mentais, não constituem problemas de peso no aprendizado do indivíduo. Porém, esta bagagem é responsável pelos super dotados ou pelos dotados de dons artísticos especiais. Como ocorreria então este processo quando da aquisição de uma segunda língua, simultaneamente com a aquisição da língua materna?
Emília Ferreiro (1987) tece considerações sobre a idéia que alguns estudiosos tinham a respeito da forma pela qual o ser humano aprende a linguagem oral e escrita e a leitura. “Quando a criança produz um som que se assemelha à fala dos pais, estes manifestam alegria, fazem gestos de aprovação, demonstram carinho, etc. Desta forma o meio vai selecionando, do vasto repertório de sons iniciais saídos da boca da criança, somente aqueles que correspondem aos sons da fala adulta, do idioma em questão. Neste momento o problema resolve-se da seguinte forma: os adultos apresentam um objeto à criança e acompanham esta apresentação com uma emissão vocálica (isto é uma palavra que é o nome do objeto); por reiteradas associações entre a emissão sonora e a apresentação do objeto, aquele termina por transformar-se em signo e portanto se faz palavra.”
Porém, Ferreiro(1987) discorda desta teoria e afirma que “a criança não é passiva neste processo, esperando apenas pelo reforço externo, mas procura ativamente compreender a natureza da linguagem que se fala a sua volta e uma vez que consegue fazê-lo, formula hipóteses e busca regularidades, colocando a prova suas antecipações e criando sua própria gramática, a qual não é uma simples cópia deformada do modelo adulto, mas sim criação original. Podemos então compreender que a aprendizagem não ocorre a partir de elementos isolados que se unem posteriormente para construir um sistema, a linguagem; mas sim pela apreensão do todo, de cujas partes as funções vão aos poucos se definindo”.
Para Piaget (1973), a forma ideal de aprender é através do raciocínio lógico e não através da memorização, o que vem reforçar a colocação de Emília Ferreiro. Segundo estes parâmetros a pedagogia não deve temer o erro, nem o esquecimento, pois conforme afirma Piaget “através de erros e acertos o ser vai construindo seu conhecimento e o esquecimento não importa, desde que o indivíduo seja capaz de reconstruir o conteúdo esquecido”. Então, conclui-se que a melhor forma de adquirir uma segunda língua é como adquirimos nossa língua materna, o que implicará na compreensão da sintaxe, desta segunda língua, de forma que o indivíduo possa formular suas hipóteses em relação à gramática da mesma, buscando semelhanças, fazendo analogias e finalmente aprendendo sua estrutura através da compreensão das suas partes. A simples memorização de vocabulário deixa, então, de ser importante; o que realmente importa é todo o mecanismo em si. Para que o aprendente possa compreender a estrutura desta segunda língua deverá ficar bastante tempo exposto à ela, terá que se permitir o erro e não somente o acerto, pois através do processo ensaio e erro ele irá construindo aos poucos, com raciocínio lógico, as regras da “língua-alvo”, de forma a poder dominá-la um dia. Sabemos que o ser humano constrói sua linguagem da mesma forma que todo o resto do seu conhecimento. Assim é necessário uma análise cuidadosa de todo este processo de aprendizagem a fim de removermos obstáculos que possam surgir dificultando esta aprendizagem.
DELINEANDO AÇÕES PARA O SUCESSO NA APRENDIZAGEM BILINGÜE
Antes de tudo, é preciso compreender que bilingüismo não significa tão somente procurar semelhanças e diferenças entre sintaxes e semânticas das línguas em foco. Na verdade é um aprendizado bem mais complexo, que envolve também a aprendizagem de uma outra cultura (ideologia) bem diferente daquela da qual faz parte o indivíduo. É preciso que compreendamos a forma de viver e de ver o mundo dos integrantes da cultura da qual queremos aprender a língua para que possamos, então, estabele-cer paralelos, detectar semelhanças e diferenças entre as duas línguas. Linguagem é o “agir” do sujeito de forma consciente em relação ao mundo que o cerca. O uso da linguagem e o modo como o indivíduo a constrói determinará a forma como se processa o seu pensamento e a expressão de seus sentimentos. Sabido é que línguas diferentes, pertencentes a culturas diferentes, se expressam de formas diferentes. Portanto, muitas vezes existem palavras em uma língua que não podem ser traduzidas para outra, já que não possuem uma palavra eqüivalente nesta outra língua. A partir da compreensão de toda a complexidade que cerca a aprendizagem de uma outra língua. podemos entender, sem nos surpreendermos que haja casos de resistência, até mesmo inconsciente, por parte de alguns indivíduos,principalmente as crianças para aprenderem uma segunda língua.

O que é e como acontece o aprendizado da criança?
Para aprender é preciso que a criança tenha além da capacidade cognitiva nata uma afetividade posta sobre o objeto da aprendizagem, que no caso aqui enfocado é a segunda língua. Temos, portanto que levar em consideração o significado que esta segunda língua, bem como a cultura que ela representa, tem para a criança. Quando nem os familiares, nem a criança possuem nenhum elo com a cultura da segunda língua, os professores passam a ter a respon-sabilidade de estabelecer este elo, de forma que a criança possa ver algum significado na aquisição da nova língua. Neste momento todo cuidado se faz necessário de forma a evitar que a aprendizagem venha a assumir uma conotação negativa para a criança.
O conhecimento se constrói, como bem o coloca Maria Lúcia Weiss (1992), “através de uma articulação entre algo conhecido, algo por conhecer e o desejo de conhecer. Os questiona-mentos e a possibilidade de redescobrir o mundo são os propulsores do desejo de aprender do indivíduo. Assim, a aprendizagem deve ser proporcionadora de novas descobertas, através de experimentações, as quais, quando não resultam em resposta imediata para o problema, não devem ser vistas como “erros”, mas sim como um processo de constante mudança no “EU”- sujeito, sujeito este que deve ser visto sempre como um elemento ativo e não como receptor passivo do processo. A criança que se surpreende com o seu saber e com o seu potencial de fazer novas descobertas, estará sempre desejosa de adquirir novos conhecimentos”.

MODELOS DE APRENDIZAGEM
O ambiente tem o poder de estimular ou inibir a aprendizagem da linguagem. A aprendizagem é um processo basicamente social – processo de integração, troca social. Neste processo temos que levar em conta três aspectos importantes:
1- O conhecimento da criança e a relação que ela faz entre o que ela já sabe e o que lhe é ensinado. A forma como ela vai assimilar seu aprendizado novo é o que podemos determinar como sendo sua modalidade de aprender, a qual varia de ser para ser.
2- A bagagem biológica que a criança traz desde seu nascimento, a qual não pode ser modificada. Esta bagagem determina o potencial e as limitações do ser humano no que diz respeito a aprendizagem.
3- A intervenção psicopedagógica, que é uma ferramenta que pode e deve ser usada por profissionais competentes (psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo, etc.) sempre que se fizer necessário para que se possa ajudar a criança em seu processo de aprendizagem.
São muitas as escolas que ainda fazem uso do modelo didático, ou seja aquele no qual o professor fala e o aluno ouve, na maior parte do tempo.Este modelo apresenta os se-guintes aspectos negati-vos: é excessivamente estruturado; é totalmente controlado pelo adulto; faz usos de recursos pouco naturais para o aluno e torna a aprendizagem totalmente passiva.
Observamos que crianças muito novas, aprendendo uma segunda língua, têm dificuldade em relacionar e processar conteúdos que não tem significado imediato e real para elas. Além disso suas habilidades lingüísticas são ainda pouco desenvolvidas, até mesmo na língua materna. É necessário portanto que a aprendizagem se faça da forma mais concreta e natural possível, envolvendo o maior número de experiências possíveis. Para estas crianças, o processo de generalização ainda é reduzido, daí a necessidade de viven-ciarem bastante as experiências novas, de forma a assimilá-las ao seu conhecimento anterior.
O interesse do aprendente não é de imediato o uso de frases gramaticalmente corretas, mas sim poder se comunicar com o mundo que o cerca e interagir com os outros aprendentes neste novo código. Portanto o praticar excessivo e extremamente repetitivo de estruturas gramaticais corretas não deveria ser o enfoque primordial no ensino bilingüe. Uma vez que a criança comece a dominar este outro código e consiga compreendê-lo, automaticamente ela se tornará capaz de corrigir-se conforme os modelos a sua volta, da mesma forma que ela tem esse tipo de atitude em relação a sua língua materna. O modelo didático pode se tornar desinteressante para o aprendente que por conseguinte se aliena do processo de aprendizagem, levando muitas vezes o professor a interpretar tal atitude como um indício de que o aluno seja incapaz ou não tenha aptidão para a aprendizagem bilíngüe.

UMA ABORDAGEM NATURAL
É preciso ensinar a língua de modo integrado e não separar forma e funcionalidade. Isto não significa que não seja possível, em determinados momentos, uma abordagem mais acadêmica e portanto mais estruturada. Porém o aprendente deverá ter sempre a certeza de que está aprendendo uma outra língua porque esta lhe será útil e que portanto tal aprendizado possui um significado real. Se, por exemplo, a criança ao ser introduzida ao código escrito da língua não imaginar que esta é também uma outra forma de comunicação entre ela e seus “amiguinhos”, ela não verá objetivos imediatos em aprender a ler e escrever e não se interessará em fazê-lo.
Como exemplo da força do desejo de aprender relatarei a seguir um caso real: um aluno X, de nacionalidade argentina e portanto falante de espanhol, foi colocado aos 8 anos em um curso de inglês para crianças. Depois de repetir o curso básico duas vezes, foi sugerido a seu pai que o retirasse do mesmo, com a afirmação de que X “não tinha aptidão para línguas”. Seu pai, dois anos mais tarde, foi transferido para Londres e a família o acompanhou.
X foi então matriculado numa escola para nativos e não apresentou problemas para aprender uma outra língua. Houve aí a compreensão por parte da criança do quanto era necessário ela aprender este novo código, sem o qual não poderia se socializar nem sobreviver na nova sociedade.
Mais tarde novamente seu pai foi transferido para o Brasil e, uma vez mais X aprendeu rapidamente outro código: a língua portuguesa. Hoje X é fluente em três línguas, quando havia sido declarado a seu respeito que ele não tinha aptidão para línguas!
Pesquisas recentes têm provado que o processo de construção do conhecimento humano ocorre mais rápido se a abordagem for natural. A abordagem natural promove um aumento significativo na atenção do aprendente e um maior interesse pelos conteúdos propostos. A possibilidade de sucesso é portanto muito maior.
Para uma abordagem natural são necessárias estratégias específicas:
a) Adaptar os objetivos ao nível real de desempenho e interesse da criança.
b) Estruturar o ambiente de tal maneira que a criança deseje e possa realizar as tarefas propostas.
c) Responder à iniciativa da criança com solicitações que sejam semelhantes aos objetivos por ela propostos, ajudando-a para ser bem sucedida.
d) Estimular e reforçar suas tentativas de comunicação, dando-lhe sempre atenção.
e) Criar situações em que ela tenha o interesse e o desejo de aprender a falar usando este novo código.
f) Permitir a criança um maior tempo para elaborar suas respostas.
g) Criar situações de desafio para a criança, de forma que ela terá que reagir, fazendo assim uso
da linguagem, mesmo ainda que precariamente (por exemplo : jogos, competições, etc.)
h) Quebrar a rotina criando situações diferentes das do cotidiano, fazendo com que a criança tenha que se manifestar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A criança bilingüe na verdade é aquela que pensa também na segunda língua, o que só acontece quando ela é criada num ambiente no qual ambas as línguas são faladas naturalmente.
Para que as crianças bilingües possam alcançar o êxito no processo de aprendizagem, devemos ter em mente que elas precisam ser capazes de resolver de 60% a 70% das atividades que lhes sejam propostas, o que significa ser necessário muito cuidado na escolha das mesmas por parte do professor.
Prevenção é a palavra chave e é tão importante que atualmente vem sendo constantemente enfocada em periódicos publicados nos Estados Unidos e na Europa sobre educação bilingüe – “The Bilingual Family Newsletter” – os quais são distribuídos para todas as escolas bilingües e enviados para as escolas americanas fora do país. Neles são enfatizados temas tais como o Aprendizado da Segunda Língua, Dicas para Educação de Crianças Bilingües, Bilingüismo não é Fácil e outros. Segundo este mesmo periódico,”língua, cultura e identidade estão relacionados de várias formas e é por isto mesmo que o poliglotismo pode causar um impacto no desenvolvimento da personalidade do indivíduo...” (vol.15 N.2), no que se poderia concluir dizendo que tal impacto, com certeza, se reflete na aprendizagem do mesmo, positiva ou negativamen-te, dependendo da forma como esta acontece.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BAKER, Collin. Foundations of Bilingual Education and Bilinguism. Multilingual Matters. England. 1997.
CLAY, Mary M. The Early Detection of Reading Difficulties. Heineman Education Books, Inc. 3th ed. Hong Kong. 1989.
FERRERO, Emilia & Teberosky, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Artes Médicas. 1987
NESSEL, Denise D. & Jones, Margaret B. The Language Experience Approach – “A Handbook for Teachers”. Teachers College Press. New York. 1988.
OPPER, Sylvia & Ginsgurg, Herbert. Piaget´s Theory of Intelectual Development – An Introduction. Prentice Hall Inc. New Jersey. 1969.
PIAGET, Jean. A psicologia da Criança. Difusão Européia do Livro. 2a ed. São Paulo. 1973.
RHODES, Lyn K. & Curt, Dudley. Readers and Writers with a Difference – A Holist Approach to Learning Disable and Remedial Studies. Heineman Education Books Inc. Canadá. 1977.
THE BILINGUAL FAMILY NEWSLETTER [In: News and Views for Intercultural People]. 1998, Vol. 15 N.3 Seven Grafics. Inglaterra.
VISCA , Jorge. Psicopedagogia Novas Contribuições. Nova Fronteira. Rio de Janeiro. 1991.
WEISS, Maria Lucia L. Psicopedagogia Clínica – Uma Visão Terapêutica. Artes Médicas. Porto Alegre. 1992.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Duas línguas, duas culturas? A construção da identidade cultural de indivíduos bilíngues

Duas línguas, duas culturas?
A construção da identidade cultural de indivíduos bilíngues

por Antonieta Heyden Megale


RESUMO: O presente estudo tem como objetivo refletir sobre a relação entre bilinguismo e biculturalismo. Entre outros aspectos, com o suporte teórico de Harmers e Blanc (2000) e Grosjean (1972), analisa os fenômenos de enculturação, aculturação e deculturação e suas funções no processo de determinação de habilidades bilíngues e de identidade cultural do indivíduo bilíngüe. Os resultados apontam para evidências de que escolas bilíngues e internacionais desempenham papel importante na formação da identidade cultural das crianças que se encontram nesse ambiente, devendo, desse modo, adotar uma série de medidas visando a integração das culturas que coexistem em seu ambiente.

Palavras-chave: Bilingue; Bilinguismo; Cultura; Identidade; Educação bilíngue

Introdução

A realização deste trabalho foi motivada pela falta de dados e informações a respeito de programas implementados em instituições bilingues no Brasil e de como estes programas interferem nos processos de socialização e construção da identidade cultural, dentro do contexto escolar.
As escolas bilingues e as escolas internacionais, como afirma Sgarioni (2003), foram em princípio criadas para acolher filhos de estrangeiros que moravam ou estavam de passagem pelo Brasil. No entanto, essas escolas são cada vez mais procuradas por pais brasileiros que preferem dar a seus filhos educação nos padrões do primeiro mundo. A procura por escolas internacionais e bilingues tem como principais motivos; o aprendizado de idiomas, o conhecimento de outras culturas e a habilitação dos jovens para completar seus estudos no exterior.
Desde 2005, foram abertas, no Brasil, quarenta novas escolas que utilizam dois idiomas simultaneamente - um aumento de 25% em dois anos. Estas escolas bilingues visam, em sua totalidade, promover o bilinguismo, oferecendo um ambiente escolar em que duas línguas são consideradas oficiais. Tais escolas, preocupadas com fenômenos como a globalização, têm também como objetivo o desenvolvimento do biculturalismo, paralelamente ao bilinguismo.
Porém, muitas questões relacionadas ao desenvolvimento da identidade cultural permanecem, por exemplo:
- O desenvolvimento do bilinguismo conduz naturalmente ao desenvolvimento do biculturalismo?
- Se monolíngues pertencem a uma cultura, automaticamente os bilingues pertencem a duas culturas?
- Ou de fato existe a combinação de duas diferentes culturas?
Dentro do apresentado acima, este trabalho tem como objetivo discutir a construção da identidade cultural de indivíduos bilingues.
De acordo com Grosjean (1982:157), algumas pessoas que utilizam duas línguas cotidianamente são, na verdade, monoculturais. De outra feita, uma pessoa monolingue pode ser bicultural, como é o caso de um escocês falante da língua inglesa. Harmers e Blanc (2000:119) explicam que a relação entre bilinguismo, escolha da língua e identidade cultural em indivíduos bilingues é muito complexa e depende de diversos fatores, havendo indícios de que experiências bilingues na primeira infância influenciam o desenvolvimento da identidade cultural.
Este estudo busca, portanto, contribuir para que instituições bilingues, nas quais diferentes culturas coexistem, promovam processos de socialização e um ambiente favorável a que seus alunos integrem harmoniosamente as culturas que se encontram em contato no ambiente.
Uma criança em contato com outra cultura, enquanto sua própria cultura não é valorizada, pode perder sua própria identidade cultural, para então adquirir a identidade cultural do grupo dominante. Indivíduos bilingues podem pelos mais diversos motivos se recusarem a pertencer a ambos os grupos culturais, ou mesmo ao rejeitarem sua própria cultura, não serem aceitos como membros da cultura dominante e, nesses casos, podem desenvolver variados problemas emocionais e psicológicos.

1. A identidade cultural da criança bilingue


1.1 Cultura


Conforme aponta Machado (2002:17), a ideia de cultura foi primeiramente desenvolvida na Grécia e o termo denominado foi paideia. Esta se define como a ação pela qual o homem realiza sua verdadeira natureza, desenvolvendo a filosofia e a consciência da vida em comunidade.
Além disso, Machado (2002:18) esclarece que com o desenvolvimento da sociedade em geral, o termo cultura foi se modificando e, no final do século XVIII, o termo germânico Kultur era empregado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade, enquanto a palavra francesa civilization referia-se às conquistas materiais de um povo.
Ambos os termos foram sintetizados por Tylor no vocabulário inglês culture. Segundo Tylor (1873 apud HARMERS e BLANC, 2000:115), cultura é uma entidade complexa que compreende uma série de sistemas simbólicos, incluindo: conhecimentos, normas, valores, crenças, língua, arte, costumes, hábitos e habilidades aprendidas por indivíduos enquanto membros de uma dada sociedade (TYLOR, 1873 apud HARMERS e BLANC, 2000:115). Conforme aponta Machado (2002:18), com a definição de Tylor temos a alusão a todas as possibilidades de realização humana, em uma só palavra, além de marcarmos intensamente o caráter de aprendizado da cultura em oposição à ideia de aquisição inata, transmitida por mecanismos biológicos.
Harmers e Blanc (2000:115) afirmam que o conceito de cultura, como utilizado atualmente, foi definido pela primeira vez por Tylor. Segundo Machado (2002:18), Tylor procurou demonstrar como a cultura pode ser objeto de estudo sistemático, pois trata-se de um fenômeno natural, que possui causas e regularidades, permitindo um estudo objetivo e uma análise capaz de proporcionar a formulação de leis sobre o processo cultural.
Conforme defendem Harmers e Blanc (2000:115), o conceito de cultura proposto por Tylor tem sido trabalhado continuamente por diversos teóricos. Linton (1945:32), por exemplo, insiste que cultura não é apenas uma configuração de comportamentos aprendidos, mas também todos os significados simbólicos que se encontram atrelados à determinada cultura. Além disso, os componentes de cultura são transmitidos de membro para membro em uma sociedade e então, compartilhados entre eles.
Como resume Machado (2002:24), o conceito de cultura pode ser relacionado aos seguintes pontos:
- a cultura determina o comportamento do homem e justifica suas realizações;
- o ser humano age de acordo com os seus padrões culturais, sendo seus instintos parcialmente anulados ao longo do processo evolutivo por que passa;
- a cultura é um meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos, para tanto, ao invés de modificar o seu aparelho biológico, o homem altera o seu aparelho superorgânico;
- ao adquirir cultura, o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que de atitudes geneticamente determinadas;
- a cultura determina o comportamento humano e a sua capacidade artística ou profissional;
- a cultura é um processo acumulativo, resultante de toda experiência histórica das gerações anteriores.
Machado (2002:24) ainda conclui que tudo o que o homem faz, aprendeu com seus semelhantes por meio de um processo acumulativo. Desta forma, por meio da comunicação oral, a criança recebe informações sobre todo o conhecimento acumulado pela cultura em que vive. Tal fato envolve um processo cultural: a língua humana é um produto da cultura, mas não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um código articulado de comunicação oral. Acrescenta-se a esse fato, que a língua é a principal ferramenta para a internalização da cultura pelo indivíduo. Os autores ressaltam ainda que embora cultura e língua não existam independentemente, elas não são homólogas.
Ainda segundo Harmers e Blanc (2000:116), quanto mais de uma cultura, ou mais de uma língua estão em contato na mesma sociedade, cultura e língua não são isomorficamente distribuídas. E tendo-se em mente que a língua é um componente da cultura, membros de uma mesma sociedade que não partilham da mesma língua, não partilham de todos os significados e comportamentos daquela sociedade. No entanto, sociedades podem ser bastante diferenciadas culturalmente e ao mesmo tempo falar variedades da mesma língua.
A questão do biculturalismo foi abordada por Grosjean (1982:157) em seu livro Life with Two Languages. Biculturalismo é por ele definido como a coexistência e / ou a combinação de duas culturas distintas. Grosjean levanta as seguintes questões: se monolingues pertencem a uma cultura, automaticamente bilingues pertencem a duas culturas? Ou, de fato, existe a combinação de duas diferentes culturas? De acordo com Haugen (1956:9), a resposta é negativa, bilinguismo e biculturalismo não são necessariamente coexistentes.
De acordo com Grosjean (1982:157), algumas pessoas que utilizam duas línguas cotidianamente são, na verdade, monoculturais. De outra feita, uma pessoa monolingue pode ser bicultural, como é o caso de um escocês falante da língua inglesa.

1.2 Características culturais

Smolicz (1979:106) afirma que determinados valores culturais serão particularmente ressaltados na construção da identidade cultural de membros pertencentes a um grupo específico. No entanto, estes mesmos valores serão relativamente irrelevantes para a formação da identidade cultural de outro grupo. Este modelo de valores primordiais sugere que cada cultura possui um número de características básicas essenciais para a transmissão e a manutenção daquela cultura.
De acordo com Harmers e Blanc (2000:116), em uma sociedade multicultural, governada por consenso e não por coerção, existe uma variedade de relações de poder entre o grupo dominante e os subordinados. Consequentemente, uma série de valores compartilhados por meio dessas culturas pode se desenvolver. Estes valores compartilhados são o que Smolicz (1984) chama de valores primordiais de maior importância: um indivíduo pode, então, possuir alguns valores específicos de sua comunidade cultural, enquanto ao mesmo tempo aderir valores sociais mais abrangentes de outra determinada comunidade cultural. Todavia, de acordo com Grosjean (1982:158), alguma espécie de choque cultural é inevitável e são criados pela combinação das pequenas ou grandes diferenças entre os grupos em questão: hábitos alimentares, educação dos filhos, organização familiar, crenças religiosas, nível e tipo de educação, caráter rural ou urbano da comunidade, entre outras diferenças.
Harmers e Blanc (2000:117) apontam para o fato de quando a língua é o valor primordial de um grupo cultural, esta deve ser um fator importante na determinação da identidade cultural de seus membros.
A extensão em que os valores primordiais afetam a identidade cultural de um bilingue depende do padrão desses valores, resultante de um contato cultural específico e das circunstâncias sociais que formam o tipo de experiência bilingue.
Ainda segundo Harmers e Blanc (2000:118), a situação na qual as línguas e culturas estão em contato engloba uma variedade de casos, tais como:
- o indivíduo fala uma língua em casa e esta é diferente da língua falada na comunidade ou sociedade;
- o indivíduo fala duas línguas em casa, sendo uma delas a língua da comunidade ou da sociedade;
- o indivíduo fala duas línguas em casa e ambas são utilizadas em duas comunidades em contato na sociedade;
- o indivíduo fala duas línguas em casa e nenhuma delas é utilizada na comunidade ou sociedade.
Harmers e Blanc (2000:118) afirmam que os casos descritos acima incluem crianças de casas bilingues, assim como crianças de famílias imigrantes que vivem em uma sociedade na qual duas línguas podem ou não estar em contato. Quando pelo menos duas línguas estão em contato na sociedade, relações de poder entre os grupos etnolinguísticos influenciarão o desenvolvimento da identidade cultural da criança.

2. O desenvolvimento da identidade cultural

Tajfel (1974:134) explica que a identidade cultural resulta do conhecimento que o indivíduo tem sobre ele pertencer a um ou diversos grupos sociais, isto também inclui todos os valores e significados afetivos atrelados a este pertencimento.
Le Page e Tabouret - Keller (1985:182) afirma que o indivíduo se comporta de acordo com padrões comportamentais de grupos com que ele acha que é desejável se identificar, sendo que é necessário que este indivíduo:
- seja capaz de identificar os grupos;
- tenha acesso adequado aos grupos e habilidade para analisar os padrões comportamentais dos mesmos;
- esteja motivado o suficiente para se juntar a um dos grupos e esta motivação seja reforçada positivamente pelos grupos;
- tenha habilidade para modificar seu comportamento.
Segundo afirmam Harmers e Blanc (2000:119), se em dada sociedade, certos grupos podem ser identificados em termos de etnia, características culturais e linguísticas, estes se tornarão traços salientes, percebidos como tais pelo indivíduo e utilizados por ele para categorização étnica, cultural e linguística.
No processo de comparação social de um membro específico pertencente a determinado grupo, o mesmo tenderá geralmente a favorecer os traços salientes de seu próprio grupo em dimensões perceptuais, atitudinais e comportamentais. Além disso, ele tenderá a utilizar as características de seu próprio grupo como padrão para julgar os outros grupos.
Ainda segundo Harmers e Blanc (2000:119), embora pouco se saiba sobre o processo de aquisição da identidade cultural, alguns estudos sugerem que esse processo começa bem cedo e que na idade de seis anos, as crianças já desenvolveram algum tipo de identidade cultural. Aos seis anos a criança já possui o conceito de identidade étnica que a diferencia dos outros, isto é, dos estrangeiros. Deve ser observado, contudo, que o conceito de estrangeiro para as crianças difere dos adultos.
Aboud e Skerry (1984:12) propõem um modelo de três estágios de desenvolvimento de atitudes étnicas. No primeiro estágio, a criança aprende a se identificar e a se avaliar, comparando-se com outros indivíduos que são diferentes de si. Então, a criança se percebe como membro de um grupo e percebe os outros como membros de outros grupos; neste estágio, a criança percebe similaridades dentro de um determinado grupo e diferenças entre eles. Finalmente, a criança é capaz de focar nela mesmo e nos outros como indivíduos e também como membros de um grupo.
Aboud (1977:293) esclarece ainda que para uma criança identificar-se positivamente com membros de outro grupo étnico, deve primeiro perceber este grupo de uma maneira positiva. Se a língua é um valor primordial étnico e existe incongruência entre língua e etnicidade, a criança não será capaz de identificar-se com outra pessoa, especialmente se esta pessoa é membro de seu próprio grupo, mas fala a língua de outro grupo.
Harmers e Blanc (2000:121) explicam que a relação entre bilinguismo, escolha da língua e identidade cultural em indivíduos bilingues é muito complexa e depende de diversos fatores. Há indícios de que experiências bilingues na primeira infância influenciam o desenvolvimento da identidade cultural; isto pode ocorrer devido a dois fatores: a criança não vê a língua como uma característica de identidade importante ou porque a criança bilingue desenvolve processos de descentralização e reciprocidade mais cedo do que as monolingues. Finalmente, as preferências dos bilingues não coincidem necessariamente com características de identificação cultural.
Ainda de acordo com Harmers e Blanc (2000:121), o desenvolvimento da identidade cultural resulta tanto de fatores psicológicos como sociológicos. A relação entre bilinguismo e identidade cultural é recíproca: o bilinguismo influencia o desenvolvimento da identidade cultural e este influencia o desenvolvimento do bilinguismo. Por outro lado, diferenças na construção da identidade cultural são mais ou menos toleradas por diferentes comunidades. Identidade cultural, assim como o desenvolvimento da linguagem, é uma consequência do processo de socialização que a criança experiencia. Este é um mecanismo dinâmico desenvolvido pela criança e pode ser modificado por eventos sociais e psicológicos durante a vida do indivíduo. É importante ressaltar que uma criança bilingue não desenvolve duas identidades culturais, mas integra ambas as culturas em uma única identidade. (GROSJEAN, 1982:160)
Segundo Diebold (1968:239), desordens de personalidade ou emocionais são comumente atribuídas ao bilinguismo, em virtude do desenvolvimento deste frequentemente ocorrer simultaneamente à socialização de um grupo em situação minoritária como é o caso de crianças imigrantes. De acordo com Harmers e Blanc (2000:121), deve-se ressaltar que os casos citados por Diebold em sua grande maioria referem-se a crianças bilingues pertencentes a classes sociais desprivilegiadas e por isso, essas crianças sofrem grande pressão para adquirir a nova língua.
Entretanto, como afirmam Harmers e Blanc (2000:122), a atribuição de desordens emocionais e afetivas ao bilinguismo baseia-se em suposições controversas, pois sabe-se que existem diferenças psicológicas fundamentais entre grupos culturais e essas diferenças são mutuamente exclusivas e necessariamente refletem na personalidade do indivíduo.
Uma desordem emocional atribuída ao bilinguismo é a anomia, um estado emocional complexo, envolvendo sentimentos de alienação e isolamento. A anomia é frequentemente associada a sentimentos de ansiedade, falta de flexibilidade cognitiva e afetiva e perda de identidade. Tal estado pode ser causado tanto por fatores sociológicos como psicológicos, porém, a anomia não é necessariamente resultado de experiências biculturais, ela é resultado de padrões de condições socioculturais nos quais a socialização ocorre. No caso, já citado, de uma criança que se encontra em contato com outra cultura e sua própria cultura não é valorizada, esta criança pode perder sua própria identidade cultural para então adquirir a identidade cultural do grupo dominante ou pode se recusar a pertencer a ambos os grupos culturais e, neste caso, a criança pode desenvolver anomia. Contudo, se esta criança se encontra em um ambiente que encoraja a valorização de ambas as culturas, ela estará em condições de integrar elementos das duas culturas em uma harmoniosa identidade bicultural. Por harmoniosa, não se deve entender que tal processo estará livre de tensões, contradições e conflitos, e sim que o indivíduo encontra soluções pessoais sem ter que negar uma das culturas. (HARMERS e BLANC, 2000:122).
Grosjean (1982:161) afirma que a tentativa de integrar características de duas diferentes culturas pode levar alguns indivíduos a sentirem que eles não pertencem a nenhuma das culturas em questão; esses indivíduos são então denominados indivíduos marginais e isto resulta em solidão, hostilidade, auto-piedade, desorientação e medo do ridículo.

2.1 Enculturação, aculturação e deculturação
Harmers e Blanc (2000:123) esclarecem que para entender os mecanismos pelos quais a criança aceita ou rejeita determinada cultura, devem ser observados os processos de internalização da cultura.
De acordo com Taft (1977:131), para tornar-se membro de uma determinada sociedade, a criança é enculturada a modos particulares e a um estilo de vida que constitui sua cultura e, como consequência, torna-se culturalmente competente. A criança deve adquirir meios para que seu comportamento possa ter significado para outros membros da sociedade e pelos quais ela atribua significado ao comportamento de outros membros; isto é, a criança deve aprender a significar e a se comunicar. Segundo Harmers e Blanc (2000:123), enculturação é parte do processo de socialização e começa com a socialização primária. Se a criança é enculturada em um ambiente bicultural, esta enculturação envolverá duas culturas. Porém, se a criança vive em uma casa monocultural e a comunidade local pertence a outra cultura, a enculturação começa na sua primeira cultura – a de casa, na qual a socialização primária ocorre e ela terá de lidar com a enculturação na segunda cultura, incluindo a língua daquela cultura posteriormente. Isto também ocorre a uma criança ou adulto que imigram a um país de cultura diferente.
Ainda de acordo com Harmers e Blanc (2000:123), quando a criança já passou pelo processo de enculturação e está em contato com uma segunda cultura, ela terá de se aculturar para se ajustar a nova cultura. Por aculturação entende-se que, ao se comunicar com membros desta nova cultura, a criança deve ajustar seu comportamento da cultura anterior para essa nova cultura. Aculturação compreende “uma combinação de aquisição de competências para se comportar de forma culturalmente relevante e a adoção de regras e atitudes culturalmente definidas com relação àquele comportamento” (TAFT, 1977 apud HARMERS e BLANC, 2000:123). Harmers e Blanc (2000:123) esclarecem que quanto mais avançado o processo de enculturação, mais complexo é o processo de aculturação. Num processo de aculturação harmonioso, o indivíduo adquire regras culturais e habilidades linguísticas da nova cultura e as integra de forma apropriada à sua primeira cultura. Em outras palavras, sua identidade se torna bicultural. Nesse processo ele também adquire a língua da nova cultura e a sua língua nativa pode ser mantida ou não de acordo com as circunstâncias. Por outro lado, o adulto que se adapta a uma nova cultura deve integrar novos elementos culturais, incluindo a língua, a uma identidade já completamente estabelecida. De acordo com as exigências profissionais, esse adulto deve também adquirir habilidades linguísticas mais ou menos desenvolvidas (bilinguismo adulto). Embora haja pouca evidência empírica de aculturação adulta, pode-se dizer que quanto mais velho o indivíduo, sua adaptação cultural será mais difícil.
Grosjean (1982:160) estabelece que há indivíduos que não são capazes de se ajustar à cultura a que se encontram expostos, ou por escolha, ou porque são rejeitados pela sociedade. Contrariando essa ideia, existem aqueles indivíduos que se ajustam em demasia a essa nova cultura. De acordo com Harmers e Blanc (2000:124), quando o indivíduo se adapta a nova cultura à custa de sua primeira cultura, fala-se do processo de deculturação. Grosjean (1982:160) esclarece que este super ajustamento a esta nova cultura pode ser devido à total rejeição da cultura nativa ou a um forte desejo de ser aceito como membro da nova cultura. Tal ajustamento exagerado frequentemente desencadeia rápido abandono da cultura original e, portanto, não se pode falar em biculturalismo.
Entre os dois extremos anteriormente descritos, Grosjean (1982:160) afirma que se pode encontrar indivíduos que de certa forma se ajustaram a certo nível de biculturalismo. O nível alcançado por cada pessoa depende de uma série de fatores, muitos dos quais similares aos fatores que afetam a manutenção da língua e a alternância de código, como, por exemplo, uso da língua, casamentos entre indivíduos pertencentes a grupos étnicos diversificados, tamanho do grupo minoritário, padrões de imigração e concentração geográfica entre outros. Diferentemente do bilinguismo no qual as duas línguas são mantidas separadamente, o biculturalismo comumente não envolve a manutenção de duas culturas e dois comportamentos individuais separadamente. Pouco se sabe sobre indivíduos nos quais duas culturas coexistem, mas não se combinam; mais comuns são os indivíduos que combinam características de duas diferentes culturas. (GROSJEAN, 1982:160)
O tipo de bilinguismo que será desenvolvido não é independente dos processos de aculturação ou deculturação. Harmers e Blanc (2000:124) explicam que aprender uma nova língua, se tornar fluente e ao mesmo tempo manter ou esquecer a língua nativa é parte integral da adaptação cultural. Os processos de enculturação, aculturação e deculturação são partes importantes na determinação de habilidades bilingues e da identidade cultural do indivíduo bilingue.

O papel da escola bilingue na formação da identidade cultural

O presente estudo revela a importância da língua como marca significativa na formação da identidade cultural de indivíduos bilingues. Como afirmam Harmers e Blanc (2000:124), o bilinguismo influencia o desenvolvimento da identidade cultural e esta influencia o desenvolvimento do bilinguismo.
Qual é, então, o papel da escola bilingue, na formação da identidade cultural das crianças que se encontram nesse ambiente?
A escola bilingue deve adotar uma série de medidas visando a integração das culturas que coexistem em seu ambiente. Neste sentido, Smolicz (1979:107) argumenta que cada cultura detem um número de características básicas essenciais para sua transmissão e manutenção. Os valores específicos de cada comunidade cultural se encontram em contato no ambiente escolar e devem ser, portanto, valorizados e respeitados.
O status atribuído às línguas em contato no ambiente escolar é de suma importância na formação da identidade cultural de alunos bilingues. As duas línguas devem ser suficientemente valorizadas no desenvolvimento cognitivo da criança e a aquisição da segunda língua deve ocorrer, consequentemente, sem perda ou prejuízo da língua materna. Deve-se levar sempre em consideração que as escolhas linguísticas dos alunos se baseiam também em aspectos psicológicos e afetivos.
Segundo Harmers e Blanc (2000:124), o fator mais importante na experiência bilingue é que ambas as línguas devem ser igualmente valorizadas. Para aqueles que optaram por um modelo de educação bilingue é necessário o estudo e planejamento permanente de como isto será realizado.
Cloud (2000:55) afirma que programas de educação bilingue devem ter como objetivo, não apenas que seus alunos obtenham a proficiência necessária para utilizar ambas as línguas adequadamente em contextos formais e informais, mas que desenvolvam também compreensão e apreciação pela cultura do grupo associado à segunda língua. Tais programas, que são denominados Programas Bilingues Aditivos, têm como objetivo o aprendizado de uma nova língua e cultura, enquanto os alunos continuam o desenvolvimento de sua própria língua e cultura. De acordo com a autora, essa denominação foi primeiramente utilizada por Wallace Lambert da Universidade McGill em Montreal em 1972, com a intenção de diferenciar este tipo de programa daqueles nos quais os alunos terminam por desistir ou perder sua língua materna e sua cultura. Um exemplo deste segundo caso são os alunos pertencentes a grupos minoritários, como os indígenas brasileiros, que são encorajados a assimilar a língua e a cultura do grupo dominante o mais rápido possível para que assim tenham mais oportunidades em nossa sociedade. Dessa forma, se sentem desvalorizados e muitas vezes envergonhados de se denominarem indígenas. Ao desistirem de sua própria identidade cultural, são, muitas vezes, rejeitados pelo grupo dominante, o que contribui para sua aculturação.
Indo mais além, Cloud (2000:55) salienta que muitas pesquisas têm demonstrado que programas bilingues que se baseiam na crença de que a melhor forma de aprender um segundo idioma é se concentrar e trabalhar apenas com a segunda língua, criam um ambiente desfavorável ao aprendizado, pois forçam os alunos a renegarem parte essencial do que são. Somando-se a isto, a autora afirma que tais programas subestimam a habilidade natural dos indivíduos para aprender duas línguas e acomodar diferentes perspectivas culturais eficientemente. Na verdade, esses programas se contentam com o monolingüismo e com o monoculturalismo, quando sabe-se das vantagens oferecidas pelo bilinguismo e biculturalismo.
Um Programa Bilingue Aditivo reafirma a crença de que é possível adquirir fluência em mais de uma língua quando o ambiente e o programa escolar são adequados. Educadores capazes de entender esse conceito identificam e estabelecem as condições cognitivas e afetivas necessárias para o sucesso escolar de seus alunos. Desse modo, são hábeis em organizar um currículo que propicie adequada exposição a ambas as línguas e que ofereça diversificadas experiências de aprendizado nas duas línguas do programa.
O status dos dois idiomas compreendidos nesse ambiente assim como o das culturas associadas a essas línguas é fundamental para a obtenção de indivíduos bilingues aditivos. Conforme defende Cloud (2000:55), igualar o status de duas línguas e duas culturas não é uma tarefa sempre fácil.

Considerações Finais

As escolas bilingues brasileiras são em sua grande maioria destinadas a crianças e jovens que têm como objetivo o aprendizado de um segundo idioma. Nesse caso, deve-se dar ênfase à cultura associada a esta segunda língua, pois não há dúvida de que a maioria dos alunos já valoriza o português e a cultura brasileira. Essa estratégia tem como objetivo propiciar a todos os alunos oportunidades para utilizarem a segunda língua assim como para se familiarizarem com outra cultura. No entanto, tal estratégia, não se aplica, por exemplo, a questão da educação indígena no Brasil; por se tratarem de um grupo minoritário, é essencial que se priorize os vínculos com a língua e a cultura materna, ao mesmo tempo em que também vivenciam experiências de aprendizado na segunda língua.
Como afirmam Harmers e Blanc (2000:125), a educação bilingue é determinada por fatores históricos, sociais, ideológicos, psicológicos e variadas relações de poder. Todos esses fatores devem ser analisados quando se decide pelo modelo ou programa de educação bilíngüe que será empregado.
No decorrer deste trabalho, muitas outras questões referentes à educação bilingue, ao bilinguismo e à formação da identidade cultural apareceram. Porém, devido às próprias restrições de tempo, o estudo foi concluído e algumas das indagações que surgiram são aqui abordadas como sugestões para trabalhos futuros:
- atividades curriculares que visem promover o biculturalismo;
- o papel da família no aprendizado bilingue;
- problemas emocionais e psicológicos relacionados à perda da identidade cultural.
- a questão indígena e o binômio linguagem / identidade social
Estas são apenas sugestões para futuros trabalhos. Outras ideias podem ser acrescentadas ou mesmo estas podem ser adaptadas à realidade de cada pesquisador


ABSTRACT: This paper aims at reflecting on the relation between bilingualism and biculturalism. Among many aspects, with the theoretical support of Harmers and Blanc (2000) and Grosjean (1972), it analyses the phenomenon of enculturation, acculturation and deculturation and their roles in the process of determining bilingual abilities and the cultural identity of the bilingual individual. The results show that bilingual schools play an important role in shaping the cultural identity of children who are in this environment and, therefore, they should adopt a series of measures aiming at the integration of cultures that coexist in their environment.

Keywords: Bilingual; Bilingualism; Culture; Identity; Bilingual education

Referências Bibliográficas
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TAJFEL, H. Social identity and intergroup behaviour. In: Social Science Information 13, 1974. p. 65-93.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Famper lança pós-graduação em educação bilingue em SC

Sáb, 25 de Julho de 2009 00:00
Originalmente disponível em http://www.jornalnovotempo.com.br/economia/famper-lanca-pos-graduacao-em-educacao-bilingue.html

O Brasil não é mais considerado um país monolíngue, mas sim plurilíngue. Este reconhecimento demanda ações que possam ampliar suas articulações com os outros países, principalmente os do MERCOSUL. Em vista desta a Faculdade de Ampére - FAMPER juntamente com o IPOL - Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística - www.ipol.org.br - Florianópolis/SC, passam a oferecer para a região sudoeste do Paraná e oeste de Santa Catarina, uma proposta nova em relação ao estudo da língua: Especialização em Educação Bilíngue.
O Projeto focaliza diretamente a prática de duas ou mais línguas. A especialização pretende suprir dificuldades relacionadas à prática bilíngue e o ensino da língua estrangeira nas escolas, focando o Espanhol e o Português como línguas de integração regional.

Objetivos
Criar condições de ampliar as relações com países de fronteira como Argentina e Paraguai, bem como outros que falam a língua espanhola como idioma oficial; Oportunizar um espaço bilíngue contemplando os idiomas espanhol e português, como forma de impulsionar a diversificação de conhecimentos que permitam aos profissionais educadores e outros, uma participação mais efetiva no mundo sócio-econômico-cultural dos países envolvidos.
O curso de pós-graduação bilíngue será ministrado por professores argentinos e brasileiros, e está dividido em três módulos:

MÓDULO I: Língua Espanhola (Espanhol I e Espanhol II)

MÓDULO II: Educação Bilíngue (Teoria e prática de ensino bilíngue; Questões políticas de ensino bilíngue; Alfabetização de ensino bilíngue; Letramento de ensino bilíngue; Metodologias de ensino bilíngue; Sistema de ensino bilíngue no Brasil).

MÓDULO III: Seminários e monografia (Metodologia de Pesquisa; Seminário de pesquisa;
Leituras dirigidas como suporte para as pesquisas).

Duração: 360 horas - 18 meses
Dias: sábados alternados (aulas aproximadamente a cada 15 dias)
Horários: das 8h as 12h e das 13h as 17h
Inscrições até: 23/07/09
Início previsto: 25/07/09
Investimento: 1 + 18 parcelas de R$ 220,00 (bônus pontualidade de 10% = R$ 22,00). Valor líquido até o vencimento: R$ 198,00

Ensino de línguas acelera o desenvolvimento cognitivo em crianças

Uma pesquisa do Instituto de Psicologia (IP) da USP analisou a influência do bilinguismo precoce sobre o desenvolvimento cognitivo de crianças

fonte: Agência USP (03.04.2009)
Paulo Roberto Andrade

Em sua tese de doutorado, a psicóloga Elizabete Villibor Flory analisou as vantagens e desvantagens do bilingüismo infantil a partir da teoria da equilibração do psicólogo suíço Jean Piaget.

O estudo foi teórico e sem pesquisas de campo e a pesquisadora fez um grande levantamento de estudos acadêmicos sobre o tema. Ela observou que, nos anos 1960, muitos pesquisadores apontavam prejuízos do bilinguismo na inteligência. Porém, tais pesquisas tinham muitas falhas metodológicas, não considerando a situação sócio-econômica, sócio-cultural, as condições de imigração, o tempo de permanência no país e outros aspectos. Após a década de 1960, apareceram inúmeros trabalhos favoráveis ao bilinguismo. “Mas aí corremos o risco de entrar num outro mito: o de que o bilinguismo aumenta a inteligência. O que também não é verdade” ressalta.

No caso da aquisição, as duas línguas são adquiridas como línguas maternas, o ser humano é totalmente capaz de crescer aprendendo duas línguas, sem sobrecarga intelectual. Uma característica observada diz respeito à mudança de código durante a fala, ou seja, a criança está falando em uma língua e utiliza algumas palavras de outra língua. “Por muito tempo isso foi entendido como um erro na aquisição da língua, pois a criança era analisada num contexto monolíngue, o que não era o caso”, diz Elizabete. “Hoje os pesquisadores entendem essa mudança de código como um processo natural”.

A psicóloga explica que para entender o bilinguismo é preciso esclarecer seu conceito. “A maioria das pessoas acha que um bilíngue é como dois monolíngues numa única pessoa, e não é. Seria necessário que a pessoa vivesse as mesmas experiências nas duas línguas, o que não é possível”. Apesar de listar os diversos tipos de bilinguismo em sua tese, Elizabete se concentrou no tipo precoce, que é aquele em que a segunda língua começa a ser adquirida antes do fim da aquisição da primeira, por volta dos 3 ou 4 anos.

Quanto às vantagens do bilingüismo, o que foi constatado nas pesquisas é que uma criança com boa proficiência em duas línguas, em geral, intensifica o que os especialistas chamam de controle inibitório ou seleção de atenção. “Isso é uma habilidade que utilizamos quando temos vários estímulos para prestar a atenção e precisamos nos focar em apenas um deles” explica a pesquisadora. O controle inibitório, como o próprio nome diz, inibe a atenção aos estímulos menos importantes.

Além disso, muitas pesquisas mostram, além da aceleração no desenvolvimento cognitivo (antecipação da entrada no pensamento operatório), que a criança bilíngue tem uma antecipação na percepção da relatividade dos nomes. Por exemplo, ela sabe que uma mesa pode se chamar mesa, table, tisch (alemão) ou outro nome. A criança entende que o objeto independe do nome que lhe é dado.

Porém, a pesquisadora ressalta que tais resultados não são unânimes, de modo que também há pesquisas nas quais tais vantagens não são encontradas. Nesse contexto, vários autores dizem que as desvantagens não vêm do bilinguismo em si, mas de contextos sócio-culturais de desvalorização da língua e da cultura de origem.

Teoria da equilibração

Elizabete analisou as influências do bilinguismo sobre o desenvolvimento cognitivo a partir a teoria da equilibração de Piaget. Segundo a psicóloga, a presença de duas línguas no ambiente gera um desequilíbrio para a estrutura de conhecimento da criança. “Ao se deparar com uma pessoa falando outra língua, a criança busca a equilibração de seus conhecimentos lingüísticos aprendendo a nova língua”. Essa reequilibração explicaria os casos em que se constatou vantagens.

Porém, é importante que a criança valorize o desafio e queira conhecer a novidade que se apresenta para que essa reequilibração se dê. Se não, o movimento de reequilibração não acontecerá. Por isso, em casos de imigração e desvalorização da cultura e da língua, nos quais a interação fique comprometida, não havendo o interesse da criança em assimilar a nova língua, as vantagens não aconteceriam.

Práticas pedagógicas

A pesquisa esclarece a complexidade do tema do bilingüismo e ajuda a desmistificar algumas idéias pouco divulgadas no Brasil. Segundo a psicóloga, a partir de sua leitura é possível adotar algumas práticas pedagógicas, como tentar configurar o ambiente para que os desequilíbrios se configurem como estímulos ao aprendizado da criança e estejam próximos a estrutura de conhecimento atual dela.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Curso: Alfabetização e letramento na educação bilíngue: aportes teóricos e metodológicos, em São Paulo

Curso no Sindicato dos Professores - Fevereiro 2010
http://www.sinprosp.org.br/escola.asp?mn=2&mes=13&curso=65

Alfabetização e letramento na educação bilíngue: aportes teóricos e metodológicos
Público-alvo: Professores de educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental e demais interessados

Objetivo: Construir uma base teórica que sustente as práticas de alfabetização e letramento propostas a crianças bilíngues com vistas à formação de um usuário competente das línguas na comunicação oral e escrita

Conteúdo: Conceitos de bilinguismo e educação bilíngue; modelos de educação bilíngue presentes no Brasil; conceitos de letramento e alfabetização; o processo de alfabetização em uma perspectiva sócio-construtivista; formação de leitores e de escritores; ensinoaprendizagem de segunda língua: múltiplas perspectivas; análise de situações didáticas em contextos bilíngues; construção coletiva de princípios sobre alfabetização de crianças bilíngues; proposição de alternativas de trabalho na educação bilíngüe que contemplem a formação cultural e o acesso à leitura e à escrita pela criança

Professora: Selma de Assis Moura
Pedagoga, mestre em Linguagem e Educação, tem atuado como professora, coordenadora Pedagógica e assessora em escolas bilíngües

Período: 3, 10 e 24 de fevereiro; 3, 10, 17, 24 e 31 de março; 7 e 14 de abril (quartas-feiras), das 19h às 22h

Carga horária: 30 horas

Número de vagas: 30

Preço: sindicalizados – R$ 183,00 - não-sindicalizados – R$ 366,00

domingo, 5 de julho de 2009

Artigo de Eric Duarte Ferreira: O ensino de língua estrangeira na educação de jovens e adultos de Florianópolis

Divulgando artigo científico:
O ensino de língua estrangeira na educação de jovens e adultos de Florianópolis: bilinguismo, pesquisa e intercompreensão
Eric Duarte Ferreira
Universidade Federal de Santa Catarina
Revista Brasileira de Linguística Aplicada - ISSN 1984-6398

O objetivo deste trabalho é problematizar a promoção de um ambiente bilíngue para se ensinar o espanhol como língua estrangeira dentro da proposta pedagógica da educação de jovens e adultos de Florianópolis (SC), que toma a pesquisa como fundamento primordial. Com esse intuito, foram realizadas quatro entrevistas com os professores de espanhol desse município. Verificou-se nas análises das entrevistas que os deslocamentos efetuados pela pesquisa como princípio educativo precisam ser revistos, especificamente com relação à posição de mediador. Nesse sentido, sustentamos que a associação entre bilinguismo e pesquisa deva ser suplementada pelos pressupostos teóricos e metodológicos da intercompreensão, especialmente através do trabalho com as habilidades de recepção - compreensão
e leitura em espanhol.

PALAVRAS-CHAVE: bilinguismo; pesquisa; intercompreensão.

Disponível em http://www.letras.ufmg.br/rbla/2009_1/09-Eric%20Ferreira.pdf
(Clicando no título dessa postagem você é automaticamente direcionado ao texto)

Artigo de Gernot Grube: Por que a nossa educação padrão não é bilíngue?

Por que a nossa educação padrão não é bilingue?
Gernot Grube, Doutor em Filosofia e ex-pesquisador na Universidade Humboldt, em Berlim

Em uma era de globalização, um assunto como esse torna-se cada vez mais relevante
fonte: CGC Educação (14.05.2009)
Publicado em 19 de Maio de 2009 no http://e-educador.com/index.php/artigos-mainmenu-100/4551-education09


Ninguém nega o valor da educação para todas as sociedades. Educação é como uma extensa oferta de instrumentos para desenvolver, cuidar, melhorar e aumentar nossos recursos. Na maioria das sociedades as escolas detêm o papel-chave para desenvolver a competência cognitiva e moral de jovens personalidades. A quantia de dinheiro alocada na educação varia enormemente de uma sociedade para a outra. Mas suspeitamos que essa não seja apenas uma questão financeira. Pois há sistemas mais caros que não produzem resultados tão bons quanto outros mais baratos. Trata-se, sim, de uma questão de metodologia. O que deveria ser feito na sala de aula?

No primeiro fim de semana de maio, do 1° ao dia 3 do mês, realizou-se uma conferência com 500 participantes em São Paulo sobre educação bilíngüe. A conferência acontece a cada dois anos e é realizada pela Escola Cidade Jardim. Os participantes vêm de todo o mundo. Os palestrantes são pesquisadores acadêmicos de renomadas instituições do Brasil e do exterior que têm-se destacado por sua pesquisa de ponta na área de educação bilíngue. Em uma era de globalização, um assunto como esse torna-se cada vez mais relevante.

Ofelia Garcia, da New York University, argumentou em sua palestra que a única educação apropriada para o século 21 é uma educação bilíngue. Em seu recém-publicado livro, onde promove o futuro do bilinguismo, ela cita a declaração da Unesco de 2003: “as exigências de participação em níveis nacional e global e as necessidades culturais e linguísticas específicas de distintas comunidades só poderão ser atendidas pelo ensino multilíngue.”

Algumas sociedades, como a cidade-estado de Singapura, já possuem consequentemente, um sistema de ensino bilíngue. Na conferência, Anne Pakir, da Universidade Nacional de Singapura, apresentou experiências recentes com bilinguismo em seu sistema local de ensino.

Educação bilíngue é diferente de simplesmente aprender uma língua estrangeira como acontece em muitos esquemas tradicionais. Em termos simples, o aprendizado bilíngue significa usar dois idiomas na escola. Significa por exemplo, aprender história em Inglês e Português, ou aprender geografia, matemática e química em ambos os idiomas. Imagine-se aprendendo o teorema de Pitágoras em Português e depois discuti-lo em Inglês. Se esse processo for iniciado cedo, o aluno poderá dominar um segundo idioma com fluência. E depois acrescentar outro (s) idioma (s) com maior facilidade ainda.

Siv Bjorklund, da Universidade de Vaasa, na Finlândia, explicou que, o progresso de alunos bilíngues na aquisição de idiomas adicionais é significativamente superior ao de alunos monolíngues. Mas há evidências também de que as habilidades cognitivas em geral são mais estimuladas pelo bilinguismo. A experiência prática em educação bilíngue mostra que para as crianças, é perfeitamente acessível a tarefa de comunicar-se com perfeição em duas línguas. É claro que o simples fato de ser fácil não é argumento suficiente. Mas o fato de ser tão fácil demonstra o enorme potencial latente na cognição infantil.

Resumidamente falando, vamos olhar para algumas das vantagens da educação bilíngue. Nossas crianças estão tendo a oportunidade de usar muito mais de suas habilidades naturais cognitivas. Elas têm a oportunidade de expandir um horizonte intelectual que potencialmente aprimora capacidades básicas de abstração e o aproveitamento de conteúdos acadêmicos torna-se mais fácil. Elas falam duas línguas com facilidade e frequentemente sem sotaque, ao saírem da escola... E elas estão completamente preparadas para aprenderem outros idiomas.

Este último argumento deveria ser suficiente para promover a educação bilíngue em um nível institucional. Pois em um mundo que se torna cada vez mais uma comunidade internacional, nada mais essencial do que habilidades lingüísticas de comunicação. E

apesar de, no ocidente e em grande parte da Ásia e da África o Inglês ter-se tornado uma língua franca, não devemos buscar um Esperanto. Pois uma língua deve situar-se em um contexto cultural. A estratégia não é eliminar línguas que reflitam contextos culturais específicos. Mas aumentar nossa habilidade de aquisição de novos idiomas.

Na conferência, Jim Cummins, da Universidade de Toronto, mencionou um último e interessante aspecto do bilinguismo. Toda a pesquisa ao longo dos últimos 40 anos mostra que não há desvantagem de crianças aprenderem uma língua estrangeira e matemática ou história ao mesmo tempo. Isso refuta a (falsa) suposição de que apenas as crianças mais cognitivamente “agraciadas” poderiam lidar com tanto aprendizado ao mesmo tempo. Isso funciona também de outra maneira: uma criança com dificuldade de entender um problema aritmético em uma língua, pode se beneficiar do uso de uma segunda língua para reconhecer o problema em questão.

Com todas essas boas razões para o bilinguismo, não seria razoável esperar que nossas escolas fossem lenta e gradativamente transformadas em instituições bilíngues? Claro que não tão lentamente, pois deixaríamos preciosos e necessários recursos cognitivos inexplorados. Mas não se trata de uma questão de andamento, mas uma questão de princípio: por que a maioria esmagadora de nossas sociedades não inicia processos de educação bilíngue?

Há uma perfeita metodologia disponível que não está sendo utilizada. O argumento com o qual nos deparamos aqui é o de que há interesses nacionais, um lobby político que deliberadamente emperra o processo de implementação de um sistema educacional bilíngue.

Na conferência de dois anos atrás, Gilvan Muller de Oliveira, da Universidade Federal de Santa Catarina, reconstruiu o histórico das políticas de língua no Brasil e mostrou que, para definir uma identidade brasileira forte, as outras línguas não apenas foram excluídas das escolas, mas também foram proibidas de serem usadas.

É claro que esse não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. Theodor Roosevelt, em 1915, expressou isso da seguinte maneira: “Temos espaço aqui para um único idioma. O idioma Inglês. Pois queremos que o sistema faça com que nosso povo seja Americano, de nacionalidade Americana e não habitantes de um abrigo poliglota.” Ou então, como foi dito por Ronald Reagan várias décadas mais tarde: “É absolutamente errado e contra os ideais americanos ter um programa bilíngue que está comprometido em manter suas primeiras línguas e jamais apresentá-los a um inglês com real competência para que possam ingressar ativamente no mercado de trabalho.”

É fácil perceber o quão equivocado é esse ponto de vista. Pensando dessa forma, ignora-se o fato de que a educação bilíngue visa aprimorar a competência linguística em geral, inclusive no inglês.

A situação na Europa parece ser um pouco diferente se considerarmos uma declaração da Comissão da União Européia de 2003: “O aprendizado de uma língua franca não é o suficiente. Cada cidadão europeu deveria ter competência comunicativa em pelo menos dois outros idiomas, além do seu próprio.” Mas a realidade, no entanto, é menos significativamente diferente. Também na União Européia, a educação bilíngüe não é a norma. E por que não, já que uma soma infindável de pesquisa argumente em seu favor?

Vamos pensar um pouco sobre os “motivos” que impedem a implementação do bilinguismo em um nível global. Em primeiro lugar, não haveria dinheiro suficiente para a contratação de professores capacitados. Esse argumento é, sem dúvida, limitado. Pois o business da política é direcionar os orçamentos e um critério central para decisões financeiras deveria ser o investimento em recursos humanos. Em segundo lugar, há o preconceito nas mentes de pais, de que os alunos não seriam capazes de lidar com o desafio do bilinguismo. A única maneira de se livrar dessa armadilha é através da implementação do novo modelo, tarefa do governo e dos responsáveis pela educação. Mas parece que as respectivas lideranças não estão muito dispostas.

Talvez, a partir disso, percebe-se o terceiro motivo: a luta por uma identidade nacional. As políticas educacionais de cada país devem encaixar-se nas exigências nacionais. Esse argumento explica porque, às vezes, um certo tipo de bilinguismo nunca foi e continua não sendo o desenvolvimento das competências linguísticas de uma criança. Mas sim, adotar uma criança cuja língua materna pertença a alguma minoria e doutriná-la no idioma oficial do país, ajudando assim, a fortalecer a identidade nacional.

Daí em diante, a questão do bilinguismo torna-se uma questão de poder, sobre as estratégias utilizadas pelo status quo para reproduzir sua superioridade. A partir desse ponto, o problema torna-se mais complexo. Não é a Nação que pede uma educação fortemente monolíngue. Mas os interesses de grupos sociais para preservarem seu poder. Poderíamos entender que a partir dessa perspectiva o bilinguismo torna-se um item delicado, dado o poder que ele tem de mobilizar os tecidos sociais. A linguagem é nossa principal ferramenta para criar, manter, transformar, destruir ou preservar redes sociais.

Infelizmente, não houve nenhum palestrante na conferência que abordou esse tópico: os links entre monolinguismo, estruturas sociais e interesses de poder. Talvez por bons motivos. Pois esse assunto requer sua própria conferência. Se aceitarmos o argumento de que a ausência do bilinguismo se deve à noção de que enfraqueceria a rede social de um grupo no poder, devemos aceitar que o debate sobre o bilinguismo é, em essência, político. Essa será uma discussão para os grupos que não estão no poder, mas que detém os melhores argumentos. Estamos falando de educação bilíngue enquanto modelo padrão, ao invés de uma educação particular ou especializada para apenas alguns alunos privilegiados.

Divulgando pesquisa: Dissertação de Mestrado de Ana Maria Fernandes David

DAVID, Ana Maria Fernandes. As concepções de ensino-aprendizagem do projeto político-pedagógico de uma escola de educação bilíngue. Dissertação (mestrado). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), 2007
Disponível em http://www.pucsp.br/pos/lael/lael-inf/teses/DAVID2007%20PDF.pdf

Esta pesquisa tem como objetivo identificar as concepções de ensino-aprendizagem do
Projeto Político-Pedagógico, de uma escola de educação bilíngüe, situada na cidade de São Paulo. Considerei nessa investigação que o trabalho educacional é representado também em textos produzidos institucionalmente e por isso procurei reconhecer no Projeto Político-Pedagógico, elaborado pela escola, aspectos que caracterizam as ações pedagógicas, tais como: os objetivos e as finalidades da educação, a seleção dos conhecimentos escolares, o papel da língua materna para aprendizagem da segunda língua, o papel do professor, do aluno, os tipos de
tarefas de ensino-aprendizagem e a avaliação. Para isso, utilizei os seguintes referenciais teórico-metodológicos: o conceito de Projeto Político-Pedagógico (Vasconcellos, 1995/2004, Boutinet, 1999/2002 e Padilha, 2006), as teorias de ensino-aprendizagem behaviorista (Skinner, 1974; Blomm, 1956/1973), cognitivista (Piaget, 1956/1973; 1967/2003; 1970/2002) e sócio-histórico-cultural (Vygotsky, 1984:2003; 1987/2000; 2001; 2004) e os significados da educação bilíngüe (Hutchison & Waters, 1987,1992; Hamers & Blanc, 1989; Baker, 2000, 2001; Lantolf, 2000). Optei pela pesquisa na Lingüística Aplicada pela possibilidade de desenvolver a reflexão
crítica a partir da linguagem que constitui a prática pedagógica e de considerar o documento elaborado na escola como texto que veicula prescrições ao trabalho educacional (Amigues, 2004; Nourodine, 2002). Os dados foram coletados em uma escola de educação bilíngüe, da cidade de São Paulo, que desenvolve essa proposta na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, e a seleção dos dados restringiu-se ao segmento do Ensino Fundamental. Como metodologia de análise, baseei-me nos procedimentos propostos por Bronckart (1997/1999) e Bronckart & Machado (2004), com a finalidade de identificar, no texto analisado, as concepções de ensino-aprendizagem, a partir das características do plano dos contextos, do plano enunciativo e do plano da organização textual, especificamente em relação ao conteúdo temático e as escolhas lexicais. Os resultados das análises permitiram concluir que as concepções cognitivistas e sóciohistórico-culturais constituem o Projeto Político-Pedagógico da escola e podem conseqüentemente, caracterizar um cotidiano escolar marcado por essa diversidade.

3o BilingLatAm - Simpósio Internacional sobre Bilinguismo, Educação Bilíngue e Cidadania da América Latina



Nesta semana acontece o 3o BilingLatAm em São Paulo. É a primeira vez que o evento vem ao Brasil. Os resumos das apresentações já estão disponíveis no site www.blinglatam.com.br (clicando no título dessa postagem você vai direto pro site) e dão uma idéia da abrangência do evento, que acontecerá na PUC e no Colégio Rio Branco.

sábado, 6 de junho de 2009

CLIL - Content and Language Integrated Learning Conference, in Maceió

International Conference on Content Based Instruction (CLIL) for Young Learners: Breaking through Traditional Boundaries
Maceió, Brazil July 8th – 10th, 2009
(jointly organized by IATEFL YL Sig and SYSTEMIC, Maceió, Brazil)

The International Conference on Content-Based Instruction (CLIL) for Young Learners in Brazil will be held in Maceió.

The conference has three main aims: to spread the idea of TEYL (Teaching English to Young Learners) through content; to provide a good forum for debate, information exchange, and dissemination of good practice for those who already use content-based instruction; and to contribute to the improvement of the level of TEYL in Brazil. The participants will include teachers from the private and public sectors, school coordinators, directors, and policy makers.

For more information visit the Conference website at http://www.cbiintlconferenceyl.com.br

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Evento em Foz do Iguaçu, em setembro


III Encontro Internacional de Letras e I Encontro Nacional
Transculturalidade, Linguagem e Educação


De 09 a 11 de setembro de 2009

Na UNIOESTE (Campus de Foz do Iguaçu)

O III Encontro Internacional de Letras, que acontece de 09 a 11 de setembro de 2009, no campus de Foz do Iguaçu, da UNIOESTE, teve, em 2007, sua primeira versão. Este ano consolida-se o caráter internacional do evento. Organizado por uma equipe de professores do colegiado de Letras e acadêmicos do 3º. ano, espera-se um público de aproximadamente 400 participantes, entre acadêmicos e professores, profissionais da área de educação, pesquisadores da área de linguagem da região de Tríplice Fronteira, além pesquisadores de outras regiões do Brasil.

Confira tudo no site: http://www.foz.unioeste.br/~eventos/enc_int_letras/

(Clique no título da postagem para ir direto ao site do evento)

terça-feira, 26 de maio de 2009

34th Alumni TEFL Conference - July 1-3, 2009


An annual event for the development of professionals in TEFL (Teaching English as a Foreign Language), this conference is a forum for teachers of English from all over Brazil. It includes lectures, workshops, special interest meetings and exhibits of educational materials.

This year’s convention will take place on July 1-3. Speakers confirmed so far: Lucy Chriton (Macmillan do Brasil), Ray Shoulder (Richmond Publishing), Roberto Costa (Cambridge), Claudio Piccolo (PUC), Margaret Pederson (US State Dept), Marcia Pedrosa (IBEU-Rio), Rafael Reis (Cengage) Carlos Gontow, Celso Frade, Luiz Otavio Barros and Rick Nishioka (Alumni), Marcelle Doria, Sergei Nesterenko and Thomas Topham, among others.

Registration Fees for the two and a half-day program:
Early registration – from June 1 to June 19:
R$ 170,00 (one hundred and seventy reais)
Late registration - from June 22 to July 1:
R$ 200,00 (two hundred reais)
Special fees for college students (Letras and Pedagogia): R$ 85,00 and R$ 100,00 for early and late registration, respectively.
Special fees for Braz-Tesol members: R$ 120,00 and R$ 150,00 for early and late registration, respectively.
Registration procedures soon to be announced, but do save the date!

sábado, 2 de maio de 2009

A figura humana nas aulas de artes: uma proposta de trabalho na educação infantil bilíngue.

Selma de Assis Moura e Ariane D’Avila Mantovani
3rd Brazilian Bilingual Schools Conference / 3º Congresso Brasileiro das Escolas Bilíngues
Workshop nº 29 - 02 de maio de 2009

O propósito deste trabalho:
Queremos compartilhar uma reflexão sobre a experiência de trabalho nas áreas de artes e linguagem desenvolvida com crianças de 5 anos em uma escola bilíngue de educação infantil na cidade de São Paulo. Nesta escola, como ocorre em muitas outras escolas bilíngues, as crianças passam pelo menos quatro horas diárias em um programa de imersão em segunda língua (no nosso caso, inglês) que não é apenas a língua que se pretende ensinar, mas também a língua através da qual os conteúdos curriculares são ensinados.

Vivemos, portanto, um duplo desafio: o de ensinar os conteúdos curriculares e uma segunda língua a crianças que são, quase todas, brasileiras e falantes nativas de português. Há na escola também algumas crianças para quem o inglês é a primeira língua, ou mesmo uma segunda língua materna. Para garantir um ambiente de circulação do inglês e maximizar a exposição das crianças à segunda língua, a comunicação entre a equipe da escola e as crianças ocorre quase totalmente neste idioma, embora o português seja eventualmente utilizado em atividades específicas e apareça, na maior parte do tempo, na comunicação entre as crianças. Conforme as crianças demonstram maior compreensão do inglês, as professoras as incentivam a falar mais nesta língua.
Um dos eixos de trabalho na escola é constituído pelas Artes Visuais. Presente de muitas formas na vida das crianças, as artes constituem uma forma privilegiada de ajudá-las a compreender o mundo, organizar seus pensamentos, expressar ideias, desenvolver o domínio de técnicas expressivas e ampliar seu potencial criativo. Seu principal objetivo é o desenvolvimento estético e a educação da sensibilidade. Mas como menciona o próprio Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, frequentemente as artes acabam se transformando em uma série de técnicas desconexas, que assumem função acessória a outras áreas, como a decoração, a elaboração de adereços, a preparação de eventos e outras funções que não contribuem com o aprendizado das crianças sobre artes.

Quisemos superar essa visão utilitarista de artes e avançar rumo a uma visão de artes como linguagens, e por isso teve lugar na escola um processo de formação em que pudemos refletir sobre o que é arte e o que é ensinar arte na escola. Algumas professoras tinham mais experiência do que outras, mas todas se engajaram de alguma forma nesse processo de formação, que nos ajudou a reconstruir nossa própria prática (MOURA, 2008).

A bagagem essencial do professor é seu repertório profissional que é adquirido pela prática. Porém, não é a prática por si só que é formadora, ela deve sempre ser acompanhada da reflexão sobre a experiência, pois é a reflexão sobre a experiência que é formadora e não a experiência por si só. (NÓVOA, 2004)

Este desafio se coloca a todas as professoras polivalentes que atuam na educação infantil. Mas em nosso caso, dada a especificidade de se tratar de uma escola bilíngue, mais um desafio se coloca: ensinar uma língua e ensinar através de uma língua. Para nós, que utilizamos a comunicação na segunda língua como forma de ensinar a própria língua e os conteúdos pretendidos, ambos os processos são concomitantes.

A experiência que escolhemos compartilhar teve lugar sob a forma do projeto “Body in Arts”, desenvolvido com a turma de 5 anos. A escolha de trabalhar com este tema, o corpo humano, tem a ver com os interesses e necessidades das crianças nesta idade, que estão construindo seu esquema corporal e sua auto-imagem, e permitiu construir uma grande variedade de conhecimentos.

As crianças tiveram contato com obras de vários pintores e escultores, o que permitiu que ampliassem seu repertório imagético ao perceberem uma grande variedade de possibilidades de expressão para o tema do corpo humano. Partimos de suas ideias iniciais, que foram sendo confrontadas com outras ideias, reorganizando-se, ampliando-se e aproximando-as da produção cultural em artes. Como afirma Iavelberg (2006):

Cabe à escola abrir o leque no ensino das diversas áreas de conhecimento. Situamos a área de arte que, entre outras linguagens, circunscreve a aprendizagem do desenho que, aprendido na escola, certamente promoverá a participação cultural dos alunos e a interação com a diversidade das culturas.

A documentação do processo de aprendizagem através de fotografias, cópias das produções das crianças, anotações de suas falas e registros reflexivos pela professora foi essencial para formar um panorama da progressão das aprendizagens das crianças, como mostramos neste trabalho. É com base na experiência que desenvolvemos e no que aprendemos que compartilhamos nossa reflexão e nossa proposta, esperando assim contribuir com o trabalho de outros colegas que, como nós, vivem o duplo desafio de ensinar artes e uma segunda língua de forma integrada.

Por que trabalhar com a figura humana nas aulas de artes?

O corpo é o centro do conhecimento, das percepções, das sensações, da estruturação da identidade, da organização do pensamento. No dizer de Edith Derdyk, pesquisadora, artista, é pelo corpo que o mundo interior, psíquico, se comunica com o mundo exterior, social. E como nos ensinou Piaget, a gênese da inteligência da criança é sensório-motora, dá-se no plano da ação motriz, predecessora e parte constituinte de todo o pensamento. De uma idéia inicial indiferenciada entre seu corpo e o corpo da mãe, o ser humano gradualmente estrutura sua percepção de si como indivíduo. A apropriação da imagem de si, a construção de seu esquema corporal e a afirmação como sujeito caminha de uma visão egocêntrica para uma progressiva descentração, necessária à formação da subjetividade de cada pessoa.

Desde muito cedo as crianças, em sua exploração do mundo e dos materiais, têm acesso a riscantes que imprimem marcas sobre superfícies. No início essas marcas são impressões de seus gestos, e não expressam um desejo de representação. Porém, a criança logo percebe que seus movimentos causam impressões gráficas, e passam a variar os movimentos observando as mudanças produzidas. Assim, as garatujas passam a ordenar-se e podem estruturar-se em padrões lineares, circulares, espiralados, conforme as experiências que as crianças vão construindo.

Uma revolução copérnica no pensamento da criança ocorre quando ela percebe que estas marcas podem representar algo. A associação entre marcas gráficas e uma realidade que pode ser representada é uma construção cognitiva que permite à criança acrescentar ao seu desenho uma intenção de representar: uma nova possibilidade de pensamento, agora simbólico, se apresenta, e será experimentada pela criança com entusiasmo. As garatujas passam a ser nomeadas: a criança diz: “Isto é um cavalo, este sou eu, esta é minha mãe...”, mesmo que seus traços ainda pareçam indistintos para nós.

Essas experiências com a representação vão gradualmente estruturando o desenho da criança em padrões mais figurativos. Frequentemente a criança procura representar a si mesma e às pessoas com as quais convive: família, colegas, professores, além dos ‘seres’ que lhe interessam: animais, brinquedos, etc. As experiências de vida da criança passam a se revelar em seus desenhos.

Além do conhecimento de si mesma, que a criança tem ao desenhar, ganha compreensão do mundo. Ela desenha porque existe desenho no mundo. Aprende a ver e a executar o que vê. Tende a assimilar níveis de conhecimento e produção artística e estética cada vez mais complexos, agindo sobre os objetos de conhecimento (desenhos) de diversas culturas, tempos e lugares. (IAVELBERG, 2006)

O desenvolvimento do desenho da criança se dá de forma indissociável ao seu desenvolvimento como um todo. A linguagem verbal, o pensamento lógico, a psicomotricidade, a socialização e a afetividade se desenvolvem ao mesmo tempo, pois a criança é una.

Desenhar a figura humana, ou seja, a si mesma e aqueles com quem convive, é significativo para a criança, pois permite que pense sobre si mesma, seu corpo, sua personalidade.

A construção da figura humana, em sua gênese, é um ótimo pretexto para observarmos o mapa da ampliação da consciência, através de um documento gráfico vivo e orgânico; é um convite para flagrarmos o processo de construção da visão de mundo da criança (DERDYK, 2003)

Ao estudarmos a história da arte percebemos claramente que em todos os tempos o ser humano se ocupou de sua representação: na Grécia antiga escultores como Praxíteles e Fídias procuravam um ideal de beleza, simetria e harmonia que representasse externamente as qualidades humanas. No antigo Egito a arte procurou fixar a história e a magia sob a forma de pinturas, desenhos e esculturas em que se representava não o que se vê, mas o que se sabe. A pintura clássica retratou tanto a constituição social e econômica das sociedades quanto o imaginário religioso que a cristandade pretendia transmitir aos fiéis. A arte moderna procurou desconstruir a idéia unívoca de representação, ocupando-se do corpo humano para lhe dar um caráter multidimensional como vemos em Picasso. E a arte contemporânea ainda se debruça sobre a representação do corpo humano, eventualmente como crítica aos padrões estéticos vigentes.

O que nos interessa neste texto é pensar sobre como o trabalho com a figura humana nas aulas de arte na educação infantil pode ser contextualizado na necessidade do ser humano de compreender a si mesmo. As artes, como linguagens que são, comunicam ideias, preocupações e visões de mundo, permitindo uma revisão, uma melhor compreensão de quem somos e qual nosso lugar no mundo. Na construção da representação da figura humana aprendemos mais sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre os limites Eu-Outro, essenciais na construção da identidade, sobretudo com crianças pequenas.

Tal como a apreensão da forma depende da consistência e da sinalização de suas fronteiras, para a criança a consciência de si depende da percepção de um eu que se distingue de um outro. Qual é a fronteira entre o eu e o mundo exterior, para a criança? A criança confunde essas divisórias, promovendo uma fusão contínua entre o dentro e o fora, entre o psíquico e o físico, confirmando a ausência de um dualismo que instrumentalize o recorte de sua figura no mundo (DERDYK, 2003)

Pensamos, assim, ser essencial incorporar o estudo da figura humana nas aulas de artes, e procuramos uma proposta de trabalho que tome as crianças como autoras de seus próprios conhecimentos e como capazes de se relacionar com a produção artística produzida historicamente pela humanidade, desenvolvendo assim seu percurso criativo de maneira informada pela cultura.

O projeto “Body in Arts”

Dada a importância do conhecimento do próprio corpo pela criança na construção de sua identidade e de sua relação consigo e com o mundo, estruturamos a proposta de trabalho com a figura humana sob a forma do projeto didático “Body in Arts”.
Dentre os objetivos traçados para este projeto esperávamos que as crianças pudessem:
• Manter e ampliar seu interesse nas aulas de artes;
• Ampliar seu conhecimento da língua pelo enriquecimento do vocabulário;
• Desenvolver apreciações de obras de arte como forma de compreendê-las, comunicar suas ideias a apropriar-se de sua linguagem;
• Experimentar diversas formas de representar o corpo humano;
• Ampliar a capacidade de criação através da manipulação de diferentes objetos e materiais, explorando suas características, propriedades e possibilidades de manuseio;
• Conhecer e experimentar algumas técnicas de representação, como o desenho com diferentes suportes e riscantes, e a modelagem com materiais diversos;
• Conhecer algumas obras de arte que representam a figura humana, contrastando-as;
• Ampliar o conhecimento de mundo através da ampliação do repertório estético no contato com obras de diversos pintores e escultores;
• Interessar-se pelas próprias produções, pelas de outras crianças e pelas diversas obras artísticas com as quais entram em contato, ampliando seu conhecimento do mundo e da cultura;
• Produzir trabalhos de arte utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da modelagem e da construção, desenvolvendo o gosto, o cuidado e o respeito pelo processo de produção e criação.
Para atingir esses objetivos, organizamos os conteúdos sob a forma de fatos e conceitos, procedimentos e atitudes, conforme proposto por Zabala (1999). Nosso quadro de conteúdos ficou assim organizado:

Conteúdos Conceituais:
• Leitura de imagens dos artistas propostos: Van Gogh, Goya, Munch, Miró e Sandra Guinle;
• Desenhos de observação do próprio corpo, visto no espelho;
• Desenhos de observação dos colegas de sala;
• Pinturas representando figura humana;
• Auto-retrato;
• Modelagem com massinha representando a figura humana;
• Contato com uma artista contemporânea, Sandra Guinle;
• Nomes das partes do corpo, em inglês;
• Nomes dos materiais utilizados, em inglês;
• Verbos de ação relacionados a atividades artísticas: to draw, to paint, to color, etc

Conteúdos Procedimentais:
• Apreciação de suas próprias produções, das produções dos colegas de classe;
• Apreciação das reproduções dos artistas apresentados;
• Produção de desenhos, pinturas e esculturas sobre a figura humana;
• Produção de fundo para posterior continuação com a produção da figura, e vice-versa;
• Produção de auto-retrato com técnicas variadas;
• Variações de suportes e riscantes, com análise dos resultados obtidos;
• Desenhos livres após apreciação de reproduções das obras apresentadas;
• Desenhos de observação de pessoas;

Conteúdos Atitudinais:
• Prazer e gosto em desenvolver atividades artísticas;
• Disponibilidade para comunicar-se em duas línguas;
• Interesse pela exploração dos materiais de artes;
• Cuidado com os materiais;
• Respeito aos colegas e suas produções;
• Organização ao final das atividades;
• Aumento da capacidade de concentração;
• Desenvolvimento de gosto estético;
• Estímulo à criatividade e à auto-expressão.

É importante destacar o papel da pesquisa do vocabulário e das estruturas lingüísticas específicas a este trabalho, que envolve uma listagem dos nomes das partes do corpo e dos materiais oferecidos às crianças. Uma pesquisa sobre as obras e os artistas apresentados às crianças também é indispensável para dar segurança à própria professora, tanto no que diz respeito à arte em si quanto à linguagem necessária para comunicar e ensinar as crianças.

Essa é uma parte que não pode ser esquecida quando se trabalha conteúdo e língua de forma integrada. Para ensinar a língua é preciso sabê-la, o que parece evidente mas tem implicações nem sempre lembradas. Alguns conteúdos trazem um vocabulário que não faz parte da comunicação diária do professor e que pode ser desconhecido para ele. Portanto, é indispensável familiarizar-se com os termos específicos relacionados ao tema que se trata, sobretudo ao se trabalhar com projetos didáticos, que podem aprofundar-se em alguns aspectos ou mudar de direção durante seu andamento.
Também é importante prever quais serão os materiais necessários às atividades: livros de arte com obras relevantes, livros infantis sobre artes, lista de sites e museus virtuais, material para desenhar, pintar e modelar, superfícies variadas, espelhos, etc.

Informar os pais através de uma carta e dar sugestões de como podem criar em casa conexões com o que as crianças estão aprendendo na escola constitui uma maneira de enriquecer o trabalho pedagógico e aproximar os pais da escola, estabelecendo uma parceria que beneficia as crianças.

Além dessas medidas, o planejamento do professor também delineia uma série de estratégias para atingir estes objetivos, que vão se modificando e se ampliando ao longo do projeto: A proposição de rodas de apreciação de reproduções que apresentavam a figura humana por artistas como Miró, Van Gogh, Munch e outros; a visita a museus e espaços expositivos em visitas temáticas monitoradas; a produção de desenhos de imaginação, de observação e de memória; a construção de esculturas representando a figura humana; o desenho de auto-retrato diante do espelho; o trabalho individual, em dupla e em grupo na produção de obras da turma; a roda de apreciação das produções das próprias crianças; a construção de textos coletivos registrando aprendizados; a seleção de obras e a montagem de uma exposição com os trabalhos produzidos são algumas estratégias possíveis no âmbito deste projeto.
E como se trata de um projeto, a reapresentação dos conhecimentos construídos pelas crianças à comunidade sob a forma de um produto final compartilhado vem dar sentido social às aprendizagens. A proposta de apresentar uma exposição com os trabalhos das crianças valoriza estes trabalhos,

Avaliação das aprendizagens

Para documentar o processo de aprendizagem foi montado um portfólio para cada criança com amostras representativas de seu trabalho e sua evolução. O portfólio também continha fotografias, anotações da professora, relatórios, e tornou-se um documento que evidenciava e apoiava a aprendizagem das crianças, útil para elas mesmas, para as professoras e para os pais.

Documentar esta aprendizagem permitiu que todos percebessem como as produções das crianças foram se modificando. Pela observação de seu corpo, pela reflexão sobre as formas de representar, pela apreciação das obras de diferentes artistas, as crianças foram desenvolvendo sua observação, apropriando-se dos elementos figurativos que compõe a linguagem do desenho, experimentando o uso desses elementos em suas obras e encontrando mais prazer ao produzi-las.

“At the beggining of the project I drew the eyes (as) balls, the second I draw the eyes different. I learnt because I saw my eyes.” (Júlia H.)‏
Nesse trabalho as crianças aprenderam uma série de conhecimentos em arte que se relacionam a outras áreas do conhecimento e que as ajudaram a desenvolver-se de modo integral. Em um trecho da avaliação feita pela professora, colocada no portfólio de um aluno junto com suas atividades de desenho, alguns desses aprendizados foram evidenciados:

Os momentos de troca e parceria contribuíram para que Marcelo e seus amigos começassem a perceber alguns detalhes que estão presentes no nosso rosto e fazem com que sejamos diferentes um dos outros. Através desses momentos de observação e de apreciação de outras obras de diferentes épocas e técnicas, as crianças começaram a utilizar o seu novo conhecimento em suas próprias produções, pois sabemos que a Arte é um produto da criatividade humana que, mediante conhecimentos, técnicas e um estilo todo pessoal, transmite uma experiência de vida ou uma visão de mundo, expressando verdades humanas e despertando emoções em quem a usufrui.
Luana: “Nossa, there’s a small ball in my eye, and it’s darker.”
Lucas: “Meu cabelo é bem claro, né?” (Lucas estava puxando conversa com a amiga Júlia H. ao se olhar no espelho e ver suas características físicas).
Júlia H: “Yes, but my hair is bigger”.
Priscilla: “I like my hair because it’s black. I’ll have to use a black pen to draw my hair.”
Bárbara: “A mouth da Ari is very big”.
Júlia P: “My nose has two balls, I think it’s funny. Look” (Júlia estava pedindo para Marcelo e Priscila olharem para dentro do seu nariz).
Marcelo: “My nose is big.”
Observando seu caderno de desenho, podemos perceber que Marcelo utilizou seu novo conhecimento em suas últimas produções, prestando cada vez mais atenção nos detalhes e nas formas. Além disso, sua coordenação motora está cada vez mais desenvolvida, apresentando avanços significativos no controle de seus movimentos e no tremor da linha. Entretanto, percebo que Marcelo utiliza muita força para segurar o lápis, fazendo com que se canse com mais facilidade e rapidez durante uma atividade. Procuro conversar com ele e mostrar que existem diversas maneiras que ele pode utilizar para segurar um riscante qualquer e que ele deve optar pelo que mais o agrada e lhe dê segurança.


A competência comunicativa das crianças varia muito, principalmente em função do tempo em que freqüentam a escola. Mas como podemos ver no excerto acima, as crianças conseguiram se apropriar da segunda língua e utilizá-la para expressar suas ideias e conhecimentos.

O aprendizado dos conteúdos trabalhados pela professora em artes se relaciona com o desenvolvimento das crianças como um todo, seja na construção de sua consciência corporal, no desenvolvimento psicomotor, na percepção e na atenção, na linguagem oral e na socialização. Isso não significa que a arte deve estar subordinada a outras exigências de formação das crianças, mas sim que o desenvolvimento infantil é integrado de tal forma que a ampliação de conhecimentos sobre artes (como em outras áreas) se reflete na formação da criança como um todo.

Além do conhecimento de si mesma, que a criança tem ao desenhar, ganha compreensão do mundo. Ela desenha porque existe desenho no mundo. Aprende a ver e a executar o que vê. Tende a assimilar níveis de conhecimento e produção artística e estética cada vez mais complexos, agindo sobre os objetos de conhecimento (desenhos) de diversas culturas, tempos e lugares [IAVELBERG, 2006].

Reflexões sobre o trabalho
Um projeto didático prevê uma grande participação das crianças na resolução de situações-problema, na proposição de atividades e na definição dos caminhos a seguir. Conosco, aconteceu de o projeto que inicialmente tinha sido pensado para durar um semestre e envolver as linguagens do desenho e da pintura, ganhar tridimensionalidade, saltando da superfície do papel para o espaço, e se prolongando pelo segundo semestre para estudarmos a modelagem e a escultura.
Essa guinada se deveu à descoberta, pela professora, das obras de Sandra Guinle, que tinham sido expostas no ano anterior em São Paulo na mostra “Cenas Infantis”. Encantada com a delicadeza das esculturas e com a temática da vida das crianças, a professora quis trazer aos seus alunos a oportunidade de conhecer esta artista.

Como no momento da realização do projeto não havia obras de Sandra Guinle expostas, foi através do site que as crianças puderam conhecer suas obras que retratam as brincadeiras e o dia-a-dia de crianças em esculturas de bronze de grande simplicidade e delicadeza.

Estabelecer uma comunicação com a artista através de e-mails aproximou as crianças da idéia de que o artista é uma pessoa real, alguém com uma história presente, e que elas também podem, se quiserem, tornar-se artistas no futuro. Sandra foi muito receptiva e acessível, e quis também ver o trabalho das crianças, que foi enviado por e-mail.

Este projeto foi se modificando durante seu percurso, e enriquecendo-se com o envolvimento das crianças e da professora. A reflexão permitiu que um equilíbrio fosse buscado: quando os desenhos das crianças começaram a mostrar um compromisso muito grande com a realidade representada, tanto em termos de formas quanto de cores, a sensibilidade da professora trouxe obras menos comprometidas com a verossimilhança entre a arte e a natureza, como Miró. Assim, buscou-se apresentar uma variedade de elementos da arte de que as crianças poderiam lançar mão em suas produções sem perder de vista suas características pessoais e seu pensamento de magia e fantasia.

Vimos o quanto o papel do professor como pesquisador é essencial na construção de seu percurso profissional e na realização de um trabalho sério e consistente em sala de aula. Procuramos superar a visão tradicional e utilitarista que coloca a arte a serviço de outras disciplinas, sem cair na tendência espontaneísta de simplesmente deixar que as crianças explorem materiais livremente e descubram por si o que há para aprender sobre artes.

Reconhecemos que esta mudança de paradigma implica pelo menos duas dificuldades: A primeira é que nós mesmas, como professoras, não vivenciamos um percurso autoral de construção de conhecimentos sobre artes em nossa educação escolar, e carregamos conosco nossas vivências como alunas, que precisamos superar. A segunda é que dá muito trabalho perceber e preencher possíveis lacunas de nossa formação docente, aprendendo mais sobre didática da arte, história da arte, abordagem de ensino integrado de língua e conteúdo. Porém, decidimos enfrentar estes desafios, imbuídas da certeza de que podemos fazer um bom trabalho com nossos alunos.

Desde a educação infantil podemos propiciar um universo rico de aprendizagens em desenho, expandindo o universo cultural das crianças, trabalho que pode seguir orientado pelas ideias em ação das crianças. Essas ideias, motores dos atos de desenho, são construídas, primordialmente, na prática desenhista e na interação de cada um com a diversidade dos desenhos presentes nos ambientes.(IAVELBERG, 2006)

Quisemos compartilhar nossa experiência com outras professoras acreditando no poder da troca, da partilha e da construção conjunta de conhecimentos. Conhecemos os desafios enfrentados pelos que ainda ousam educar, mesmo em meio a tantas dificuldades enfrentadas no exercício de nossa profissão.

Partilhemos nossas dúvidas, nossas angústias, nossas críticas e aflições, pois se é o diálogo que nos mantém vivos, como dizia Paulo Freire, é o diálogo com os colegas que nos faz professores. Esta pode ser a mais difícil, mas é, com certeza, a mais necessária das profissões. Não vale a pena acreditar que podemos transformar tudo. Não podemos. Não vamos conseguir criar uma escola que vai salvar a sociedade. Mas quem é professor não deixa nunca de acreditar, sabe que renunciar às ilusões não quer dizer renunciar às diferenças. Significa nunca deixar de ter esperança [NÓVOA, 2004].

Referências:
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília, MEC/SEF, 1998
DERDYK, Edith. O desenho da figura humana. 2 ed. São Paulo, Scipione, 2003.
IAVELBEG, Rosa. O desenho cultivado na criança: prática e formação de educadores. São Paulo, Zouk, 2006
MEHISTO, Peeter, MARSH, David e FRIGOLS, Maria Jesus. Uncovering CLIL: Content and language in bilingual and multilingual education. Oxford, Macmillan, 2008
MOURA, Selma de Assis. Quem de repente aprende: uma experiência de formação continuada em artes com professoras polivalentes na educação infantil. Revista Digital Art&. Disponível em http://www.revista.art.br/site-numero-10/trabalhos/18.htm
MOURA, S. M. Arte-educação para quê? Razões para ensinar arte. In: INSTITUTO ARTE NA ESCOLA. Monografias e Teses. Disponível em http://www.artenaescola.org.br/pesquise_monografias_texto.php?id_m=241
NÓVOA, A. Os professores na virada do milênio: do excesso dos discursos à pobreza das práticas. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 25, n. 1, p.11-20, jun 1999.
ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

Site:
WWW.sandraguinle.com.br

quinta-feira, 30 de abril de 2009

IATEFL Young Learners and Teenagers SIG & Systemic

INTERNATIONAL CONFERENCE on 'Content Based Instruction (CLIL) for Young Learners: Breaking through Traditional Boundaries', in Maceió, Brazil July 8th – 10th, 2009.

You can check out details at:
http://www.cbiintlconferenceyl.com.br/

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Palestra: O verbal e o gestual na língua de sinais brasileira

O Grupo de Estudos Semióticos convida para a palestra do FAPS – Fórum de Atualização em Pesquisas Semióticas, a ser proferida pelos Professores Leland McCleary (DLM-FFLCH-USP) e Evani Viotti (DL-FFLCH-USP) no dia 08 de maio de 2009.

Palestra:
O verbal e o gestual na língua de sinais brasileira

O Grupo de Estudos Semióticos (GES-USP) do Departamento de Linguística convida para a próxima palestra do FAPS – Fórum de Atualização em Pesquisas Semióticas, que será proferida pelos Professores Leland McCleary (DLM-FFLCH-USP) e Evani Viotti (DL-FFLCH-USP). A conferência conjunta acontece no dia 08 de maio de 2009, às 11h30, na sala 260 do prédio de Letras.

Na ocasião, os docentes convidados falarão a respeito da língua de sinais brasileira (LIBRAS) e sobre o papel dos componentes gestual e verbal para a construção dos discursos nessa língua.
A palestra será aberta a todos os que desejarem participar.

Todas as informações, incluindo resumo da palestra, estão disponíveis no link:
http://www.fflch.usp.br/dl/semiotica/faps/2009/leland-evani-faps2009.html

Data: sexta-feira, 08 de maio de 2009
Horário: das 11h30 às 13h00
Local: Prédio de Letras USP, Sala 260

Evento aberto e gratuito.

Fonte: Departamento de Linguística - FFLCH-USP.

sábado, 25 de abril de 2009

Divulgando pesquisa: Dissertação de Mestrado de Aline Paulino da Rosa

ROSA, Aline Paulino da. É o professor quem diz quando se fala?: a tomada de turnos de fala em atividades diferentes em uma turma de 1ª série em educação bilíngüe
Dissertação de Mestrado em Linguística Aplicada- UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008

RESUMO:
Esta pesquisa tem como objetivo investigar a sistemática de tomada de turnos empregada em duas atividades diferentes, a saber, a hora da rodinha e a contação de histórias, em uma sala de 1ª série de educação bilíngüe. Os conceitos teóricos e a fundamentação metodológica estão embasados na Análise da Conversa Etnometodológica (ACE) e na Microetnografia Escolar. O corpus da análise se constitui de cerca de 4 horas gravações audiovisuais realizadas em uma escola particular de Porto Alegre que possui um currículo de educação bilíngüe (português – inglês). Após a análise dos dados verificou-se uma diferença significativa quanto à organização da sistemática empregada nas duas atividades. Foi observada a livre tomada dos turnos pelos alunos e o conseqüente direcionamento da atividade durante a contação de histórias resultando em um gerenciamento mais local dos turnos de fala. Por outro lado, em função da natureza organizacional da atividade de hora da rodinha, constatou-se um controle mais rígido das auto-seleções e um acesso mais restrito ao piso conversacional gerenciado pela professora. Além disso, após a análise das interações em cada uma delas, verificou-se também uma maneira diferenciada de participação dos alunos corroborando a asserção de que há um movimento de mudança no padrão interacional esperado para esse cenário. A maneira pela qual os alunos tomam os turnos de fala, o teor de determinadas contribuições e algumas respostas dos professores para essas ações podem remeter a “um aparente caos”. Contudo, uma análise detida das interações revela um alto engajamento dos alunos e uma construção conjunta da participação durante as atividades propostas.

Texto completo disponível em http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/15319/000677870.pdf?sequence=1
000677870

Divulgando pesquisa: Dissertação de Mestrado de Ana Paula Barbosa Risério Cortez

RISÉRIO CORTEZ, Ana Paula Barbosa. A língua inglesa como objeto e
instrumento mediador de ensino-aprendizagem em educação bilíngüe
. São
Paulo: 185 pp, 2007.
Orientadora: Professora Doutora Fernanda Coelho Liberali.
Dissertação (Mestrado em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem)
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2007.
Áreas de Concentração: Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem.
Palavras-chave: Educação Bilíngüe, Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural.

RESUMO:
O objetivo deste trabalho é discutir o papel da língua inglesa como ferramenta Mediadora em educação bilíngüe. O estudo está fundamentado na Teoria da Atividade
sócio-histórico-cultural (Vygotsky, 1933-1935/1934, Leontiev, 1977-1978), que, por sua vez, apóia-se na concepção sócio-histórico-cultural do desenvolvimento (Vygotsky,
1933,1935), bem como na compreensão dialógica da linguagem (Bakhtin, 1981). Também
utiliza as visões a respeito de educação bilíngüe presentes no trabalho de Hamers e Blanc 2000). Trata-se de uma pesquisa-ação crítica (Kincheloe, 1997), uma vez que há
avaliação, reflexão e reconstrução da própria prática, em um paradigma crítico, inserida no contexto educacional bilíngüe, visando à transformação e a novas alternativas para os envolvidos na pesquisa e a novos horizontes em ensino-aprendizagem bilíngüe. Esta investigação inclui a professora-pesquisadora e a turma de alunos da sexta série do ensino fundamental de uma escola bilíngüe na cidade de São Paulo. O estudo foi conduzido durante o segundo bimestre letivo do ano 2005 e o material coletado compõe-se por gravações em vídeo das aulas do período, com seleção dos dados, a partir de análise inicial. Os resultados apontam que nas aulas de língua inglesa o objeto da atividade é o inglês, contemplado em uma visão enunciativa. É constituído para se tornar ferramenta para-resultado, utilizado para expandir a compreensão dos alunos sobre a própria língua. É instrumento-e-resultado quando é interpretado, contestado e expandido durante os debates entre professora e alunos. Nas aulas de estudos sociais, o inglês é o objeto quando se refere a novo vocabulário, conteúdo gramatical ou gêneros que possam fazer parte da atividade. É ferramenta-para-resultado quando é utilizado sem uma reflexão maior ou sem grandes questionamentos por parte dos alunos a respeito dos conceitos relativos à área. O inglês é ferramenta-e-resultado nas aulas de estudos sociais em momentos nos quais existem questões para expandir e fazer correlações entre conceitos, e a língua assume um papel para além de sua estrutura, servindo para constituir o próprio
objeto de estudos sociais. A discussão dos resultados aponta que, nessa perspectiva, a linguagem expande a si mesma e ao conteúdo da área, nas duas disciplinas.

Texto completo disponível em http://www.sapientia.pucsp.br//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=4336

Literatura Infantil Bilíngue: Conheça Glória Kirinus


Ainda é difícil encontrar materiais de boa qualidade que apoiem e enriqueçam o trabalho com as língua na educação bilíngue respeitando a criança e integrando aspectos culturais relacionados às duas línguas, não é mesmo?

Por isso, descobrir os livros infantils de Glória Kirinus me deixou muito feliz. Utilizando uma linguagem poética tanto nos textos quanto nas ilustrações, o português e o espanhol se aproximam na tecedura das histórias.

Alguns de seus livros são:

* Te conto que me contaram / Te cuento que me contar. Com ilustrações de Fernando Cardoso. Editora Cortez.

* Quando chove a cântaros / Cuando Llueve a cantaros. Com ilustrações de Graça Lima. Editora Paulinas

* O galo cantou por engano / El gallo canto equivocado. Editora Paulinas.

* Quando as montanhas conversam / Cuando los cerros conversan. Com ilustrações de Graça Lima. Editora Paulinas.

Glória Kirinus é doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP, mestre em Literatura Brasileira pela PUC-RJ, especialista em Literatura Brasileira pela UFPR e pós-doutoranda C.E.A.Q /Sorbonne - Paris. Escreveu o livro teórico “Criança e Poesia na Pedagogia Freinet”, publicado pela Editora Paulinas. Para conhecer mais sobre ela e seu trabalho acesse o site http://www.gloriakirinus.com.br

Espero que gostem da dica! Bom fim de semana,

Selma

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Seminário Identidade e Diversidade Cultural - Para uma cultura da convivência do diverso

Identidade e diversidade cultural - conceitos em debate que se encontram associados a sistemas de representação das relações entre indivíduos e grupos, questões de direcionamento sexual, de hibridismos, da crítica à noção de raça à ênfase na etnicidade, das diferenças culturais, das novas identidades políticas e das singularidades. Indígenas, quilombolas, migrantes, refugiados, ciganos, homossexuais, latino-americanos fazem-se presentes como atores políticos e sociais a partir das diferenças de gênero, culturais e étnicas.

O campo da cultura torna-se instrumento de definição de políticas de inclusão social, de promoção do respeito e de uma cultura da paz. Mesas de debate, colóquio, conferências, filmes, apresentações artísticas e lançamento de livro.

Público Alvo: educadores, intelectuais, ativistas e lideranças de organizações não-governamentais, estudantes e demais interessados no tema. Local Teatro Paulo Autran.

Inscrições pelo Portal SESCSP a partir de 01/05 ou pessoalmente na Central de Atendimento do SESC Pinheiros.

Grátis

De 19/05 a 21/05. Terça, das 20h às 22h.; Quarta e quinta, das 14h30 às 21h.

SESC Pinheiros

sábado, 18 de abril de 2009

Educação bilíngue no Brasil: possibilidades e desafios rumo a uma sociedade lingúistica e culturalmente plural

Convido os colegas à leitura de um trabalho que apresentei na Semana da Educação da FEUSP (Faculdade de educação da USP) em setembro último. Talvez algumas idéias do texto possam contribuir para debates.

O texto original encontra-se nos anais do evento, disponíveis no link http://www3.fe.usp.br/secoes/semana08/completos/103.swf. O título desta postagem é um link direto para o trabalho.

Abraços e bom feriado,

Selma de Assis Moura

sábado, 11 de abril de 2009

Matéria na Folha Equilíbrio sobre Educação Bilíngue

19/03/2009 - 10h06
Quanto mais cedo se aprende idioma, melhor, dizem especialistas
RACHEL BOTELHO, da Folha de S.Paulo
(originalmente disponível em http://www.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u537179.shtml)

Já não se discute mais a importância do inglês na vida profissional ou, antes disso, no acesso ao mundo de informações e ferramentas disponíveis na internet. A dúvida, agora, parece estar na melhor época para aprender o novo idioma a ponto de dominá-lo no futuro.

Para os especialistas ouvidos pela Folha, a resposta é: quanto mais cedo, melhor. "Ao nascer, o cérebro tem uma plasticidade neural muito grande, uma capacidade de aprendizado que declina com a idade. E, para algumas habilidades, como essa, declina mais rapidamente do que para outras", afirma o neurocientista Marcus Vinícius Baldo, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo e presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento.

Sabrina Camargo Viertler, de um ano e oito meses, faz atividade na escola Cidade Jardim-Play Pen, localizada em São Paulo
Nas casas em que se fala somente um idioma, as escolas de educação infantil bilíngue são o caminho mais natural. Desde 2005, cerca de 40 instituições do gênero abriram as portas no país, segundo a Organização das Escolas Bilíngues do Estado de São Paulo. Só no Estado, estima-se que existam 50.

A maioria delas recebe bebês com pouco mais de um ano de idade para uma imersão na língua, quando todas as atividades são feitas no segundo idioma. Dos cinco aos sete anos, ocorre o processo de alfabetização -em português, na maioria dos casos. "É importante que a alfabetização seja feita na língua materna e em tempos diferentes [do inglês] porque o método é completamente diferente nas duas línguas", diz Eliane Gomes Nogueira, membro da Organização das Escolas Bilíngues do Estado de São Paulo.

Segundo Marizilda Guimarães Martins, mestre em educação infantil bilíngue, a alfabetização ocorre uma só vez, mas o conhecimento é automaticamente transferido para outro idioma em que a criança já tenha habilidade oral.

Muitos pais, entretanto, temem que a exposição concomitante a dois idiomas confunda as crianças e prejudique o aprendizado da primeira língua. A publicitária Camila Travesso, 37, deixou as ressalvas de lado e matriculou os três filhos, de um a seis anos, em uma escola bilíngue. "Achei que daria um nó na cabeça deles, mas não dá. Sinceramente, não vejo nenhum ponto negativo", diz.

Para Terezinha Machado Maher, especialista em ensino bilíngue do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, a exposição a uma ou mais línguas estrangeiras é sempre benéfica. "Há um mito de que pode causar confusão mental na criança, mas não é verdade. Existem na África regiões com um grau de densidade linguística muito grande em que as crianças falam cinco ou seis línguas sem problemas. Nós subutilizamos nossa capacidade de aprendizado", diz.

No início, é natural que um idioma interfira no outro, mas trata-se de um processo natural e passageiro. "É o que se chama de troca de código, mas está provado que se trata de um enriquecimento cognitivo, não de um empobrecimento", diz Marizilda Guimarães Martins.

Outro aspecto positivo é a suavização -ou mesmo ausência- de sotaque. "As crianças estão preparadas para falar mais fonemas do que nós, por isso raramente temos uma pronúncia exata de uma língua que aprendemos mais tarde", diz.

Segundo Terezinha Maher, problemas podem surgir apenas se a criança for alfabetizada em outra língua que não a materna. "Ela precisa conhecer bem a língua. Nas décadas de 1980 e 1990, algumas escolas insistiam em alfabetizar em inglês. Passados cinco anos, a criança era um leitor precário em ambas", afirma.

Para evitar frustrações, os pais devem acompanhar de perto a fase de alfabetização. "O material de leitura e as primeiras tarefas de escrita devem ser em português", diz.

Dica para quem estuda ou se interessa pela educação indígena



Para quem quer começar a pesquisar a educação indígena, a educação bilíngue línguas indígenas/português, a educação intercultural e outros temas semelhantes, um bom ponto de partida é o site da ONG Instituto Socioambiental, que traz informações muito úteis, como a Enciclopédia dos Povos Indígenas do Brasil, além de muitos dados sob a forma de tabelas, quadros, mapas e notícias.

O site é http://www.socioambiental.org/prg/pib.shtm. (Clicando no título dessa postagem você já vai direto pra lá. Espero que aproveite a dica.

Abraços,
Selma

Seminário de Formação: A Intercompreensão: Pesquisas, Dispositivos de Formação, Oferta Curricular

A INTERCOMPREENSÃO: PESQUISAS, DISPOSITIVOS DE FORMAÇÃO, OFERTA CURRICULAR
SEMINÁRIO DE FORMAÇÃO
2009: ANO DA FRANÇA NO BRASIL

DE 4 A 6 MAIO DE 2009 - MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA – SÃO PAULO

CONFERENCISTAS

Christian Degache - Maître de conférences HDR - Université Grenoble 3

Dolores Alvarez - Directrice de la Promotion et de l’Enseignement des Langues - Union Latine

Manuel Tost - Professor Catedrático Emérito - Universitat Autònoma de Barcelona

Maria Helena Araújo e Sá – Professora Catedrática - Universidade de Aveiro

Patrick Chardenet - Directeur Délégué Langue française, diversité culturelle et linguistique - Agence Universitaire de la Francophonie

PROGRAMA

04 MAIO

09h30 - 10h00 : Abertura

• Antonio Carlos Sartini - Superintendente do Museu da Língua Portuguesa

• Jean-Martin Tidori - Attaché de Coopération et d’Action Culturelle - Service Culturel du Consulat Général de France

10h00 - 11h30 : Conferências-debates

• Patrick Chardenet : Ensino e pesquisa, uma abordagem integrada para os departamentos universitários de línguas

• Dolores Alvarez : Políticas interlinguísticas nos espaços românicos (África, Américas, Ásia e Europa): a atividade da União Latina

11h30 - 11h45 : Intervalo

11h45 - 12h45 : Conferência-debate

• Manuel Tost : Experiências européias e latino-americanas no campo da intercompreensão: abordagem, públicos, pesquisa, formação

12h45 - 14h15 : Intervalo para almoço

14h15 - 15h15 : Apresentação de ferramentas

• Manuel Tost / Dolores Alvarez : Itinerários Românicos

15h15 - 16h15 : Apresentação de ferramentas

• Christian Degache/ Maria Helena Araújo e Sá : Galanet et Galapro

05 MAIO

09h30 - 12h30 : Oficina de iniciação (1) - Manuel Tost / Christian Degache / Maria Helena Araújo e Sá

12h30 - 14h00 : Intervalo para almoço

14h00 - 17h00 : Oficina de iniciação (2) - Manuel Tost / Christian Degache / Maria Helena Araujo e Sá

06 MAIO

09h30 - 10h30 : Maria Helena Araújo e Sá

Temas de pesquisa: As atividades metalinguageiras nos bate-papos on-line plurilingues romanófonos.

10h30 - 11h30 : Christian Degache

Temas de pesquisa: Os fatores não-linguísticos: questões interculturais e intercompreensão.

11h30 - 11h45 : Intervalo

11h45 - 12h45 : Manuel Tost

Temas de pesquisa: Como se dá a compreensão?

12h45 - 14h15 : Intervalo para almoço

14h15 - 15h30 : Balanço :

Claudine Franchon Cabrera – Attachée de Coopération pour le Français - Consulat Général de France

Dolores Alvarez

Patrick Chardenet

Sítio do evento:

http://www.auf.org/communication-information/agenda/seminaire-national-l-intercomprehension-recherche-dispositif-de-formation-offre-curriculaire.html?var_recherche=l%27intercompr%C3%A9hension

domingo, 5 de abril de 2009

XII SILEL - Simpósio Internacional de Letras e Linguística

O Instituto de Letras e Lingüística da Universidade Federal de Uberlândia realizará, entre os dias 17 e 19 de novembro de 2009, no campus Santa Mônica, na cidade de Uberlândia – MG/Brasil, o XII SILEL - Simpósio Nacional de Letras e Lingüística / II Simpósio Internacional de Letras e Lingüística.

A proposta do evento é promover a reflexão em torno dos Estudos Lingüísticos e dos Estudos Literários, configurando-se como um espaço de discussão e circulação de idéias e trabalhos que fundamentam as principais linhas de pesquisa que compõem essas áreas.

Em sua última edição, o SILEL contou com 2639 participantes de 26 estados brasileiros e de 10 países diferentes, o que determinou a qualidade e a amplitude dos debates realizados, posteriormente publicados em dois livros.

O evento reunirá conferências e mesas-redondas compostas por renomados pesquisadores do Brasil e do exterior; comunicações orais, que devem fazer circular trabalhos de professores e pós-graduandos; e painéis, que contemplarão, além de pesquisas realizadas por alunos de pós-graduação, as reflexões de pesquisadores iniciantes. A fim de alcançar maior integração e articulação entre os pesquisadores, as comunicações orais serão organizadas em Grupos Temáticos (GTs) coordenados por professores doutores vinculados a um programa de pós-graduação, de modo que os trabalhos apresentados, enfeixados sob um tema comum, proporcionem profícuos debates.

As inscrições e a submissão de trabalhos serão realizadas obedecendo ao seguinte calendário:
De 02/03/2009 até 16/03/2009 – para coordenação de Grupo Temático;
De 31/03/2009 até 18/05/2009 – para comunicação em Grupo Temático;
De 30/04/2009 até 30/05/2009 – para apresentação em painéis.

Outras informações a respeito de valores, submissão de trabalhos, organização de Grupos Temáticos e formatação de originais podem ser encontradas no sítio do evento (http://www.ileel.ufu.br/silel2009) ou pelo email silel.ufu@gmail.com.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pós-Graduação Multidisciplinar em Culturas e Identidades Brasileiras

Mestrado Strictu Sensu - Instituto de Estudos Brasileiros
Área de Concentração: Estudos Brasileiros

Da próxima segunda-feira (dia 6) até o dia 17 de abril, estarão abertas as inscrições para o preenchimento das vagas de mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação em Culturas e Identidades Brasileiras do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. O programa, com área de concentração em “Estudos Brasileiros”, tem o objetivo de realizar pesquisas e desenvolver reflexões sobre a sociedade brasileira.

As linhas de pesquisa são “Sociedade e Cultura na América Portuguesa e no Brasil” e “Brasil: a Realidade da Criação, a Criação da Realidade”. A primeira trata das culturas em sua expressão mais ampla, na complexidade das relações entre grupos sociais; a segunda aborda como o documento - seja discurso, imagem, som (independentemente da mídia em que se encontra registrado) - é conformado pelo universo social daqueles que o produzem, enquanto também conforma esse mesmo universo.

As inscrições devem ser feitas no IEB, localizado à Av. Professor Mello Moraes, Travessa 8, 140, Cidade Universitária, São Paulo. Para informações sobre documentos e acesso ao edital do processo seletivo, consultar o site www.ieb.usp.br.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Seminário "Aprendizagem do Francês, Identidades Plurilingues e Interculturalidade"

Rio de Janeiro, 29 e 30 de abril

A partir da iniciativa de pesquisadores franco-brasileiros do Centro de Pesquisa Interuniversitário EXPERICE (Universidade de Paris XIII / Norte – Universidade de Paris VIII) em colaboração com o Centro de Pesquisa sobre a diversidade linguistica da francofonia (CREDILIF) - Pluralismo, Representações e Expressões Francofonicas (PREFics) (Universidade Européia da Bretagne - Rennes II) realiza-se sob a égide do Ano da França no Brasil 2009 o Seminário Franco-Brasileiro de Aprendizagem do Francês, Identidades Plurilíngues e Interculturalidade tendo como tema central a interculturalidade no domínio das ciências da educação e da didática do FLE (francês língua estrangeira).

O Colégio Franco-Brasileiro e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em colaboração com a Universidade de Paris XIII/ Norte – EXPERICE convidam os colegas a participarem do Seminário Franco-Brasileiro de Aprendizagem do Francês, Identidades Plurilingues e Interculturalidade que será realizado no Rio de Janeiro, no Colégio Franco-Brasileiro, nos dias 29 e 30 de abril de 2009 com o intuito de ampliar as trocas acadêmicas entorno da temática central da interculturalidade, múltiplas identidades, culturas e formação no domínio da aprendizagem do francês língua estrangeira (FLE) e das ciências da educação.

O Seminário Franco-Brasileiro de Aprendizagem do Francês, Identidades Plurilíngues e Interculturalidade possibilita o intercâmbio de novas interrogações, abordagens e leituras por parte dos conferencistas, dos palestrantes e dos expositores de trabalhos dos diversos paises e instituições participantes, sobretudo os franco-brasileiros, além da perspectiva de criação de novas redes investigativas plurais, nacionais e internacionais cada vez mais necessárias à pesquisa científica.

Maiores informações em www.siaf.comunicar.pro.br

sábado, 14 de março de 2009

Curso de Introdução à Língua e Cultura Suaíli - FFLCH-USP, em SP

O Centro de Línguas da FFLCH-USP comunica que estão abertas as
inscrições para o curso Introdução à Língua e Cultura Suaíli.

Para mais informações, consulte o site do Centro de Línguas (www.fflch.usp.br/cl).

Atenciosamente,
--
Centro de Línguas da FFLCH - USP
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Universidade de São Paulo
Av. Prof. Lineu Prestes, 159 - sala 5 - Subsolo (Casa de Cultura Japonesa)
Cidade Universitária - São Paulo - SP - Brasil
Tel./Fax: + 55 11 3091 2416
e-mail: clinguas@edu.usp.br

quarta-feira, 11 de março de 2009

Curso para professores na Red Brick, em SP



(Clique na imagem para ampliá-la)

sábado, 7 de março de 2009

Formação de Professores de Inglês no Alumni

A formação dos professores é essencial no sucesso acadêmico dos alunos. Por isso, compartilho uma dica de curso de formação internacional de professores de inglês realizado no Alumni, em São Paulo. Seguem informações abaixo.

Selma


World Learning SIT TESOL Certificate Program at Alumni

• What is it?
The WL-SIT TESOL (Teaching English to Speakers of Other Languages) Certificate Program is an intensive 130-hour course, which provides participants with practical knowledge and skills in teaching English to speakers of other languages (ESOL), as well as tools for reflection and growth in one’s work as a teacher. Participants who satisfactorily complete the requirements of the course receive certificates from the School for International Training (SIT), Brattleboro, VT, and USA. For further information on the course, which includes a section with Frequently Asked Questions, please visit the World Learning site (www.worldlearning.org). Once on the site, please click on “Professional and Continuing Education and Services” and then on “SIT TESOL Certificate Program."

• Who is it for?
People interested in teaching English to speakers of other languages. Although targeted at participants with little or no previous teaching experience, the course helps experienced professionals reflect on and effect changes in their current classroom practice. Since the course focuses on teaching methodology, not necessarily on language improvement, participants must demonstrate English proficiency (orally during the interview and in writing through their application essay) in order to take the course. Besides, a minimum TOEFL score of 550 or equivalent is required of non-native speakers of English.

Our goal is for participants to feel comfortable when participating in classroom discussions, when writing their reflective assignments, and when explaining grammar / vocabulary and correcting pronunciation while teaching their EFL learners. Former participants (both native and non-native speakers of the English language) have found it helpful to use any of the many grammar books available in the market to review structures and other topics before the course starts.
Please note that Alumni will only form groups with a minimum of 8 and a maximum of 12 participants.

• Where?
The only place to offer the course in Brazil is Associação Alumni, a highly-reputed US-Brazil Binational center in São Paulo. The course is usually offered at our Jardins Branch, located at Rua Padre João Manuel 319. Tel. 55-11-3067-5322. The building is within walking distance from the Consolação subway station. Upon specific requests and depending on what individual needs are, Alumni can provide basic orientation to participants, but it is the responsibility of each individual to arrange flights, visas, housing, and payment in Brazilian currency (Reais).

• What´s the typical schedule? Intensive courses (January or July) run over a four-week period with classes all day long from 9 AM to 6 PM. Sessions are from Monday to Friday with occasional half-day sessions on Saturdays. Time outside the classroom is spent on reading, writing, and planning lessons. It is virtually impossible to be working during the course, even with private students. Extensive courses run over a four-month period. Sessions are all-day long on Fridays plus half-day sessions on Saturdays. Some of our former participants have worked part-time while taking the extensive course.

• How does it work? The program provides practical training through demonstrations, lesson planning, practice teaching, self-reflection, analysis, and feedback. Participants develop skills in teaching speaking, listening, reading, writing, grammar and culture. During the program, participants (a) attend workshop sessions with trainers, (b) meet with course peers to plan lessons with trainers’ guidance, supervision and support, (c)teach EFL lessons to “volunteer” students recruited by Alumni, and (d)use their time outside the classroom to read articles, write essays, prepare materials for their teaching, etc.

• How are participants evaluated? Participants are evaluated on the basis of their lesson planning, teaching and analytical skills when reflecting on their classroom practice. At the end of the program, participants turn in a portfolio with evidence of their coursework and present a kit with their teaching tools. The course works on a pass-fail basis, with no grades allotted, but participants do receive a detailed evaluation letter signed by all course trainers. They also get a Certificate from SIT, mailed to Alumni about four weeks after the course ends. Participants meet individually with a trainer at different points in the course to review both strengths and areas that need improvement to ensure that teachers know exactly where they stand before the course finishes.

How much is it?
The fee for this 130-hour program is R$ 3.877,00. If the course is an intensive one, full payment must be received before the end of the first week of the program. If the course is an extensive one, the first installment is due at registration and the remaining amount is spread out over the following months, but participants must finish paying for the program before the last session. Please note that Alumni does not offer discounts or scholarships for this program.

•How can I register or get more information?
By emailing fabio.carazzi@alumni.org.br, wagner@alumni.org.br or silvia@alumni.org.br

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Reportagem sobre o cérebro bilíngüe na Revista Educação

Por um cérebro bilíngüe
Texto originalmente disponível em http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=11862

Pesquisa detecta os momentos ideais para se aprender uma segunda língua

Temos em média 100 bilhões de neurônios que se comunicam pelas chamadas sinapses, as quais levam e registram informações. A lembrança numérica é do biólogo Rodrigo Collino, que faz pesquisas em neurociências. Num mundo em que a palavra de ordem é "globalização", esse conhecimento aparentemente quantitativo do sistema nervoso central se mostra importante para que se saiba um pouco mais sobre seu funcionamento - e, portanto, sobre sua otimização nas crescentes demandas de conhecimento do homem contemporâneo.

Por exemplo: ao avaliar a fase do maior número de sinapses durante a vida humana, pode-se prever também o melhor momento para certos aprendizados e como se estruturam as informações na memória. Em outras palavras, melhorar o desempenho. Esse é, de fato, o objetivo ao qual provavelmente servirá a pesquisa de mestrado desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) por Collino, que, além de biólogo, é professor de inglês e trabalha com testes neurofisiológicos sobre a aquisição de línguas. Seus resultados, mais do que ajudar a detectar os momentos ideais para se aprender uma língua além da materna, podem servir de base aos profissionais do ensino. Como a aquisição de idiomas se torna primordial nas sociedades atuais, o assunto envolve gerações de educadores e aprendizes.

Testes preliminares aplicados por Collino apontaram para uma melhor percepção de fonemas do inglês por indivíduos que o aprenderam entre 7 e 10 anos. De fato, é na primeira infância que ocorre uma espécie de boom de sinapses, cujo ápice se dá por volta dos 3 anos. Sabe-se também que os bebês até 1 ano de idade têm capacidade para distinguir sons e pares minimais (bad/bed do inglês, fée/feu do francês, som/são do português). A distinção desses fonemas de diferença sutil tende a rarear com o passar do tempo. "A partir de 1 ano, o bebê começa a privilegiar os sons de uma determinada língua, certamente aquela que ouve com mais freqüência", afirma Collino. Assim, é interessante que, em caso de bilingüismo, a criança ouça sons das línguas nas quais virá a ser alfabetizada.

Fenômeno inconsciente - Estudos recentes em neurociências têm sugerido que, mesmo com o passar do tempo, o sistema nervoso continua mostrando reações de distinção dos sons e nuanças, mas apenas no nível inconsciente. "O adulto vai perdendo a capacidade de identificar conscientemente sons que não pertencem à sua língua mãe. Assim, mesmo que tenha uma resposta neural ao ouvir determinados sons diferentes, ele não se dá conta." Nesse sentido, a pergunta que resta responder para os educadores é sobre qual a melhor maneira de trazer à consciência um fenômeno que se dá em nível inconsciente, "o que seria valioso àqueles que já passaram da 'idade ótima' para o aprendizado", considera Collino.

A resposta pode acarretar mudanças na área do ensino de línguas. Não é verdade que adultos não aprendem línguas, mas não se pode deixar de reconhecer, por outro lado, que a ciência comprova maior desembaraço de aquisição na infância e a perda dessa "facilidade" é progressiva no homem. Aliás, a partir dos 40 anos, os seres humanos começam a perder sinapses não utilizadas - cabe o chavão do "enferrujado" para as línguas estrangeiras - e até a terceira idade perde-se 10% dos neurônios. Eles são em número 30% maior nos homens em relação às mulheres - mas isso não significa que sejam menos inteligentes ou menos aptas a aprender.

Embora estudos apontem maior densidade de massa cinzenta em indivíduos com aprendizagem precoce de idioma estrangeiro e com bom nível de proficiência naquela língua, é possível ser fluente numa língua estrangeira mesmo começando seus estudos na idade adulta. O envolvimento emocional do adulto com uma cultura e seu interesse podem levá-lo a aprender perfeitamente. Mas os professores de línguas têm de lidar com dois aspectos fundamentais no ensino.

Primeiro, a dificuldade decorrente dos anos para aqueles que nunca tiveram oportunidade de "formar um cérebro bilíngüe" precoce. Nesse caso, um trabalho de sensibilização concorre na tentativa de tornar conscientes as distinções percebidas no nível inconsciente. Esse procedimento muitas vezes esbarra em obstáculos comuns e por isso conhecidas até como "sotaques" específicos. No Brasil, ao se imitar, por exemplo, um imigrante japonês, troca-se o "l" pelo "r".

Rodrigo Collino evoca esse fato já anedótico para lembrar que isso é conseqüência de uma não-identificação consciente do par "l/r" na maioria dos falantes do japonês. Experiência realizada pela professora de francês Ligia Fonseca Ferreira, do Departamento de Letras Modernas da USP e diretora de seu Centro de Línguas, mostra que o caminho pode ser mesmo o do resgate dos aspectos mais "primitivos" da assimilação de uma língua diferente. Com a tarefa de ensinar francês para jovens e adultos ingressantes que nada conhecem ainda, Ligia faz primeiro um trabalho de sensibilização para universo sonoro. O objetivo é exercitar e ampliar a percepção, fazendo-os ouvir, às vezes repetir, fonemas, palavras, trechos de frases e canções, e promover exercícios de conscientização corporal. Nada de gramática, nem de regras nas primeiras aulas.

"A idéia é também sensibilizar os alunos a observar como recebem e percebem o idioma antes de passar à produção", explica. Ligia acredita que é preciso que um indivíduo compreenda a própria organização de seu aprendizado. Ela julga os métodos comunicativos, que exigem produção imediata, um pouco ineficazes nesse sentido. Sua abordagem vai ao encontro das pesquisas de Collino na medida em que ativa, com seus exercícios de escuta, possíveis registros armazenados na memória dos futuros falantes, o que pode levar a uma melhor consciência fonológica da língua. "Muitas vezes, a língua fascina quando ouvida e assusta ao ter de ser falada", conta Ligia. "Por isso, os aprendizes sentem emoções diferentes, nem sempre evidentes para eles mesmos, e não adiantaria, numa etapa inicial, lidar com o que é coletivo, como partir do pressuposto de que os brasileiros gostam da França e do francês.

Isso não basta para garantir a motivação ou o sucesso no aprendizado." Citando as pesquisas do neurologista Antonio Damásio, autor de O Erro de Descartes (Companhia das Letras, 336 págs., R$ 49,50), Ligia procura se distanciar também de algo que, para ela, separaria a razão, portanto os processos cognitivos, da emoção.

Dessa forma, o aluno se prepararia com mais segurança para se confrontar às outras dimensões do aprendizado da língua estrangeira. No entanto, a aquisição de um idioma requer também a parte estrutural, ou seja, a "parametrização" (sintaxe). Diferentemente do que se tenderia a crer, as idades citadas como ideais na formação de sinapses podem ser também para a alfabetização, conforme o professor Vilson José Leffa, da Universidade Federal de Pelotas (RS). "É possível ler com 3 anos de idade e até antes", diz ele. "Há casos de crianças alfabetizadas em duas línguas simultaneamente. Mas isso não quer dizer que se deva fazê-lo, pois forçar a criança pode ser prejudicial, a aprendizagem tem de ser prazerosa." Linguagem e ciência - Vilson Leffa é especializado em lingüística aplicada e também em novas tecnologias, e tem um site para discussão sobre o assunto (www.leffa.pro.br). Sua experiência lembra que a ciência da linguagem não contradiz a biologia, mas corrobora alguns de seus dados com relação ao aprendizado da gramática e dos parâmetros. "De fato, pela lingüística chomskyana, o cérebro muda com a idade, adquire outras funções e parece perder a capacidade de aprender a língua", explica. Mas o envolvimento emocional com o aprendizado pode resolver essa defasagem.

Por isso, uma outra ciência é necessária para se aprender línguas (e outras coisas): a pedagogia. "Ela tenta corrigir a natureza, ajudando o sujeito, acelerando a aprendizagem, por exemplo", afirma Leffa. Daí também as diferenciações de ensino entre adultos, jovens e crianças. Aliás, questões relativas à abordagem e método passaram por muitas fases. Segundo observa ele, em geral, uma maneira de ensinar era justamente contrária à anterior.

Depois de muitas experiências, Leffa percebe, em suas pesquisas, que "vivemos uma era pós-método; tudo já foi experimentado e no fundo existem duas maneiras de o aluno aprender uma língua: com a ajuda do método ou apesar do método". E o que acontece, atualmente, é que as várias técnicas emprestam, cada uma, a sua contribuição. "Um levantamento das abordagens usadas nas escolas oficiais ou de ensino de línguas mostra ênfase no exercício: aprendemos a falar, falando, a escrever, escrevendo, a ler, lendo", diz.

A professora de alemão Elke Specke, da Escola Suíço- Brasileira de São Paulo, testemunha essa pluralidade de métodos nas atuais salas de aula. Ensinando alemão para alunos de 10 a 11 anos que falam o português como língua materna, mas praticam ambos os idiomas desde o jardim da infância, Elke deve garantir-lhes a fluência e o bom uso da gramática e da sintaxe. Os objetivos de sua instituição é que os estudantes, ao findarem o ensino médio, sejam bilíngües, no que tem obtido êxito.

A experiência de Elke tem particularidades: ela mesma nasceu no Brasil, mas de pais alemães. Assim, nunca falou português em casa. Elke se tornaria bilíngüe ao freqüentar a escola no Brasil. Hoje, quando procura explicar o significado de uma palavra alemã, tenta fazê-lo com os recursos da própria língua, mas percebe que seus alunos encontram rapidamente um equivalente em português, com precisão e mais facilidade do que ela própria. A professora acha admissível, pois compreende que essas crianças formaram um cérebro bilíngüe e passam pela transposição entre as línguas.

A tradução é, aliás, polêmica no ensino de línguas. Por ter sido a metodologia mais antiga, também se tornou alvo das maiores críticas. Antes, ensinava-se a segunda língua pela primeira. Mais tarde considerada arcaica em relação às novas abordagens, a tradução foi praticamente "banida" da sala de aula. Curiosamente, porém, as pesquisas na área da neurociência reconhecem o armazenamento concomitante de informações no cérebro e os dados tendem a fazer com que se defenda o aprendizado cumulativo.

O professor Leffa, que pesquisou e estudou os métodos e abordagens de forma diacrônica, conclui que "o acesso ao significado por meio da tradução pode ser uma etapa necessária no desenvolvimento da língua estrangeira, principalmente em situações formais de ensino, como a sala de aula".

No entanto, o ensino de uma língua estrangeira apenas pela tradução pode ser mesmo limitante. Daí a necessidade do emprego de várias maneiras de ensinar.

De todo modo, a escola ainda terá muitos desafios nessa área. Há que se contar com a heterogeneidade dos grupos, pois, além dos interesses diferentes, as pessoas têm também maior ou menor aptidão. O papel do professor será o de despertar; levar seus alunos a terem entusiasmo pela cultura estrangeira. O primeiro pressuposto para se aprender uma língua é o de estar aberto às diferenças.

Sabe-se de longa data, aliás, que não é possível separar língua e cultura. Outra língua é uma outra maneira de dizer, portanto de pensar, viver e até sentir. Desse modo, talvez as fronteiras a atravessar sejam, ainda, as da tolerância - uma velha lição.

Quanto à ciência, avançando, vem auxiliar todo tipo de iniciativa. Leffa observa que as novas tecnologias, acompanhando as mudanças da sociedade, devem ser aproveitadas pelos professores. Mas também é um campo novo: se a técnica contribui muito para o avanço das pesquisas, faltam ainda pesquisas sobre a utilidade e os limites da técnica.

ENDEREÇO WEB:
http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=11862
Publicada em: 14/7/2006

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Espanhol obrigatório no Ensino Médio a partir do ano que vem

O ensino de espanhol será disciplina obrigatória nos currículos escolares a partir de 2010 em todo o Brasil

fonte: Diário do Pará (20.01.2009)
Disponível em http://www.e-educador.com.br/index.php/notas-mainmenu-98/3806-spanish

De acordo com a lei 11.161, sancionada pelo presidente Lula em 2005, todas as escolas de Ensino Médio deverão oferecer aulas do idioma aos seus alunos.

A pouco menos de 365 dias da exigência, muitos professores já começam a planejar sua atualização profissional para se candidatar à essas vagas, principalmente na rede particular de ensino. Para a educadora Graciela Hopstein, coordenadora da Punto y Coma, empresa especializada em traduções e ensino de línguas, " o mercado de trabalho para esta categoria poderá aumentar, e quanto mais qualificado for o profissional, mais fácil será para ele garantir sua vaga. Por isso, um curso de imersão se torna importante".

Atualmente, no estado do Rio de Janeiro, 578 professores dão aula de Espanhol na rede pública estadual. No último concurso realizado pela Secretaria de Educação, 970 professores se inscreveram para a disciplina. O concurso é para cadastro de reserva.

O resultado foi divulgado na sexta-feira, dia 16 de janeiro. Por enquanto, está sendo feito um levantamento para se saber quais coordenadorias necessitam de mais professores e qual é demanda em toda a rede. O objetivo é distribuir, gradualmente, os aprovados no concurso de 2008 nessas áreas.

Imersão para capacitar

O espanhol é atualmente um idioma falado por mais de 420 milhões de pessoas, sendo a segunda língua mais falada no mundo ocidental. Além da Espanha, é a língua oficial de 20 países, localizados na sua maioria na América Latina.

Dados da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) dão conta que o País, em 2007, tinha mais de 12 mil professores aptos a ensinar a língua espanhola nas escolas. Mas segundo o Censo escolar são necessários de 22 mil a 24 mil para atender a nova demanda.

Para ajudar os docentes na busca de um aprimoramento no idioma, a empresa Punto y Coma, com sede no Rio de Janeiro, lançou um pacote de intercâmbio para professores de espanhol que desejam garantir o certificado de proficiência na língua.

"O curso servirá para atualizar o profissional e acrescentar uma importante qualificação em seu currículo. Mostrará à escola que aquele profissional é interessado, não ficou estagnado, e está sempre procurando se atualizar", ressaltou Graciela Hopstein.

O curso de espanhol específico para professores da língua em Buenos Aires tem duração de um mês e inclui a diferenciação de uma gramática geral de uma pedagógica, a análise e sistematização dos erros mais comuns, a formulação de seqüências didáticas, a análise de metodologias e enfoques de ensino, entre outros. São quatro horas de aula por dia na renomada escola Daniela Wasser School. As turmas têm no máximo cinco pessoas e a primeira começa em janeiro. Para se candidatar é preciso ter um nível avançado da língua.

"Em Buenos Aires, o professor estará trabalhando a língua o tempo todo, seja nas lojas, no restaurante e com os professores de espanhol de outras nacionalidades. Ele poderá verificar como é a língua falada na Argentina e até mostrar aos seus alunos as diferenças da língua gramaticalmente correta e a língua falada. Também verificará com os outros professores de outras nacionalidades se as dificuldades dos alunos brasileiros são semelhantes com as de outros países", disse a coordenadora da Punto y Coma.

A experiência de realizar um curso de capacitação por meio imersão oferece a possibilidade de se aperfeiçoar a partir de uma atividade de curta ou média duração. E ainda contribui para que os conteúdos aprendidos possam ser aplicados de forma imediata, já que a idéia é também absorver a cultura do país onde se faz o intercâmbio. Nesse caso, a aprendizagem não se reduz apenas à sala de aula, mas principalmente o processo se desenvolve na rua, ao se comunicar com as pessoas, lendo os cartazes públicos, desenvolvendo as atividades cotidianas.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Dica de Site: Rede de Tradutores pela Diversidade Linguística

Para todos os que se interessam pelas línguas e reconhecem a importância de sua diversidade sugiro uma visita ao site Tlaxcala, uma rede formada por tradutores voluntários que divulga textos de interesse na atualidade nas seguintes línguas: Português, Espanhol, Catalão, Inglês, Árabe, italiano, Alemão, Francês, entre outras.

Para saber mais sobre os objetivos da rede, leia o Manifesto em http://www.tlaxcala.es/manifiesto.asp?section=2&lg=po

Pode-se participar como como leitores, tradutores voluntários, ou signatários das campanhas promovidas pela rede. Os textos são excelentes, e podem auxiliar aqueles que estão aprendendo línguas, bem como o planejamento de professores ao inserir textos bem escritos e bem traduzidos, com temas e autores da atualidade.

Selma Moura

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

3º Congresso de Escolas Bilíngues - São Paulo, maio/2009

Já está disponível na Internet o programa do 3º Congresso de Escolas Bilíngues (3rd Brazilian Bilingual Schools Conference) que acontecerá em São Paulo, de 01 a 03 de maio.

O link para o programa é http://www.playpen.com.br/pdf/Programme1.pdf

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Mestrado e Doutorado em Educação na USP

Olá, colegas do grupo de Educação Bilíngüe,

Gostaria de informar a quem pensa em fazer uma pós-graduação stricto-sensu que já está na internet o edital da Pós-graduação (mestrado e doutorado) da FEUSP, visando ao processo seletivo para o 2º semestre de 2009 e 1º semestre de 2010.
O site do programa de pós-graduação é http://www3.fe.usp.br/pgrad/
Abraços de boa sorte,

Selma

sábado, 10 de janeiro de 2009

Comunidade Internacional iPeace

Olá, colegas e amigos,

Aqui no blog temos adotado uma perspectiva de tolerância, de respeito e valorização da diversidade e uma postura de respeito aos direitos de todos: o direito de falar suas línguas, de manter suas culturas, de ter acesso à educação. Mas há outros direitos que infelizmente não são respeitados até hoje, como o de existir, e por isso eu quis dar uma palavra sobre o que temos visto nos últimos dias.

Não há como não acompanhar com tristeza a guerra que está ocorrendo em Gaza, a morte de crianças, os bombardeios... Embora as posições políticas possam divergir, creio que não podemos nos calar ao ver seres humanos matando, morrendo, se desumanizando. Lembrei-me do que diz Adorno:

“Se as pessoas não fossem profundamente indiferentes em relação ao que acontece com todas as outras, excetuando o punhado com que mantém vínculos estreitos e possivelmente por intermédio de alguns interesses concretos, então Auschwitz não teria sido possível, as pessoas não o teriam aceito” (ADORNO, Theodor W. Educação e Emancipação. Rio de Janeiro, Paz e Terra)

Recebi de uma amiga virtual a sugestão da comunidade iPeace, que reúne pessoas do mundo todo na luta por uma cultura de paz. Fiz minha associação gratuita e resolvi compartilhar com vocês. Está em inglês, mas acho que hoje em dia muita gente fala, entende ou pelo menos 'se vira' um pouco nessa língua.

Conheçam e se quiserem, participem. Basta clicar no banner acima para ser direcionado ao site.
Abraços,

Selma

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

BlogBlogs.Com.Br

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal!


Imagem: Yossi Lemel, Israel, "Coexistence" - Museum of the Seam
Disponível em http://www.coexistence.art.museum/coex/works/Yossi_Lemel.asp

Feliz Natal
Merry Christmas
Feliz Navidad
Joyeux Noël
Buon Natale
Frohe Weihnachten

Que em 2009 possamos aprender a respeitar o outro, seja qual for sua língua, cultura, condição social e origem.
Que abramos nossos olhos às diversas realidades que nos cercam nesse planeta cada vez mais conectado e, ainda assim, tão desigual.
Que façamos nossa parte para torná-lo mais justo, semeando a tolerância e a equidade.
Que superemos preconceitos, idéias do senso-comum e estereótipos, buscando conhecer melhor o outro e a nós mesmos.
Que sejamos aprendizes uns com os outros, contribuindo para o crescimento mútuo.

Abraço a todos que acompanham e contribuem com este blog!

Selma Moura

Comida & Cultura indigena

Bahia é referência em merenda escolar para educação indígena
23/12/2008

Fonte: Site Agecom

Representantes da Guatemala que participaram da Cúpula da América Latina e do Caribe, encerrada, a semana passada, na Costa do Sauípe/Salvador, conheceram as experiências do projeto de alimentação diferenciada na Escola Indígena Coroa Vermelha, no município de Porto Seguro. Eles foram recepcionados, no espaço Thá Fene, em Lauro de Freitas, por representantes do povo Pataxós, o secretário da Educação do Estado, Adeum Sauer, e o ministro de Desenvolvimento Agrário, Roberto Dalton.
No evento estavam presentes o presidente da Comissão Nacional de Energia Elétrica da Guatemala, Carlos Colom, o embaixador da Guatemala no Brasil, Carlos Jimenez, a primeira secretária da Embaixada da Guatemala, Luisa Queiróz, e o diplomata do Ministério das Relações Exteriores do Itamaraty, Maurício Franco.
O diretor da unidade, Ademário Braz, destacou a importância da autonomia da escola na compra da merenda, que antes era feita pelo município, o que resultava em desperdício. “Hoje atendemos a necessidade da nossa comunidade e compramos produtos produzidos pelos próprios indígenas na roça, respeitando nossa cultura”.
Ele falou sobre as mudanças no currículo, que se adapta à realidade de cada tribo, o bilingüismo e a interculturalidade, além da importância de se ter observado as reais necessidades dos índios e do respeito e valorização às comidas típicas indígenas como a mandioca, que faz o beiju, o bolo de tapioca e o aipim.
A nutricionista e monitora do Centro Colaborador de Alimentação e Nutrição do Nordeste, Lílian Santos, abordou o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que atende a todos os matriculados na rede pública, e enfatizou a importância de uma alimentação adequada, principalmente infantil que, se não for balanceada, pode trazer danos irreversíveis como a cegueira.

Modelo
O embaixador da Guatemala no Brasil, Carlos Colom, observou que o país tem a metade da população indígena e que a experiência brasileira foi muito proveitosa.
O projeto de merenda escolar do Brasil servirá de modelo para, em 2009, a Guatemala implantar um similar, onde a cultura indígena é respeitada.O ministro do Desenvolvimento Agrário da Guatemala, Roberto Dalton, comparou as similaridades de problemas, desafios e destacou que o Brasil saiu na frente nas soluções e tem uma experiência positiva.“Tivemos uma situação em que os indígenas não se adaptaram à merenda e, por não ser adequada, acarretou problemas de saúde”, afirmou Dalton.
As mudanças na educação, na história e na cultura foram destacadas pelo secretário da Educação, Adeum Sauer. Ele disse que a continuidade dessa nova história é importante, já que os índios foram marginalizados pelos brancos por muitos anos como está registrado nos livros escolares. A partir da escola e da educação existe esta possibilidade da valorização da cultura indígena.
A SEC criou a Coordenação de Educação Indígena e, em 2009, começará as aulas do curso de Formação em Educação Indígena, oferecendo 108 vagas, em nível superior. Na Bahia, existem 57 escolas com aproximadamente 6.200 estudantes indígenas.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Pós-Graduação em Didática da Educação Bilíngue, em SP


Pós-Graduação Lato-sensu em Didática para a Educação Bilíngüe
Instituto Singularidades

Duração: 16 meses - 360 horas
(março de 2009 a junho de 2010)

Dias da semana/período:
Turma A: 3as e 5as feiras - manhã (8h às 12h)
Turma B: 4as feiras - noite (19h às 22h) e sábados das 9h às 13h30

OBS: O Módulo: Teorias de Aquisição de L1 e L2 acontecerá somente aos sábados

Cronograma a definir

Número de vagas por turma: 30

Valor do curso: mensalidades semestrais de R$ 320,00 ou à vista com desconto de 20% do total

Abertura do curso sujeita ao número de inscrições - mínimo de 18 alunos

Apresentação:
Atualmente, muitas são as famílias que optam, desde a Educação Infantil, por oferecer uma educação bilíngüe a seus filhos. Tal panorama nos evoca a necessidade de refletir acerca do que atualmente tem se denominado ‘ensino bilíngüe’.

Este curso terá como intuito discutir o que é de fato a educação bilíngüe, como se organiza e as estratégias pedagógicas favoráveis ao ensino-aprendizagem em mais de um idioma.

Módulos

1.Revisitando as teorias de Ensino, Aprendizagem e Avaliação escolar

2.Teorias de Aquisição de L1 e L2

3.Infância, cultura e sociedade: o contexto global

4.Epistemologia da Língua Escrita

5.Didática do Ensino de Línguas Estrangeiras

6.Currículo integrado: interdisciplinaridade e transdiciplinariedade

7.Letramento e biletramento no Ensino de Língua Estrangeira

8.Prática Supervisionada (Este módulo será dado prioritariamente em inglês)

9.A sociedade global e a diversidade – trabalhando com famílias

10.Identidade, subjetividade afetividade e cultura em educação bilíngüe

11.Perspectivas internacionais em educação bilíngüe

12.As visões de linguagem no ensino bilíngüe

13.Metodologia de Pesquisa para elaboração de Monografia

14.Didática do Ensino Superior

Público-alvo: Professores, coordenadores pedagógicos e diretores de escola. Sugere-se falar inglês.

Maiores informações no site do Instituto Singularidades: http://www.singularidades.com.br/_pgra_edbi.html

Instituto Singularidades
Av. Brigadeiro Faria Lima, 386 - Pinheiros - São Paulo - SP
Fone 3034-5445 - e-mail: singularidades@singularidades.com.br

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Curso: Teaching English to Young Children - Porto Alegre/RS

TEACHING ENGLISH TO YOUNG CHILDREN

O curso tratará de aspectos relacionados ao ensino formal de língua inglesa para crianças. As teorias de aquisição de linguagem e aprendizagem embasarão as discussões sobre a prática pedagógica.

Os processos que envolvem elaboração e organização de currículo, metodologia, planos de aula e class management serão abordados através de atividades práticas.

Objetivos:
· Instrumentalizar o professor para organização curricular de língua inglesa da escola infantil ao fundamental
· Desenvolver práticas pedagógicas, elaboração de currículo e banco de atividades para ser utilizado em aula

Público alvo:
* Professores de Língua Inglesa da Educação Infantil às séries iniciais
* Coordenadores e donos de escolas livres

Realização:
05 a 09 de janeiro de 2009
manhã das 9:00 às 12:30 e tarde das 13:30 às 17:00

Duração: 35 hs

Local:
Escola Projeto– U2 R. José Bonifácio,581 Porto Alegre / RS

Ministrantes:
Tatiana Canto de Carvalho: graduada em Letras (UFRGS), especialista em Língua Inglesa (PUCRS) e professora de língua inglesa para crianças desde 1993. Tatiana possui ampla experiência em congressos e cursos nacionais e internacionais.
Michele Schwertner: graduanda em Letras (Centro Universitário Metodista IPA) e professora de inglês para crianças desde 1995. Além de ter trabalhado em escolas bilíngües, já participou de vários cursos e congressos nacionais e internacionais.

Investimento:
À vista --- R$ 350,00 cheque para até dia 05/01
*** Desconto de 10% para sócios da APIRS
Material Incluso: apostila e cd com banco de atividades!
Certificados serão fornecidos aos que tiverem mais de 75% de freqüência
*** Vagas limitadas. Garanta a sua!

Procedimentos para inscrição:
1) Solicitar reserva de vaga pelo fone/fax (51) 3331.7384 com Liziane ou por email:escolaprojeto@terra.com.br;
2) Efetuar depósito bancário (Banco do Brasil, agência 1249-1, conta corrente 104.457-5, em nome de Projeto Escola) ou enviar cheque nominal e cruzado por carta registrada para R. Cel. Paulino Teixeira 394, POA/RS
3) Enviar comprovante de depósito ou envio de correspondência por fax ou email
*** Inscrições até dia 20/12

domingo, 30 de novembro de 2008

Para aprender francês gratuitamente pela Internet

Gostaria de compartilhar um site que encontrei nas minhas pesquisas, e que possibilita aprender Francês pela web, de graça.
O site FRANCOCLIC (http://francoclic.mec.gov.br) contém recursos como textos, vídeos e arquivos de som para aprender em casa. Também pode ser um recurso interessante de apoio didático a professores de francês e complementação de atividades para seus alunos.
Ele foi criado em uma parceria do MEC (Ministério da Educação) com a embaixada da França no Brasil.
Clicando no título desta postagem você já será redirecionado para o site. Aproveite a dica e compartilhe outras!

Selma Moura

Cursos para professores na Red Brick - SP

Cursos de Férias no Centro de Estudos da Red Brick
19 e 20 - 22 e 23 de janeiro de 2009

Fonética para professores de Inglês
Prof. Dr. Marcello Marcelino
Com enfoque na variante americana, este curso contrasta os sistemas fonológicos do português e do inglês, abordando os principais problemas de preonúncia do aprendiz brasileiro.
Este curso também capacita o professor a lidar de forma mais eficaz com os problemas de pronúncia de seus alunos.
Público-alvo: Gestores, coordenadores, professores e professores assistentes do segmento de educação bilíngüe e ensino de idiomas.
Dias 20 e 21, das 9h às 16 h
Carga horária: 14h
Almoço: das 12h às 13h30
Investimento: R$ 250,00 (2xR$ 125,00)

Conteúdo + forma na prática do professor bilíngüe
Mariana Resende Fernandes

Conteúdo: Neste workshop os participantes serão convidados a pensar sobre o currículo da escola bilíngüe, o planejamento do professor, avaliação e feedback a partir das teorias de aquisição de L2, de Content-Based Approach e Counterbalanced Approach
Público alvo: Gestores, coordenadores, professores e professores assistentes do segmento de educação bilíngüe infantil e fundamental
Dias: 19 e 20 das 9h às 16 h
Carga horária: 14 horas
Almoço: das 12h às 13h30
Investimento: R$ 250,00 (2x125,00)

Local dos cursos: Centro de Estudos Red Brick
Rua dos Chanés, 152 - Moema
Inscrições e informações: (11) 8891-8596 - Mariana
curso@redbrick.com.br



Clique na imagem acima para ampliá-la.

sábado, 22 de novembro de 2008

Children's World: Prêmio das Crianças do Mundo pelos Direitos das Crianças

O WCPRC (Prêmio das Crianças do Mundo pelos Direitos das Crianças) será desenvolvido
de 15 de Abril a 15 de Outubro de 2009.

Todas as escolas que desejarem participar ativamente da iniciativa em 2009 irão receber nossas publicações gratuitamente. O próximo ano, o WCPRC estará promovendo a DÉCADA DA VOTAÇÃO MUNDIAL. Os 14 candidatos homenageados nos anos anteriores nas votações do Prêmio das Crianças do Mundo estarão na próxima edição da revista que irá apresentar um panorama rico sobre a situação das crianças no mundo. Crianças de todo o mundo irão decidir entre os 14 candidatos finalistas em 2009 quem será o Herói dos Direitos das Crianças da Década.

Mais informações: www.childrensworld.org

Escolas e grupos de crianças e adolescentes interessados devem se cadastrar no site do www.childrensworld. org para receber as publicações do programa e promover a iniciativa.

01 exemplar da revista Globen deve ser usado para cada grupo de 05 crianças/adolescentes participantes ativos no programa. Este é o cálculo que vcs devem usar como referência. O programa se destina à faixa etária 10 a 18 anos incompletos.

É um grande prazer integrar esta rede!
Um abraço a tod@s!
Christiane Sampaio - Coordenadora WCPRC no Brasil
31) 9103 6290 e (31) 3234 6290
chris.sampaio@ childrensworld.org
www.childrensworld.org

20 de Novembro – Convenção da Criança da ONU celebra 19 anos

Um milhão de estudantes da África do Sul estudam o prêmio das 21 milhões de crianças

Hoje, 20 de Novembro, quando a Convenção da Criança da ONU celebra 19 anos, o Prêmio
das Crianças do Mundo pelos Direitos da Criança (WCPRC) conta com o apoio de mais de
21 milhões de estudantes, de quase 50.000 escolas em todo o mundo. No Brasil, o
programa é implantado principalmente por escolas da rede pública sediadas nas regiões Norte, Sul e Sudeste, e colabora na implementação da legislação 11.525/07, que torna obrigatório o ensino dos direitos das crianças no Ensino Fundamental.

O Prêmio das Crianças do Mundo é a maior iniciativa educacional do mundo pelos direitos da criança e a democracia, que oferece às crianças do mundo a oportunidade de conceder seus prestigiados prêmios à contribuições extraordinárias empreendidas em prol dos direitos das crianças. Os recursos do prêmio são usados para oferecer uma vida melhor às crianças em situação de maior vulnerabilidade do mundo.

Em 2009, o WCPRC celebra o seu décimo aniversário. Milhões de crianças irão decidir através de uma Votação Mundial quem será o seu "Herói dos Direitos das Crianças da Década". Através do Prêmio das Crianças do Mundo, crianças aprendem sobre seus direitos, se encontram com pessoas que são exemplos de luta pelos seus direitos e participam da Votação Mundial. Em 2008, 6, 6 milhões de crianças votaram e ofereceram seu prêmio à Somaly Mam, que resgata meninas vítimas do tráfico sexual de crianças no Camboja. Os primeiros agraciados pela votação das crianças incluem Nelson Mandela, Graça Machel e Nkosi Johnson (póstumo).

WCPRC integra currículo na África do Sul

Na África do Sul, O WCPRC é compulsório para todos os 01 milhão de estudantes do nono ano do Ensino Fundamental, que são avaliados pelo seu conhecimento no que se refere ao Prêmio das Crianças do Mundo. Neste País, o WCPRC faz parte do Common Tasks for Assesssment (CTA's – sistema de avaliação para estudantes da África do Sul) da displina Life Orientation (Orientação para a Vida) e o desempenho do aluno no desenvolvimento da iniciativa corresponde a 25% do total das notas anuais de conhecimento em direitos humanos, democracia e cidadania.

A Ministra da África do Sul, Ms Naledi Pandor, na sua carta anual dirigida à diretores de escolas em todo o País afirma: "O WCPRC é uma oportunidade maravilhosa para todos os estudantes aprenderem sobre seus direitos e começarem a vivenciar os direitos e deveres para uma cidadania democrática e responsável. Eu gostaria de encorajar cada uma das escolas a oferecer aos estudantes a oportunidade de participar". Em 2008, quase 2 milhões de estudantes participaram ativamente do Prêmio das Crianças do Mundo na África do Sul.

Milhões de crianças vulneráveis

As crianças aprendem sobre seus direitos através do processo do Prêmio das Crianças do Mundo e da publicação do prêmio (revista Globen), disponível em 11 idiomas. Participam da iniciativa milhões de crianças em situação de vulnerabilidade. Entre elas, ex-crianças soldado, escravas por dívida, crianças com trajetória de rua, órfãs devido à AIDS, vítimas do genocídio e da Tsunami e crianças que vivem em países sob ditadura.

Furaha, 15 anos, da República Democrática do Congo relata: "Quando eu tinha 12 anos e trabalhava como soldado, tudo o que eu conhecia era morte, violência e guerra. Agora, eu participo do Prêmio das Crianças do Mundo e da Votação Mundial. Foi absolutamente fantástico. Antes de eu ler a revista Globen não tinha idéia sobre o direito das crianças de ter uma vida boa e serem protegidas da violência. Eu amo a Globen e gostaria de dar um exemplar dessa revista para o meu antigo `coronel'. Assim, ele irá descobrir que é errado enviar crianças à guerra".

Mandela e Rainha Silvia

Entre os patrocinadores do WCPRC estão SIDA (Swedish International Development Cooperation Agency), Save The Children, Surve Family Trust, Abraxis BioScience, Altor, eWork, Banco Fonder e AstraZeneca. Entre os patronos: Sr. Nelson Mandela, HRM Rainha Silvia da Suécia, os ganhadores do Prêmio Nobel, Sr. Joseph Stiglitz e o presidente José Ramos Horta, e a ex-diretora executiva do Unicef, Carol Bellamy.

Em Junho de 2008, o Prêmio das Crianças do Mundo foi reconhecido como "a mais importante iniciativa de comunicação do planeta" na Conferência Anual da International Association of Business Communicators em Nova York. A IABC tem 16 000 membros em 65 países.

No Brasil, o WCPRC é promovido em colaboração com o Grupo Positivo, através dos portais Aprende Brasil e Educacional, com Secretarias Municipais de Educação e organizações de defesa como o Rádio pela Educação/Rádio Rural de Santarém (PA), CDI-PR (Comitê para a Democratização da Informática do Paraná), ONG Circo de Todo Mundo (MG) e Movimento Pró-Criança (PE). Mais de 1.000 escolas, com pelo menos 1,5 milhão de estudantes, sendo 80% da rede pública, estão cadastradas como Amigas Mundiais da iniciativa no País.

Cronograma e acesso às publicações do WCPRC 2009

Todas as escolas e grupos de crianças e adolescentes que participarem ativamente da
iniciativa no Brasil o próximo ano irão ter acesso gratuito às publicações do Prêmio das Crianças do Mundo. Para isso, as escolas devem se cadastrar no site:
www.childrensworld.org como Amigas Mundiais. Em 2009, o WCPRC será desenvolvido de
15 de Abril a 15 de Outubro.

Para mais informações sobre o Prêmio das Crianças do Mundo acesse:
IMPRENSA no www.childrensworld. org

Contatos:
Magnus Bergmar,+46( 0)159-129 00, +46(0)70-515 58 39
magnus.bergmar@childrensworld.org 

No Brasil: Christiane Sampaio (31) 9103 6290, (31) 3234 6290,
chris.sampaio@childrensworld.org

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Joaton Suruí, professor indígena, vence prêmio Professor Nota 10 e Professores do Brasil

Veja matérias sobre a premiação do Professor Joaton Suruí nos links abaixo:



Joaton Suruí fala aos jurados sobre a escrita da língua suruí
Professor indígena de Cacoal, RO, explica os detalhes do ensino da escrita da língua suruí recém-normatizada
http://revistaescola.abril.com.br/premiovc/reportagem/apresentacao-dos-
trabalhos/joaton-surui-390433.shtml

Veja vídeo do projeto de registro e normatização da língua Suruí
http://www.cacoalro.com.br/site/noticia.php?id=9485

Blog Professores Nota 10:
http://educadoresnota10-2008.blogspot.com/2008/11/prmio-professores-do-brasil-2008-joaton.html

Diário da Amazônia:
http://www.diariodaamazonia.com.br/canais.php?ch=Cidade¬i=605

Bilinguismo e Educação Indígena no Brasil


Educação Escolar Indígena
Originalmente disponível em http://portal.mec.gov.br/secad/index.php?option=content&task=view&id=37&Itemid=164

A educação escolar indígena é uma modalidade de ensino que vem recebendo um tratamento especial por parte do Ministério da Educação, alicerçada em um novo paradigma educacional de respeito à interculturalidade, ao multilinguismo e a etnicidade. Incumbido de coordenar as ações educacionais no país, por força do Decreto Presidencial 26/91, em articulação com as secretarias estaduais e municipais de educação, o Ministério da Educação vem implementando uma política nacional de educação escolar indígena, atendendo preceitos legais estabelecidos na Constituição de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e no Plano Nacional de Educação.

Nessa legislação, estabeleceu-se como competência do Ministério da Educação a coordenação das ações de educação escolar indígena no país, por meio da definição de diretrizes curriculares para a oferta de educação escolar aos povos indígenas, assistência técnico-financeira aos sistemas de ensino para oferta de programas de formação de professores indígenas e de publicação de materiais didáticos diferenciados e elaboração de programas específicos para atendimento das necessidades das escolas indígenas, visando à melhoria nas condições de ensino nas aldeias.

A implementação dessa política tem como objetivo assegurar a oferta de uma educação de qualidade aos povos indígenas, caracterizada por ser comunitária, específica, diferenciada, intercultural e multilíngüe. Esta deverá propiciar aos povos indígenas acesso aos conhecimentos universais a partir da valorização de suas línguas maternas e saberes tradicionais, contribuindo para a reafirmação de suas identidades e sentimentos de pertencimento étnico.

Formar professores indígenas, membros de suas respectivas etnias, para que assumam a docência e a gestão das escolas em terras indígenas, é o principal desafio para a consolidação dessa nova proposta de escola indígena. Hoje estão em curso as primeiras experiências de formação de docentes indígenas em nível de licenciatura, dando seguimento aos cursos de magistério indígena, que promoveram a escolarização básica e a formação específica de professores indígenas em diferentes regiões do país.

A qualificação profissional dos docentes indígenas é condição fundamental para que de fato as comunidades indígenas possam assumir suas escolas, integrando-as à vida comunitária, de modo que possam responder suas demandas e projetos de futuro. Não há e nem pode haver um único modelo de escola indígena a ser desenvolvido em todo país. O Ministério da Educação tem procurado, junto aos sistemas de ensino, apoiar a consolidação de experiências particulares de organização escolar, discutidas e construídas a partir dos interesses e da participação de cada comunidade indígena, tal como preconiza a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) que foi ratificada pelo Brasil e entrou em vigor em julho de 2003.

Diversidade sociocultural

O Brasil hoje reconhece a diversidade sociocultural dos povos indígenas. Ela se expressa pela presença de mais de 220 povos indígenas distintos, habitando centenas de aldeias localizadas em praticamente todos os estados da Federação. Vivem em 628 terras indígenas descontínuas, totalizando 12,54% do territorial nacional. Apesar da ampla distribuição, mais de 60% da população indígena está concentrada na região da Amazônia Legal.

Do litoral ao sertão, da caatinga ao pantanal, da floresta ao cerrado, são muitos os ambientes nos quais os povos indígenas estão localizados, resultando em diferentes formas de interação e adaptação a natureza e em diferentes modos de vida. Há povos que tem na agricultura sua principal fonte de alimentos, enquanto outros diversificam suas estratégias de sobrevivência com atividades de pesca, caça e coleta de produtos silvestres. E há também aqueles que estão inseridos na economia de mercado, seja comercializando excedentes seja vendendo sua força de trabalho.

Ainda que não se tenha dados precisos sobre a população indígena no Brasil é certo afirmar que eles já foram muito mais numerosos no passado. Estima-se que em 1500, a população indígena estava em torno de seis milhões de indivíduos, quando da chegada dos primeiros conquistadores. E já chegaram a um patamar populacional bem inferior ao estimado no presente: na primeira metade do século passado, a população indígena teria chegado a 200.000 pessoas. Nos últimos 30 anos, revertendo a curva decrescente da população indígena, tem se registrado um aumento populacional constante, ancorado na melhoria das condições sanitárias e de assistência médica nas aldeias, na proteção e demarcação de territórios indígenas e no reconhecimento dos direitos dessas populações em manterem suas identidades e especificidades culturais, históricas e lingüísticas.

A população indígena no Brasil está hoje estimada entre 400 e 500 mil índios em terras indígenas, segundo agências governamentais e não-governamentais. Não há informações sobre índios urbanizados, embora muitos deles preservem suas línguas e tradições. De acordo com o censo populacional do IBGE, realizado em 2000, a população indígena no Brasil seria de 734.131 indivíduos. Esse total é questionado por especialistas, uma vez que o IBGE chegou a ele por meio do quesito cor de pele, e não por meio da auto-identificação étnica. Assim, pessoas que consideram que tem a pele cor indígena não necessariamente se reconhecem e são reconhecidas como pertencentes a uma comunidade indígena particular.

De modo geral, os povos indígenas no Brasil conformam grupos com baixa densidade populacional: mais de 50% desses povos são constituídos por menos de 500 indivíduos e apenas 3 povos são formados por mais de 20.000 pessoas. Alguns povos indígenas que habitam o território brasileiro também vivem em países vizinhos. Há notícias da existência de cerca de 40 “povos isolados” no Brasil, que tem se recusado a um contato mais direto e permanente com segmentos da sociedade brasileira. E nos últimos tempos, vários povos considerados “extintos”, estão se fortalecendo em meio a processos de re-afirmação étnica, exigindo o reconhecimento de suas identidades por parte do governo brasileiro. São, assim, diversas e dinâmicas as experiências históricas de contato dos povos indígenas com a sociedade brasileira, resultando numa heterogeneidade de situações de contato e convívio.

As situações sócio-lingüísticas vividas pelos povos indígenas são também extremamente diversas. Hoje são conhecidas 180 línguas indígenas, distribuídas em 41 famílias, dois troncos lingüísticos e dez línguas isoladas. Alguns povos indígenas falam mais de uma língua, outros são monolíngües quer na língua indígena, quer no português, como é o caso de vários povos que habitam próximo ao litoral, para os quais hoje o português é sua única língua de expressão. Face a baixa densidade populacional de vários povos, e o fato de se constituírem em povos minoritários, dentro do Estado Nacional, muitas línguas indígenas hoje correm o risco desaparecer. A escola, que no passado foi um dos principais instrumentos de negação da diversidade lingüística e de imposição do português, como língua nacional, pode ter um papel importante na manutenção e na valorização das línguas indígenas.

Escolas Indígenas nos Sistemas de Ensino

Foi em 1999, por meio do Parecer 14 e da Resolução 03, que o Conselho Nacional de Educação, interpretando dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e da Constituição Federal, instituiu a criação da categoria escola indígena nos sistemas de ensino do país. Estas deveriam ser criadas atendendo a “normas e ordenamentos jurídicos próprios”, com o intuito de promover o ensino intercultural e bilíngüe, “visando à valorização plena das culturas dos povos indígenas e a afirmação e manutenção de sua diversidade étnica” (art.1, Resolução CEB 03).

Para garantir a especificidade dessa nova categoria de escola e modalidade de ensino, o Conselho Nacional de Educação definiu os elementos básicos para a organização, estrutura e funcionamento destas escolas, que deveriam ser localizadas em terras habitadas por comunidades indígenas, dando atendimento exclusivo a essas comunidades, por meio do ensino ministrado em suas línguas maternas, e contando com uma organização escolar própria. Esta organização escolar autônoma deveria ser elaborada com a participação da comunidade indígena, levando-se em consideração as estruturas sociais, práticas socioculturais e religiosas, atividades econômicas, formas de produção de conhecimento, processos próprios e métodos de ensino-aprendizagem, além do uso de materiais didático-pedagógicos produzidos de acordo com o contexto sociocultural de cada povo indígena (Art. 2 e 3, Res. CEB 03).

As escolas indígenas, assim constituídas, deverão contar com regimentos escolares próprios e projetos pedagógicos construídos com a participação das comunidades indígenas tendo por base as diretrizes curriculares nacionais referentes a cada etapa da educação básica, as características particulares de cada povo ou comunidade, suas realidades sociolingüísticas e os conteúdos curriculares especificamente indígenas, alicerçados nos modos próprios de constituição do saber e da cultura indígena (Art.5, Res. CEB 03).

Dois anos depois de aprovação desta Resolução, o Plano Nacional de Educação (Lei 10.172 de 2001) estabeleceu o prazo de um ano para a criação da categoria oficial de “escola indígena”, de modo a garantir a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngüe.

Como se vê, ainda que sob regulamentação recente, os sistemas de ensino já deveriam estar operando com o reconhecimento dessa nova categoria de escola, condição sine qua non para a realização dessa modalidade particular de ensino, que é a educação escolar indígena. Em todo o Brasil, porém, as escolas indígenas apresentam diferentes situações de reconhecimento legal, não havendo números precisos sobre quais são reconhecidas como escolas indígenas. Até bem pouco tempo atrás, em sua grande maioria, as escolas indígenas eram consideradas como escolas rurais ou salas de extensão de escolas urbanas, seguindo calendários e currículos próprios destes estabelecimentos. O reconhecimento das escolas das aldeias como escolas indígenas, com estatuto diferenciado, é, portanto, algo novo no sistema, e está em processo em todo o Brasil.

Dados a respeito da Educação Escolar Indígena no país

Os dados do Censo Escolar INEP/MEC 2006 apontam a existência de 2.422 escolas funcionando nas terras indígenas atendendo a mais de 174 mil estudantes. Nestas escolas trabalham aproximadamente 10.200 professores, 90% deles indígenas. 1.113 escolas estão vinculadas diretamente às Secretarias Estaduais de Educação. Outras 1.286 escolas, principalmente nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Pará, Paraná, Bahia, Paraíba e Espírito Santo, são mantidas por Secretarias de Educação de 179 Municípios. Existem ainda algumas escolas indígenas mantidas por projetos especiais, como da Eletronorte, e por entidades religiosas. Estas escolas são declaradas no Censo Escolar como “escolas particulares”.

Bases Legais da Educação Escolar Indígena

Constituição Federal de 1988: artigos: 210, 215, 231 e 232;
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: artigos: 26, 32, 78 e 79;
Plano Nacional de Educação (Lei 10.172 - 9 de janeiro de 2001): Capítulo sobre Educação Escolar Indígena;
Parecer 14/99 - Conselho Nacional de Educação - 14 de setembro de 1999;
Resolução 03/99 - Conselho Nacional de Educação - 10 de novembro de 1999.
Decreto Presidencial 5.051, de 19 de abril de 2004, que promulga a Convenção 169 da OIT.
Principais Ações do Ministério da Educação para o Desenvolvimento da Educação Escolar Indígena

As principais ações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – SECAD do Ministério da Educação para garantir a oferta de educação escolar de qualidade são as seguintes:

1. Formação Inicial e continuada de professores indígenas em nível médio (Magistério Indígena). Estes cursos têm em média a duração de cinco anos e são compostos, em sua maioria, por etapas intensivas de ensino presencial (quando os professores indígenas deixam suas aldeias e, durante um mês, participam de atividades conjuntas em um centro de formação) e etapas de estudos autônomos, pesquisas e reflexão sobre a prática pedagógica nas aldeias. A SECAD/MEC oferece apoio técnico e financeiro à realização dos cursos.

2. Formação de Professores Indígenas em Nível Superior – Licenciaturas Intercultuais. O Ministério da Educação lançou um Edital para viabilizar a implantação de Cursos de Licenciatura Intercultural em universidades públicas federais e estaduais. O objetivo principal é garantir educação escolar de qualidade e ampliar a oferta das quatro séries finais do ensino fundamental e implantar o ensino médio em terras indígenas.

3. Produção de material didático específico em línguas indígenas, bilíngües ou em português. Livros, cartazes, vídeos, CDs, DVDs e outros materiais produzidos pelos professores indígenas são editados com o apoio financeiro do MEC e distribuídos às escolas indígenas.

4. Apoio político-pedagógico aos sistemas de ensino para a ampliação da oferta de educação escolar em terras indígenas. A SECAD trabalha em articulação com as secretarias estaduais e municipais de ensino com o objetivo de atender a estas demandas indígenas, pois é urgente a implantação do ensino fundamental completo nas terras indígenas no País. Muitas comunidades reivindicam também a oferta de Ensino Médio.

5. Promoção do Controle Social Indígena. A SECAD/MEC desenvolve, em articulação com a FUNAI, cursos de formação para que professores e lideranças indígenas conheçam seus direitos e exerçam o controle social sobre os mecanismos de financiamento da educação pública, bem como sobre a execução das ações e programas em apoio à educação escolar indígena. A CGEEI divulga sistematicamente todas as informações importantes para garantir transparência no uso dos recursos destinados às escolas indígenas. Além destas ações, está em funcionamento a Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena – CNEEI, instância de participação, proposição e deliberação a respeito das políticas de educação escolar indígena desenvolvidas pelo MEC. Esta Comissão é formada por quinze representantes indígenas indicados por organizações indígenas de todas as regiões do País.

6. Apoio Financeiro à Construção, Reforma ou Ampliação de Escolas Indígenas. A expansão da oferta de educação escolar e o crescimento da população indígena demandam a ampliação da rede física nas terras indígenas. O MEC apóia financeiramente os sistemas estaduais e municipais de ensino na construção, reforma e ampliação de escolas e na aquisição de equipamentos para estas escolas.

7. Educação escolar em conformidade com a territorialidade indígena. Muitos povos indígenas têm seus territórios em mais de uma unidade da federação. A SECAD/MEC está promovendo a articulação entre os diversos sistemas de ensino para que um mesmo Povo Indígena tenha políticas de educação escolar coerentes com suas necessidades, independentemente das divisões administrativas de estados e municípios.

8. Apoio aos Sistemas de Ensino. A SECAD/MEC oferece apoio técnico aos Conselhos Estaduais de Educação e às equipes de educação escolar indígena das Secretarias Estaduais de Educação por meio da promoção de seminários nacionais, encontros regionais, reuniões de trabalho nos estados, análise de projetos etc., com o objetivo de aprimorar a gestão dos programas de educação escolar voltados à população indígena. A execução dos programas de merenda escolar, fornecimento de livros didáticos às escolas indígenas, transporte escolar, dinheiro direto na escola, entre outros, é permanentemente acompanhada pela CGEEI.

9. Divulgação das Culturas Indígenas. Por meio da divulgação de programas temáticos e debates na TV Escola e através da distribuição de livros didáticos a SECAD/MEC contribui para a divulgação das temáticas e culturas indígenas, como forma de combate ao desconhecimento, a intolerância e o preconceito em relação à população indígena.

Baixe o arquivo em pdf:
Educação Escolar Indígena: Diversidade Sociocultural:
http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/educacaoindigena.pdf
 
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