segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Famper lança pós-graduação em educação bilingue em SC

Sáb, 25 de Julho de 2009 00:00
Originalmente disponível em http://www.jornalnovotempo.com.br/economia/famper-lanca-pos-graduacao-em-educacao-bilingue.html

O Brasil não é mais considerado um país monolíngue, mas sim plurilíngue. Este reconhecimento demanda ações que possam ampliar suas articulações com os outros países, principalmente os do MERCOSUL. Em vista desta a Faculdade de Ampére - FAMPER juntamente com o IPOL - Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística - www.ipol.org.br - Florianópolis/SC, passam a oferecer para a região sudoeste do Paraná e oeste de Santa Catarina, uma proposta nova em relação ao estudo da língua: Especialização em Educação Bilíngue.
O Projeto focaliza diretamente a prática de duas ou mais línguas. A especialização pretende suprir dificuldades relacionadas à prática bilíngue e o ensino da língua estrangeira nas escolas, focando o Espanhol e o Português como línguas de integração regional.

Objetivos
Criar condições de ampliar as relações com países de fronteira como Argentina e Paraguai, bem como outros que falam a língua espanhola como idioma oficial; Oportunizar um espaço bilíngue contemplando os idiomas espanhol e português, como forma de impulsionar a diversificação de conhecimentos que permitam aos profissionais educadores e outros, uma participação mais efetiva no mundo sócio-econômico-cultural dos países envolvidos.
O curso de pós-graduação bilíngue será ministrado por professores argentinos e brasileiros, e está dividido em três módulos:

MÓDULO I: Língua Espanhola (Espanhol I e Espanhol II)

MÓDULO II: Educação Bilíngue (Teoria e prática de ensino bilíngue; Questões políticas de ensino bilíngue; Alfabetização de ensino bilíngue; Letramento de ensino bilíngue; Metodologias de ensino bilíngue; Sistema de ensino bilíngue no Brasil).

MÓDULO III: Seminários e monografia (Metodologia de Pesquisa; Seminário de pesquisa;
Leituras dirigidas como suporte para as pesquisas).

Duração: 360 horas - 18 meses
Dias: sábados alternados (aulas aproximadamente a cada 15 dias)
Horários: das 8h as 12h e das 13h as 17h
Inscrições até: 23/07/09
Início previsto: 25/07/09
Investimento: 1 + 18 parcelas de R$ 220,00 (bônus pontualidade de 10% = R$ 22,00). Valor líquido até o vencimento: R$ 198,00

Ensino de línguas acelera o desenvolvimento cognitivo em crianças

Uma pesquisa do Instituto de Psicologia (IP) da USP analisou a influência do bilinguismo precoce sobre o desenvolvimento cognitivo de crianças

fonte: Agência USP (03.04.2009)
Paulo Roberto Andrade

Em sua tese de doutorado, a psicóloga Elizabete Villibor Flory analisou as vantagens e desvantagens do bilingüismo infantil a partir da teoria da equilibração do psicólogo suíço Jean Piaget.

O estudo foi teórico e sem pesquisas de campo e a pesquisadora fez um grande levantamento de estudos acadêmicos sobre o tema. Ela observou que, nos anos 1960, muitos pesquisadores apontavam prejuízos do bilinguismo na inteligência. Porém, tais pesquisas tinham muitas falhas metodológicas, não considerando a situação sócio-econômica, sócio-cultural, as condições de imigração, o tempo de permanência no país e outros aspectos. Após a década de 1960, apareceram inúmeros trabalhos favoráveis ao bilinguismo. “Mas aí corremos o risco de entrar num outro mito: o de que o bilinguismo aumenta a inteligência. O que também não é verdade” ressalta.

No caso da aquisição, as duas línguas são adquiridas como línguas maternas, o ser humano é totalmente capaz de crescer aprendendo duas línguas, sem sobrecarga intelectual. Uma característica observada diz respeito à mudança de código durante a fala, ou seja, a criança está falando em uma língua e utiliza algumas palavras de outra língua. “Por muito tempo isso foi entendido como um erro na aquisição da língua, pois a criança era analisada num contexto monolíngue, o que não era o caso”, diz Elizabete. “Hoje os pesquisadores entendem essa mudança de código como um processo natural”.

A psicóloga explica que para entender o bilinguismo é preciso esclarecer seu conceito. “A maioria das pessoas acha que um bilíngue é como dois monolíngues numa única pessoa, e não é. Seria necessário que a pessoa vivesse as mesmas experiências nas duas línguas, o que não é possível”. Apesar de listar os diversos tipos de bilinguismo em sua tese, Elizabete se concentrou no tipo precoce, que é aquele em que a segunda língua começa a ser adquirida antes do fim da aquisição da primeira, por volta dos 3 ou 4 anos.

Quanto às vantagens do bilingüismo, o que foi constatado nas pesquisas é que uma criança com boa proficiência em duas línguas, em geral, intensifica o que os especialistas chamam de controle inibitório ou seleção de atenção. “Isso é uma habilidade que utilizamos quando temos vários estímulos para prestar a atenção e precisamos nos focar em apenas um deles” explica a pesquisadora. O controle inibitório, como o próprio nome diz, inibe a atenção aos estímulos menos importantes.

Além disso, muitas pesquisas mostram, além da aceleração no desenvolvimento cognitivo (antecipação da entrada no pensamento operatório), que a criança bilíngue tem uma antecipação na percepção da relatividade dos nomes. Por exemplo, ela sabe que uma mesa pode se chamar mesa, table, tisch (alemão) ou outro nome. A criança entende que o objeto independe do nome que lhe é dado.

Porém, a pesquisadora ressalta que tais resultados não são unânimes, de modo que também há pesquisas nas quais tais vantagens não são encontradas. Nesse contexto, vários autores dizem que as desvantagens não vêm do bilinguismo em si, mas de contextos sócio-culturais de desvalorização da língua e da cultura de origem.

Teoria da equilibração

Elizabete analisou as influências do bilinguismo sobre o desenvolvimento cognitivo a partir a teoria da equilibração de Piaget. Segundo a psicóloga, a presença de duas línguas no ambiente gera um desequilíbrio para a estrutura de conhecimento da criança. “Ao se deparar com uma pessoa falando outra língua, a criança busca a equilibração de seus conhecimentos lingüísticos aprendendo a nova língua”. Essa reequilibração explicaria os casos em que se constatou vantagens.

Porém, é importante que a criança valorize o desafio e queira conhecer a novidade que se apresenta para que essa reequilibração se dê. Se não, o movimento de reequilibração não acontecerá. Por isso, em casos de imigração e desvalorização da cultura e da língua, nos quais a interação fique comprometida, não havendo o interesse da criança em assimilar a nova língua, as vantagens não aconteceriam.

Práticas pedagógicas

A pesquisa esclarece a complexidade do tema do bilingüismo e ajuda a desmistificar algumas idéias pouco divulgadas no Brasil. Segundo a psicóloga, a partir de sua leitura é possível adotar algumas práticas pedagógicas, como tentar configurar o ambiente para que os desequilíbrios se configurem como estímulos ao aprendizado da criança e estejam próximos a estrutura de conhecimento atual dela.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Curso: Alfabetização e letramento na educação bilíngue: aportes teóricos e metodológicos, em São Paulo

Curso no Sindicato dos Professores - Fevereiro 2010
http://www.sinprosp.org.br/escola.asp?mn=2&mes=13&curso=65

Alfabetização e letramento na educação bilíngue: aportes teóricos e metodológicos
Público-alvo: Professores de educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental e demais interessados

Objetivo: Construir uma base teórica que sustente as práticas de alfabetização e letramento propostas a crianças bilíngues com vistas à formação de um usuário competente das línguas na comunicação oral e escrita

Conteúdo: Conceitos de bilinguismo e educação bilíngue; modelos de educação bilíngue presentes no Brasil; conceitos de letramento e alfabetização; o processo de alfabetização em uma perspectiva sócio-construtivista; formação de leitores e de escritores; ensinoaprendizagem de segunda língua: múltiplas perspectivas; análise de situações didáticas em contextos bilíngues; construção coletiva de princípios sobre alfabetização de crianças bilíngues; proposição de alternativas de trabalho na educação bilíngüe que contemplem a formação cultural e o acesso à leitura e à escrita pela criança

Professora: Selma de Assis Moura
Pedagoga, mestre em Linguagem e Educação, tem atuado como professora, coordenadora Pedagógica e assessora em escolas bilíngües

Período: 3, 10 e 24 de fevereiro; 3, 10, 17, 24 e 31 de março; 7 e 14 de abril (quartas-feiras), das 19h às 22h

Carga horária: 30 horas

Número de vagas: 30

Preço: sindicalizados – R$ 183,00 - não-sindicalizados – R$ 366,00

domingo, 5 de julho de 2009

Artigo de Eric Duarte Ferreira: O ensino de língua estrangeira na educação de jovens e adultos de Florianópolis

Divulgando artigo científico:
O ensino de língua estrangeira na educação de jovens e adultos de Florianópolis: bilinguismo, pesquisa e intercompreensão
Eric Duarte Ferreira
Universidade Federal de Santa Catarina
Revista Brasileira de Linguística Aplicada - ISSN 1984-6398

O objetivo deste trabalho é problematizar a promoção de um ambiente bilíngue para se ensinar o espanhol como língua estrangeira dentro da proposta pedagógica da educação de jovens e adultos de Florianópolis (SC), que toma a pesquisa como fundamento primordial. Com esse intuito, foram realizadas quatro entrevistas com os professores de espanhol desse município. Verificou-se nas análises das entrevistas que os deslocamentos efetuados pela pesquisa como princípio educativo precisam ser revistos, especificamente com relação à posição de mediador. Nesse sentido, sustentamos que a associação entre bilinguismo e pesquisa deva ser suplementada pelos pressupostos teóricos e metodológicos da intercompreensão, especialmente através do trabalho com as habilidades de recepção - compreensão
e leitura em espanhol.

PALAVRAS-CHAVE: bilinguismo; pesquisa; intercompreensão.

Disponível em http://www.letras.ufmg.br/rbla/2009_1/09-Eric%20Ferreira.pdf
(Clicando no título dessa postagem você é automaticamente direcionado ao texto)

Artigo de Gernot Grube: Por que a nossa educação padrão não é bilíngue?

Por que a nossa educação padrão não é bilingue?
Gernot Grube, Doutor em Filosofia e ex-pesquisador na Universidade Humboldt, em Berlim

Em uma era de globalização, um assunto como esse torna-se cada vez mais relevante
fonte: CGC Educação (14.05.2009)
Publicado em 19 de Maio de 2009 no http://e-educador.com/index.php/artigos-mainmenu-100/4551-education09


Ninguém nega o valor da educação para todas as sociedades. Educação é como uma extensa oferta de instrumentos para desenvolver, cuidar, melhorar e aumentar nossos recursos. Na maioria das sociedades as escolas detêm o papel-chave para desenvolver a competência cognitiva e moral de jovens personalidades. A quantia de dinheiro alocada na educação varia enormemente de uma sociedade para a outra. Mas suspeitamos que essa não seja apenas uma questão financeira. Pois há sistemas mais caros que não produzem resultados tão bons quanto outros mais baratos. Trata-se, sim, de uma questão de metodologia. O que deveria ser feito na sala de aula?

No primeiro fim de semana de maio, do 1° ao dia 3 do mês, realizou-se uma conferência com 500 participantes em São Paulo sobre educação bilíngüe. A conferência acontece a cada dois anos e é realizada pela Escola Cidade Jardim. Os participantes vêm de todo o mundo. Os palestrantes são pesquisadores acadêmicos de renomadas instituições do Brasil e do exterior que têm-se destacado por sua pesquisa de ponta na área de educação bilíngue. Em uma era de globalização, um assunto como esse torna-se cada vez mais relevante.

Ofelia Garcia, da New York University, argumentou em sua palestra que a única educação apropriada para o século 21 é uma educação bilíngue. Em seu recém-publicado livro, onde promove o futuro do bilinguismo, ela cita a declaração da Unesco de 2003: “as exigências de participação em níveis nacional e global e as necessidades culturais e linguísticas específicas de distintas comunidades só poderão ser atendidas pelo ensino multilíngue.”

Algumas sociedades, como a cidade-estado de Singapura, já possuem consequentemente, um sistema de ensino bilíngue. Na conferência, Anne Pakir, da Universidade Nacional de Singapura, apresentou experiências recentes com bilinguismo em seu sistema local de ensino.

Educação bilíngue é diferente de simplesmente aprender uma língua estrangeira como acontece em muitos esquemas tradicionais. Em termos simples, o aprendizado bilíngue significa usar dois idiomas na escola. Significa por exemplo, aprender história em Inglês e Português, ou aprender geografia, matemática e química em ambos os idiomas. Imagine-se aprendendo o teorema de Pitágoras em Português e depois discuti-lo em Inglês. Se esse processo for iniciado cedo, o aluno poderá dominar um segundo idioma com fluência. E depois acrescentar outro (s) idioma (s) com maior facilidade ainda.

Siv Bjorklund, da Universidade de Vaasa, na Finlândia, explicou que, o progresso de alunos bilíngues na aquisição de idiomas adicionais é significativamente superior ao de alunos monolíngues. Mas há evidências também de que as habilidades cognitivas em geral são mais estimuladas pelo bilinguismo. A experiência prática em educação bilíngue mostra que para as crianças, é perfeitamente acessível a tarefa de comunicar-se com perfeição em duas línguas. É claro que o simples fato de ser fácil não é argumento suficiente. Mas o fato de ser tão fácil demonstra o enorme potencial latente na cognição infantil.

Resumidamente falando, vamos olhar para algumas das vantagens da educação bilíngue. Nossas crianças estão tendo a oportunidade de usar muito mais de suas habilidades naturais cognitivas. Elas têm a oportunidade de expandir um horizonte intelectual que potencialmente aprimora capacidades básicas de abstração e o aproveitamento de conteúdos acadêmicos torna-se mais fácil. Elas falam duas línguas com facilidade e frequentemente sem sotaque, ao saírem da escola... E elas estão completamente preparadas para aprenderem outros idiomas.

Este último argumento deveria ser suficiente para promover a educação bilíngue em um nível institucional. Pois em um mundo que se torna cada vez mais uma comunidade internacional, nada mais essencial do que habilidades lingüísticas de comunicação. E

apesar de, no ocidente e em grande parte da Ásia e da África o Inglês ter-se tornado uma língua franca, não devemos buscar um Esperanto. Pois uma língua deve situar-se em um contexto cultural. A estratégia não é eliminar línguas que reflitam contextos culturais específicos. Mas aumentar nossa habilidade de aquisição de novos idiomas.

Na conferência, Jim Cummins, da Universidade de Toronto, mencionou um último e interessante aspecto do bilinguismo. Toda a pesquisa ao longo dos últimos 40 anos mostra que não há desvantagem de crianças aprenderem uma língua estrangeira e matemática ou história ao mesmo tempo. Isso refuta a (falsa) suposição de que apenas as crianças mais cognitivamente “agraciadas” poderiam lidar com tanto aprendizado ao mesmo tempo. Isso funciona também de outra maneira: uma criança com dificuldade de entender um problema aritmético em uma língua, pode se beneficiar do uso de uma segunda língua para reconhecer o problema em questão.

Com todas essas boas razões para o bilinguismo, não seria razoável esperar que nossas escolas fossem lenta e gradativamente transformadas em instituições bilíngues? Claro que não tão lentamente, pois deixaríamos preciosos e necessários recursos cognitivos inexplorados. Mas não se trata de uma questão de andamento, mas uma questão de princípio: por que a maioria esmagadora de nossas sociedades não inicia processos de educação bilíngue?

Há uma perfeita metodologia disponível que não está sendo utilizada. O argumento com o qual nos deparamos aqui é o de que há interesses nacionais, um lobby político que deliberadamente emperra o processo de implementação de um sistema educacional bilíngue.

Na conferência de dois anos atrás, Gilvan Muller de Oliveira, da Universidade Federal de Santa Catarina, reconstruiu o histórico das políticas de língua no Brasil e mostrou que, para definir uma identidade brasileira forte, as outras línguas não apenas foram excluídas das escolas, mas também foram proibidas de serem usadas.

É claro que esse não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. Theodor Roosevelt, em 1915, expressou isso da seguinte maneira: “Temos espaço aqui para um único idioma. O idioma Inglês. Pois queremos que o sistema faça com que nosso povo seja Americano, de nacionalidade Americana e não habitantes de um abrigo poliglota.” Ou então, como foi dito por Ronald Reagan várias décadas mais tarde: “É absolutamente errado e contra os ideais americanos ter um programa bilíngue que está comprometido em manter suas primeiras línguas e jamais apresentá-los a um inglês com real competência para que possam ingressar ativamente no mercado de trabalho.”

É fácil perceber o quão equivocado é esse ponto de vista. Pensando dessa forma, ignora-se o fato de que a educação bilíngue visa aprimorar a competência linguística em geral, inclusive no inglês.

A situação na Europa parece ser um pouco diferente se considerarmos uma declaração da Comissão da União Européia de 2003: “O aprendizado de uma língua franca não é o suficiente. Cada cidadão europeu deveria ter competência comunicativa em pelo menos dois outros idiomas, além do seu próprio.” Mas a realidade, no entanto, é menos significativamente diferente. Também na União Européia, a educação bilíngüe não é a norma. E por que não, já que uma soma infindável de pesquisa argumente em seu favor?

Vamos pensar um pouco sobre os “motivos” que impedem a implementação do bilinguismo em um nível global. Em primeiro lugar, não haveria dinheiro suficiente para a contratação de professores capacitados. Esse argumento é, sem dúvida, limitado. Pois o business da política é direcionar os orçamentos e um critério central para decisões financeiras deveria ser o investimento em recursos humanos. Em segundo lugar, há o preconceito nas mentes de pais, de que os alunos não seriam capazes de lidar com o desafio do bilinguismo. A única maneira de se livrar dessa armadilha é através da implementação do novo modelo, tarefa do governo e dos responsáveis pela educação. Mas parece que as respectivas lideranças não estão muito dispostas.

Talvez, a partir disso, percebe-se o terceiro motivo: a luta por uma identidade nacional. As políticas educacionais de cada país devem encaixar-se nas exigências nacionais. Esse argumento explica porque, às vezes, um certo tipo de bilinguismo nunca foi e continua não sendo o desenvolvimento das competências linguísticas de uma criança. Mas sim, adotar uma criança cuja língua materna pertença a alguma minoria e doutriná-la no idioma oficial do país, ajudando assim, a fortalecer a identidade nacional.

Daí em diante, a questão do bilinguismo torna-se uma questão de poder, sobre as estratégias utilizadas pelo status quo para reproduzir sua superioridade. A partir desse ponto, o problema torna-se mais complexo. Não é a Nação que pede uma educação fortemente monolíngue. Mas os interesses de grupos sociais para preservarem seu poder. Poderíamos entender que a partir dessa perspectiva o bilinguismo torna-se um item delicado, dado o poder que ele tem de mobilizar os tecidos sociais. A linguagem é nossa principal ferramenta para criar, manter, transformar, destruir ou preservar redes sociais.

Infelizmente, não houve nenhum palestrante na conferência que abordou esse tópico: os links entre monolinguismo, estruturas sociais e interesses de poder. Talvez por bons motivos. Pois esse assunto requer sua própria conferência. Se aceitarmos o argumento de que a ausência do bilinguismo se deve à noção de que enfraqueceria a rede social de um grupo no poder, devemos aceitar que o debate sobre o bilinguismo é, em essência, político. Essa será uma discussão para os grupos que não estão no poder, mas que detém os melhores argumentos. Estamos falando de educação bilíngue enquanto modelo padrão, ao invés de uma educação particular ou especializada para apenas alguns alunos privilegiados.

Divulgando pesquisa: Dissertação de Mestrado de Ana Maria Fernandes David

DAVID, Ana Maria Fernandes. As concepções de ensino-aprendizagem do projeto político-pedagógico de uma escola de educação bilíngue. Dissertação (mestrado). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), 2007
Disponível em http://www.pucsp.br/pos/lael/lael-inf/teses/DAVID2007%20PDF.pdf

Esta pesquisa tem como objetivo identificar as concepções de ensino-aprendizagem do
Projeto Político-Pedagógico, de uma escola de educação bilíngüe, situada na cidade de São Paulo. Considerei nessa investigação que o trabalho educacional é representado também em textos produzidos institucionalmente e por isso procurei reconhecer no Projeto Político-Pedagógico, elaborado pela escola, aspectos que caracterizam as ações pedagógicas, tais como: os objetivos e as finalidades da educação, a seleção dos conhecimentos escolares, o papel da língua materna para aprendizagem da segunda língua, o papel do professor, do aluno, os tipos de
tarefas de ensino-aprendizagem e a avaliação. Para isso, utilizei os seguintes referenciais teórico-metodológicos: o conceito de Projeto Político-Pedagógico (Vasconcellos, 1995/2004, Boutinet, 1999/2002 e Padilha, 2006), as teorias de ensino-aprendizagem behaviorista (Skinner, 1974; Blomm, 1956/1973), cognitivista (Piaget, 1956/1973; 1967/2003; 1970/2002) e sócio-histórico-cultural (Vygotsky, 1984:2003; 1987/2000; 2001; 2004) e os significados da educação bilíngüe (Hutchison & Waters, 1987,1992; Hamers & Blanc, 1989; Baker, 2000, 2001; Lantolf, 2000). Optei pela pesquisa na Lingüística Aplicada pela possibilidade de desenvolver a reflexão
crítica a partir da linguagem que constitui a prática pedagógica e de considerar o documento elaborado na escola como texto que veicula prescrições ao trabalho educacional (Amigues, 2004; Nourodine, 2002). Os dados foram coletados em uma escola de educação bilíngüe, da cidade de São Paulo, que desenvolve essa proposta na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, e a seleção dos dados restringiu-se ao segmento do Ensino Fundamental. Como metodologia de análise, baseei-me nos procedimentos propostos por Bronckart (1997/1999) e Bronckart & Machado (2004), com a finalidade de identificar, no texto analisado, as concepções de ensino-aprendizagem, a partir das características do plano dos contextos, do plano enunciativo e do plano da organização textual, especificamente em relação ao conteúdo temático e as escolhas lexicais. Os resultados das análises permitiram concluir que as concepções cognitivistas e sóciohistórico-culturais constituem o Projeto Político-Pedagógico da escola e podem conseqüentemente, caracterizar um cotidiano escolar marcado por essa diversidade.

3o BilingLatAm - Simpósio Internacional sobre Bilinguismo, Educação Bilíngue e Cidadania da América Latina



Nesta semana acontece o 3o BilingLatAm em São Paulo. É a primeira vez que o evento vem ao Brasil. Os resumos das apresentações já estão disponíveis no site www.blinglatam.com.br (clicando no título dessa postagem você vai direto pro site) e dão uma idéia da abrangência do evento, que acontecerá na PUC e no Colégio Rio Branco.

sábado, 6 de junho de 2009

CLIL - Content and Language Integrated Learning Conference, in Maceió

International Conference on Content Based Instruction (CLIL) for Young Learners: Breaking through Traditional Boundaries
Maceió, Brazil July 8th – 10th, 2009
(jointly organized by IATEFL YL Sig and SYSTEMIC, Maceió, Brazil)

The International Conference on Content-Based Instruction (CLIL) for Young Learners in Brazil will be held in Maceió.

The conference has three main aims: to spread the idea of TEYL (Teaching English to Young Learners) through content; to provide a good forum for debate, information exchange, and dissemination of good practice for those who already use content-based instruction; and to contribute to the improvement of the level of TEYL in Brazil. The participants will include teachers from the private and public sectors, school coordinators, directors, and policy makers.

For more information visit the Conference website at http://www.cbiintlconferenceyl.com.br

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Evento em Foz do Iguaçu, em setembro


III Encontro Internacional de Letras e I Encontro Nacional
Transculturalidade, Linguagem e Educação


De 09 a 11 de setembro de 2009

Na UNIOESTE (Campus de Foz do Iguaçu)

O III Encontro Internacional de Letras, que acontece de 09 a 11 de setembro de 2009, no campus de Foz do Iguaçu, da UNIOESTE, teve, em 2007, sua primeira versão. Este ano consolida-se o caráter internacional do evento. Organizado por uma equipe de professores do colegiado de Letras e acadêmicos do 3º. ano, espera-se um público de aproximadamente 400 participantes, entre acadêmicos e professores, profissionais da área de educação, pesquisadores da área de linguagem da região de Tríplice Fronteira, além pesquisadores de outras regiões do Brasil.

Confira tudo no site: http://www.foz.unioeste.br/~eventos/enc_int_letras/

(Clique no título da postagem para ir direto ao site do evento)

terça-feira, 26 de maio de 2009

34th Alumni TEFL Conference - July 1-3, 2009


An annual event for the development of professionals in TEFL (Teaching English as a Foreign Language), this conference is a forum for teachers of English from all over Brazil. It includes lectures, workshops, special interest meetings and exhibits of educational materials.

This year’s convention will take place on July 1-3. Speakers confirmed so far: Lucy Chriton (Macmillan do Brasil), Ray Shoulder (Richmond Publishing), Roberto Costa (Cambridge), Claudio Piccolo (PUC), Margaret Pederson (US State Dept), Marcia Pedrosa (IBEU-Rio), Rafael Reis (Cengage) Carlos Gontow, Celso Frade, Luiz Otavio Barros and Rick Nishioka (Alumni), Marcelle Doria, Sergei Nesterenko and Thomas Topham, among others.

Registration Fees for the two and a half-day program:
Early registration – from June 1 to June 19:
R$ 170,00 (one hundred and seventy reais)
Late registration - from June 22 to July 1:
R$ 200,00 (two hundred reais)
Special fees for college students (Letras and Pedagogia): R$ 85,00 and R$ 100,00 for early and late registration, respectively.
Special fees for Braz-Tesol members: R$ 120,00 and R$ 150,00 for early and late registration, respectively.
Registration procedures soon to be announced, but do save the date!

sábado, 2 de maio de 2009

A figura humana nas aulas de artes: uma proposta de trabalho na educação infantil bilíngue.

Selma de Assis Moura e Ariane D’Avila Mantovani
3rd Brazilian Bilingual Schools Conference / 3º Congresso Brasileiro das Escolas Bilíngues
Workshop nº 29 - 02 de maio de 2009

O propósito deste trabalho:
Queremos compartilhar uma reflexão sobre a experiência de trabalho nas áreas de artes e linguagem desenvolvida com crianças de 5 anos em uma escola bilíngue de educação infantil na cidade de São Paulo. Nesta escola, como ocorre em muitas outras escolas bilíngues, as crianças passam pelo menos quatro horas diárias em um programa de imersão em segunda língua (no nosso caso, inglês) que não é apenas a língua que se pretende ensinar, mas também a língua através da qual os conteúdos curriculares são ensinados.

Vivemos, portanto, um duplo desafio: o de ensinar os conteúdos curriculares e uma segunda língua a crianças que são, quase todas, brasileiras e falantes nativas de português. Há na escola também algumas crianças para quem o inglês é a primeira língua, ou mesmo uma segunda língua materna. Para garantir um ambiente de circulação do inglês e maximizar a exposição das crianças à segunda língua, a comunicação entre a equipe da escola e as crianças ocorre quase totalmente neste idioma, embora o português seja eventualmente utilizado em atividades específicas e apareça, na maior parte do tempo, na comunicação entre as crianças. Conforme as crianças demonstram maior compreensão do inglês, as professoras as incentivam a falar mais nesta língua.
Um dos eixos de trabalho na escola é constituído pelas Artes Visuais. Presente de muitas formas na vida das crianças, as artes constituem uma forma privilegiada de ajudá-las a compreender o mundo, organizar seus pensamentos, expressar ideias, desenvolver o domínio de técnicas expressivas e ampliar seu potencial criativo. Seu principal objetivo é o desenvolvimento estético e a educação da sensibilidade. Mas como menciona o próprio Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, frequentemente as artes acabam se transformando em uma série de técnicas desconexas, que assumem função acessória a outras áreas, como a decoração, a elaboração de adereços, a preparação de eventos e outras funções que não contribuem com o aprendizado das crianças sobre artes.

Quisemos superar essa visão utilitarista de artes e avançar rumo a uma visão de artes como linguagens, e por isso teve lugar na escola um processo de formação em que pudemos refletir sobre o que é arte e o que é ensinar arte na escola. Algumas professoras tinham mais experiência do que outras, mas todas se engajaram de alguma forma nesse processo de formação, que nos ajudou a reconstruir nossa própria prática (MOURA, 2008).

A bagagem essencial do professor é seu repertório profissional que é adquirido pela prática. Porém, não é a prática por si só que é formadora, ela deve sempre ser acompanhada da reflexão sobre a experiência, pois é a reflexão sobre a experiência que é formadora e não a experiência por si só. (NÓVOA, 2004)

Este desafio se coloca a todas as professoras polivalentes que atuam na educação infantil. Mas em nosso caso, dada a especificidade de se tratar de uma escola bilíngue, mais um desafio se coloca: ensinar uma língua e ensinar através de uma língua. Para nós, que utilizamos a comunicação na segunda língua como forma de ensinar a própria língua e os conteúdos pretendidos, ambos os processos são concomitantes.

A experiência que escolhemos compartilhar teve lugar sob a forma do projeto “Body in Arts”, desenvolvido com a turma de 5 anos. A escolha de trabalhar com este tema, o corpo humano, tem a ver com os interesses e necessidades das crianças nesta idade, que estão construindo seu esquema corporal e sua auto-imagem, e permitiu construir uma grande variedade de conhecimentos.

As crianças tiveram contato com obras de vários pintores e escultores, o que permitiu que ampliassem seu repertório imagético ao perceberem uma grande variedade de possibilidades de expressão para o tema do corpo humano. Partimos de suas ideias iniciais, que foram sendo confrontadas com outras ideias, reorganizando-se, ampliando-se e aproximando-as da produção cultural em artes. Como afirma Iavelberg (2006):

Cabe à escola abrir o leque no ensino das diversas áreas de conhecimento. Situamos a área de arte que, entre outras linguagens, circunscreve a aprendizagem do desenho que, aprendido na escola, certamente promoverá a participação cultural dos alunos e a interação com a diversidade das culturas.

A documentação do processo de aprendizagem através de fotografias, cópias das produções das crianças, anotações de suas falas e registros reflexivos pela professora foi essencial para formar um panorama da progressão das aprendizagens das crianças, como mostramos neste trabalho. É com base na experiência que desenvolvemos e no que aprendemos que compartilhamos nossa reflexão e nossa proposta, esperando assim contribuir com o trabalho de outros colegas que, como nós, vivem o duplo desafio de ensinar artes e uma segunda língua de forma integrada.

Por que trabalhar com a figura humana nas aulas de artes?

O corpo é o centro do conhecimento, das percepções, das sensações, da estruturação da identidade, da organização do pensamento. No dizer de Edith Derdyk, pesquisadora, artista, é pelo corpo que o mundo interior, psíquico, se comunica com o mundo exterior, social. E como nos ensinou Piaget, a gênese da inteligência da criança é sensório-motora, dá-se no plano da ação motriz, predecessora e parte constituinte de todo o pensamento. De uma idéia inicial indiferenciada entre seu corpo e o corpo da mãe, o ser humano gradualmente estrutura sua percepção de si como indivíduo. A apropriação da imagem de si, a construção de seu esquema corporal e a afirmação como sujeito caminha de uma visão egocêntrica para uma progressiva descentração, necessária à formação da subjetividade de cada pessoa.

Desde muito cedo as crianças, em sua exploração do mundo e dos materiais, têm acesso a riscantes que imprimem marcas sobre superfícies. No início essas marcas são impressões de seus gestos, e não expressam um desejo de representação. Porém, a criança logo percebe que seus movimentos causam impressões gráficas, e passam a variar os movimentos observando as mudanças produzidas. Assim, as garatujas passam a ordenar-se e podem estruturar-se em padrões lineares, circulares, espiralados, conforme as experiências que as crianças vão construindo.

Uma revolução copérnica no pensamento da criança ocorre quando ela percebe que estas marcas podem representar algo. A associação entre marcas gráficas e uma realidade que pode ser representada é uma construção cognitiva que permite à criança acrescentar ao seu desenho uma intenção de representar: uma nova possibilidade de pensamento, agora simbólico, se apresenta, e será experimentada pela criança com entusiasmo. As garatujas passam a ser nomeadas: a criança diz: “Isto é um cavalo, este sou eu, esta é minha mãe...”, mesmo que seus traços ainda pareçam indistintos para nós.

Essas experiências com a representação vão gradualmente estruturando o desenho da criança em padrões mais figurativos. Frequentemente a criança procura representar a si mesma e às pessoas com as quais convive: família, colegas, professores, além dos ‘seres’ que lhe interessam: animais, brinquedos, etc. As experiências de vida da criança passam a se revelar em seus desenhos.

Além do conhecimento de si mesma, que a criança tem ao desenhar, ganha compreensão do mundo. Ela desenha porque existe desenho no mundo. Aprende a ver e a executar o que vê. Tende a assimilar níveis de conhecimento e produção artística e estética cada vez mais complexos, agindo sobre os objetos de conhecimento (desenhos) de diversas culturas, tempos e lugares. (IAVELBERG, 2006)

O desenvolvimento do desenho da criança se dá de forma indissociável ao seu desenvolvimento como um todo. A linguagem verbal, o pensamento lógico, a psicomotricidade, a socialização e a afetividade se desenvolvem ao mesmo tempo, pois a criança é una.

Desenhar a figura humana, ou seja, a si mesma e aqueles com quem convive, é significativo para a criança, pois permite que pense sobre si mesma, seu corpo, sua personalidade.

A construção da figura humana, em sua gênese, é um ótimo pretexto para observarmos o mapa da ampliação da consciência, através de um documento gráfico vivo e orgânico; é um convite para flagrarmos o processo de construção da visão de mundo da criança (DERDYK, 2003)

Ao estudarmos a história da arte percebemos claramente que em todos os tempos o ser humano se ocupou de sua representação: na Grécia antiga escultores como Praxíteles e Fídias procuravam um ideal de beleza, simetria e harmonia que representasse externamente as qualidades humanas. No antigo Egito a arte procurou fixar a história e a magia sob a forma de pinturas, desenhos e esculturas em que se representava não o que se vê, mas o que se sabe. A pintura clássica retratou tanto a constituição social e econômica das sociedades quanto o imaginário religioso que a cristandade pretendia transmitir aos fiéis. A arte moderna procurou desconstruir a idéia unívoca de representação, ocupando-se do corpo humano para lhe dar um caráter multidimensional como vemos em Picasso. E a arte contemporânea ainda se debruça sobre a representação do corpo humano, eventualmente como crítica aos padrões estéticos vigentes.

O que nos interessa neste texto é pensar sobre como o trabalho com a figura humana nas aulas de arte na educação infantil pode ser contextualizado na necessidade do ser humano de compreender a si mesmo. As artes, como linguagens que são, comunicam ideias, preocupações e visões de mundo, permitindo uma revisão, uma melhor compreensão de quem somos e qual nosso lugar no mundo. Na construção da representação da figura humana aprendemos mais sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre os limites Eu-Outro, essenciais na construção da identidade, sobretudo com crianças pequenas.

Tal como a apreensão da forma depende da consistência e da sinalização de suas fronteiras, para a criança a consciência de si depende da percepção de um eu que se distingue de um outro. Qual é a fronteira entre o eu e o mundo exterior, para a criança? A criança confunde essas divisórias, promovendo uma fusão contínua entre o dentro e o fora, entre o psíquico e o físico, confirmando a ausência de um dualismo que instrumentalize o recorte de sua figura no mundo (DERDYK, 2003)

Pensamos, assim, ser essencial incorporar o estudo da figura humana nas aulas de artes, e procuramos uma proposta de trabalho que tome as crianças como autoras de seus próprios conhecimentos e como capazes de se relacionar com a produção artística produzida historicamente pela humanidade, desenvolvendo assim seu percurso criativo de maneira informada pela cultura.

O projeto “Body in Arts”

Dada a importância do conhecimento do próprio corpo pela criança na construção de sua identidade e de sua relação consigo e com o mundo, estruturamos a proposta de trabalho com a figura humana sob a forma do projeto didático “Body in Arts”.
Dentre os objetivos traçados para este projeto esperávamos que as crianças pudessem:
• Manter e ampliar seu interesse nas aulas de artes;
• Ampliar seu conhecimento da língua pelo enriquecimento do vocabulário;
• Desenvolver apreciações de obras de arte como forma de compreendê-las, comunicar suas ideias a apropriar-se de sua linguagem;
• Experimentar diversas formas de representar o corpo humano;
• Ampliar a capacidade de criação através da manipulação de diferentes objetos e materiais, explorando suas características, propriedades e possibilidades de manuseio;
• Conhecer e experimentar algumas técnicas de representação, como o desenho com diferentes suportes e riscantes, e a modelagem com materiais diversos;
• Conhecer algumas obras de arte que representam a figura humana, contrastando-as;
• Ampliar o conhecimento de mundo através da ampliação do repertório estético no contato com obras de diversos pintores e escultores;
• Interessar-se pelas próprias produções, pelas de outras crianças e pelas diversas obras artísticas com as quais entram em contato, ampliando seu conhecimento do mundo e da cultura;
• Produzir trabalhos de arte utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da modelagem e da construção, desenvolvendo o gosto, o cuidado e o respeito pelo processo de produção e criação.
Para atingir esses objetivos, organizamos os conteúdos sob a forma de fatos e conceitos, procedimentos e atitudes, conforme proposto por Zabala (1999). Nosso quadro de conteúdos ficou assim organizado:

Conteúdos Conceituais:
• Leitura de imagens dos artistas propostos: Van Gogh, Goya, Munch, Miró e Sandra Guinle;
• Desenhos de observação do próprio corpo, visto no espelho;
• Desenhos de observação dos colegas de sala;
• Pinturas representando figura humana;
• Auto-retrato;
• Modelagem com massinha representando a figura humana;
• Contato com uma artista contemporânea, Sandra Guinle;
• Nomes das partes do corpo, em inglês;
• Nomes dos materiais utilizados, em inglês;
• Verbos de ação relacionados a atividades artísticas: to draw, to paint, to color, etc

Conteúdos Procedimentais:
• Apreciação de suas próprias produções, das produções dos colegas de classe;
• Apreciação das reproduções dos artistas apresentados;
• Produção de desenhos, pinturas e esculturas sobre a figura humana;
• Produção de fundo para posterior continuação com a produção da figura, e vice-versa;
• Produção de auto-retrato com técnicas variadas;
• Variações de suportes e riscantes, com análise dos resultados obtidos;
• Desenhos livres após apreciação de reproduções das obras apresentadas;
• Desenhos de observação de pessoas;

Conteúdos Atitudinais:
• Prazer e gosto em desenvolver atividades artísticas;
• Disponibilidade para comunicar-se em duas línguas;
• Interesse pela exploração dos materiais de artes;
• Cuidado com os materiais;
• Respeito aos colegas e suas produções;
• Organização ao final das atividades;
• Aumento da capacidade de concentração;
• Desenvolvimento de gosto estético;
• Estímulo à criatividade e à auto-expressão.

É importante destacar o papel da pesquisa do vocabulário e das estruturas lingüísticas específicas a este trabalho, que envolve uma listagem dos nomes das partes do corpo e dos materiais oferecidos às crianças. Uma pesquisa sobre as obras e os artistas apresentados às crianças também é indispensável para dar segurança à própria professora, tanto no que diz respeito à arte em si quanto à linguagem necessária para comunicar e ensinar as crianças.

Essa é uma parte que não pode ser esquecida quando se trabalha conteúdo e língua de forma integrada. Para ensinar a língua é preciso sabê-la, o que parece evidente mas tem implicações nem sempre lembradas. Alguns conteúdos trazem um vocabulário que não faz parte da comunicação diária do professor e que pode ser desconhecido para ele. Portanto, é indispensável familiarizar-se com os termos específicos relacionados ao tema que se trata, sobretudo ao se trabalhar com projetos didáticos, que podem aprofundar-se em alguns aspectos ou mudar de direção durante seu andamento.
Também é importante prever quais serão os materiais necessários às atividades: livros de arte com obras relevantes, livros infantis sobre artes, lista de sites e museus virtuais, material para desenhar, pintar e modelar, superfícies variadas, espelhos, etc.

Informar os pais através de uma carta e dar sugestões de como podem criar em casa conexões com o que as crianças estão aprendendo na escola constitui uma maneira de enriquecer o trabalho pedagógico e aproximar os pais da escola, estabelecendo uma parceria que beneficia as crianças.

Além dessas medidas, o planejamento do professor também delineia uma série de estratégias para atingir estes objetivos, que vão se modificando e se ampliando ao longo do projeto: A proposição de rodas de apreciação de reproduções que apresentavam a figura humana por artistas como Miró, Van Gogh, Munch e outros; a visita a museus e espaços expositivos em visitas temáticas monitoradas; a produção de desenhos de imaginação, de observação e de memória; a construção de esculturas representando a figura humana; o desenho de auto-retrato diante do espelho; o trabalho individual, em dupla e em grupo na produção de obras da turma; a roda de apreciação das produções das próprias crianças; a construção de textos coletivos registrando aprendizados; a seleção de obras e a montagem de uma exposição com os trabalhos produzidos são algumas estratégias possíveis no âmbito deste projeto.
E como se trata de um projeto, a reapresentação dos conhecimentos construídos pelas crianças à comunidade sob a forma de um produto final compartilhado vem dar sentido social às aprendizagens. A proposta de apresentar uma exposição com os trabalhos das crianças valoriza estes trabalhos,

Avaliação das aprendizagens

Para documentar o processo de aprendizagem foi montado um portfólio para cada criança com amostras representativas de seu trabalho e sua evolução. O portfólio também continha fotografias, anotações da professora, relatórios, e tornou-se um documento que evidenciava e apoiava a aprendizagem das crianças, útil para elas mesmas, para as professoras e para os pais.

Documentar esta aprendizagem permitiu que todos percebessem como as produções das crianças foram se modificando. Pela observação de seu corpo, pela reflexão sobre as formas de representar, pela apreciação das obras de diferentes artistas, as crianças foram desenvolvendo sua observação, apropriando-se dos elementos figurativos que compõe a linguagem do desenho, experimentando o uso desses elementos em suas obras e encontrando mais prazer ao produzi-las.

“At the beggining of the project I drew the eyes (as) balls, the second I draw the eyes different. I learnt because I saw my eyes.” (Júlia H.)‏
Nesse trabalho as crianças aprenderam uma série de conhecimentos em arte que se relacionam a outras áreas do conhecimento e que as ajudaram a desenvolver-se de modo integral. Em um trecho da avaliação feita pela professora, colocada no portfólio de um aluno junto com suas atividades de desenho, alguns desses aprendizados foram evidenciados:

Os momentos de troca e parceria contribuíram para que Marcelo e seus amigos começassem a perceber alguns detalhes que estão presentes no nosso rosto e fazem com que sejamos diferentes um dos outros. Através desses momentos de observação e de apreciação de outras obras de diferentes épocas e técnicas, as crianças começaram a utilizar o seu novo conhecimento em suas próprias produções, pois sabemos que a Arte é um produto da criatividade humana que, mediante conhecimentos, técnicas e um estilo todo pessoal, transmite uma experiência de vida ou uma visão de mundo, expressando verdades humanas e despertando emoções em quem a usufrui.
Luana: “Nossa, there’s a small ball in my eye, and it’s darker.”
Lucas: “Meu cabelo é bem claro, né?” (Lucas estava puxando conversa com a amiga Júlia H. ao se olhar no espelho e ver suas características físicas).
Júlia H: “Yes, but my hair is bigger”.
Priscilla: “I like my hair because it’s black. I’ll have to use a black pen to draw my hair.”
Bárbara: “A mouth da Ari is very big”.
Júlia P: “My nose has two balls, I think it’s funny. Look” (Júlia estava pedindo para Marcelo e Priscila olharem para dentro do seu nariz).
Marcelo: “My nose is big.”
Observando seu caderno de desenho, podemos perceber que Marcelo utilizou seu novo conhecimento em suas últimas produções, prestando cada vez mais atenção nos detalhes e nas formas. Além disso, sua coordenação motora está cada vez mais desenvolvida, apresentando avanços significativos no controle de seus movimentos e no tremor da linha. Entretanto, percebo que Marcelo utiliza muita força para segurar o lápis, fazendo com que se canse com mais facilidade e rapidez durante uma atividade. Procuro conversar com ele e mostrar que existem diversas maneiras que ele pode utilizar para segurar um riscante qualquer e que ele deve optar pelo que mais o agrada e lhe dê segurança.


A competência comunicativa das crianças varia muito, principalmente em função do tempo em que freqüentam a escola. Mas como podemos ver no excerto acima, as crianças conseguiram se apropriar da segunda língua e utilizá-la para expressar suas ideias e conhecimentos.

O aprendizado dos conteúdos trabalhados pela professora em artes se relaciona com o desenvolvimento das crianças como um todo, seja na construção de sua consciência corporal, no desenvolvimento psicomotor, na percepção e na atenção, na linguagem oral e na socialização. Isso não significa que a arte deve estar subordinada a outras exigências de formação das crianças, mas sim que o desenvolvimento infantil é integrado de tal forma que a ampliação de conhecimentos sobre artes (como em outras áreas) se reflete na formação da criança como um todo.

Além do conhecimento de si mesma, que a criança tem ao desenhar, ganha compreensão do mundo. Ela desenha porque existe desenho no mundo. Aprende a ver e a executar o que vê. Tende a assimilar níveis de conhecimento e produção artística e estética cada vez mais complexos, agindo sobre os objetos de conhecimento (desenhos) de diversas culturas, tempos e lugares [IAVELBERG, 2006].

Reflexões sobre o trabalho
Um projeto didático prevê uma grande participação das crianças na resolução de situações-problema, na proposição de atividades e na definição dos caminhos a seguir. Conosco, aconteceu de o projeto que inicialmente tinha sido pensado para durar um semestre e envolver as linguagens do desenho e da pintura, ganhar tridimensionalidade, saltando da superfície do papel para o espaço, e se prolongando pelo segundo semestre para estudarmos a modelagem e a escultura.
Essa guinada se deveu à descoberta, pela professora, das obras de Sandra Guinle, que tinham sido expostas no ano anterior em São Paulo na mostra “Cenas Infantis”. Encantada com a delicadeza das esculturas e com a temática da vida das crianças, a professora quis trazer aos seus alunos a oportunidade de conhecer esta artista.

Como no momento da realização do projeto não havia obras de Sandra Guinle expostas, foi através do site que as crianças puderam conhecer suas obras que retratam as brincadeiras e o dia-a-dia de crianças em esculturas de bronze de grande simplicidade e delicadeza.

Estabelecer uma comunicação com a artista através de e-mails aproximou as crianças da idéia de que o artista é uma pessoa real, alguém com uma história presente, e que elas também podem, se quiserem, tornar-se artistas no futuro. Sandra foi muito receptiva e acessível, e quis também ver o trabalho das crianças, que foi enviado por e-mail.

Este projeto foi se modificando durante seu percurso, e enriquecendo-se com o envolvimento das crianças e da professora. A reflexão permitiu que um equilíbrio fosse buscado: quando os desenhos das crianças começaram a mostrar um compromisso muito grande com a realidade representada, tanto em termos de formas quanto de cores, a sensibilidade da professora trouxe obras menos comprometidas com a verossimilhança entre a arte e a natureza, como Miró. Assim, buscou-se apresentar uma variedade de elementos da arte de que as crianças poderiam lançar mão em suas produções sem perder de vista suas características pessoais e seu pensamento de magia e fantasia.

Vimos o quanto o papel do professor como pesquisador é essencial na construção de seu percurso profissional e na realização de um trabalho sério e consistente em sala de aula. Procuramos superar a visão tradicional e utilitarista que coloca a arte a serviço de outras disciplinas, sem cair na tendência espontaneísta de simplesmente deixar que as crianças explorem materiais livremente e descubram por si o que há para aprender sobre artes.

Reconhecemos que esta mudança de paradigma implica pelo menos duas dificuldades: A primeira é que nós mesmas, como professoras, não vivenciamos um percurso autoral de construção de conhecimentos sobre artes em nossa educação escolar, e carregamos conosco nossas vivências como alunas, que precisamos superar. A segunda é que dá muito trabalho perceber e preencher possíveis lacunas de nossa formação docente, aprendendo mais sobre didática da arte, história da arte, abordagem de ensino integrado de língua e conteúdo. Porém, decidimos enfrentar estes desafios, imbuídas da certeza de que podemos fazer um bom trabalho com nossos alunos.

Desde a educação infantil podemos propiciar um universo rico de aprendizagens em desenho, expandindo o universo cultural das crianças, trabalho que pode seguir orientado pelas ideias em ação das crianças. Essas ideias, motores dos atos de desenho, são construídas, primordialmente, na prática desenhista e na interação de cada um com a diversidade dos desenhos presentes nos ambientes.(IAVELBERG, 2006)

Quisemos compartilhar nossa experiência com outras professoras acreditando no poder da troca, da partilha e da construção conjunta de conhecimentos. Conhecemos os desafios enfrentados pelos que ainda ousam educar, mesmo em meio a tantas dificuldades enfrentadas no exercício de nossa profissão.

Partilhemos nossas dúvidas, nossas angústias, nossas críticas e aflições, pois se é o diálogo que nos mantém vivos, como dizia Paulo Freire, é o diálogo com os colegas que nos faz professores. Esta pode ser a mais difícil, mas é, com certeza, a mais necessária das profissões. Não vale a pena acreditar que podemos transformar tudo. Não podemos. Não vamos conseguir criar uma escola que vai salvar a sociedade. Mas quem é professor não deixa nunca de acreditar, sabe que renunciar às ilusões não quer dizer renunciar às diferenças. Significa nunca deixar de ter esperança [NÓVOA, 2004].

Referências:
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília, MEC/SEF, 1998
DERDYK, Edith. O desenho da figura humana. 2 ed. São Paulo, Scipione, 2003.
IAVELBEG, Rosa. O desenho cultivado na criança: prática e formação de educadores. São Paulo, Zouk, 2006
MEHISTO, Peeter, MARSH, David e FRIGOLS, Maria Jesus. Uncovering CLIL: Content and language in bilingual and multilingual education. Oxford, Macmillan, 2008
MOURA, Selma de Assis. Quem de repente aprende: uma experiência de formação continuada em artes com professoras polivalentes na educação infantil. Revista Digital Art&. Disponível em http://www.revista.art.br/site-numero-10/trabalhos/18.htm
MOURA, S. M. Arte-educação para quê? Razões para ensinar arte. In: INSTITUTO ARTE NA ESCOLA. Monografias e Teses. Disponível em http://www.artenaescola.org.br/pesquise_monografias_texto.php?id_m=241
NÓVOA, A. Os professores na virada do milênio: do excesso dos discursos à pobreza das práticas. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 25, n. 1, p.11-20, jun 1999.
ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

Site:
WWW.sandraguinle.com.br

quinta-feira, 30 de abril de 2009

IATEFL Young Learners and Teenagers SIG & Systemic

INTERNATIONAL CONFERENCE on 'Content Based Instruction (CLIL) for Young Learners: Breaking through Traditional Boundaries', in Maceió, Brazil July 8th – 10th, 2009.

You can check out details at:
http://www.cbiintlconferenceyl.com.br/

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Palestra: O verbal e o gestual na língua de sinais brasileira

O Grupo de Estudos Semióticos convida para a palestra do FAPS – Fórum de Atualização em Pesquisas Semióticas, a ser proferida pelos Professores Leland McCleary (DLM-FFLCH-USP) e Evani Viotti (DL-FFLCH-USP) no dia 08 de maio de 2009.

Palestra:
O verbal e o gestual na língua de sinais brasileira

O Grupo de Estudos Semióticos (GES-USP) do Departamento de Linguística convida para a próxima palestra do FAPS – Fórum de Atualização em Pesquisas Semióticas, que será proferida pelos Professores Leland McCleary (DLM-FFLCH-USP) e Evani Viotti (DL-FFLCH-USP). A conferência conjunta acontece no dia 08 de maio de 2009, às 11h30, na sala 260 do prédio de Letras.

Na ocasião, os docentes convidados falarão a respeito da língua de sinais brasileira (LIBRAS) e sobre o papel dos componentes gestual e verbal para a construção dos discursos nessa língua.
A palestra será aberta a todos os que desejarem participar.

Todas as informações, incluindo resumo da palestra, estão disponíveis no link:
http://www.fflch.usp.br/dl/semiotica/faps/2009/leland-evani-faps2009.html

Data: sexta-feira, 08 de maio de 2009
Horário: das 11h30 às 13h00
Local: Prédio de Letras USP, Sala 260

Evento aberto e gratuito.

Fonte: Departamento de Linguística - FFLCH-USP.

sábado, 25 de abril de 2009

Divulgando pesquisa: Dissertação de Mestrado de Aline Paulino da Rosa

ROSA, Aline Paulino da. É o professor quem diz quando se fala?: a tomada de turnos de fala em atividades diferentes em uma turma de 1ª série em educação bilíngüe
Dissertação de Mestrado em Linguística Aplicada- UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008

RESUMO:
Esta pesquisa tem como objetivo investigar a sistemática de tomada de turnos empregada em duas atividades diferentes, a saber, a hora da rodinha e a contação de histórias, em uma sala de 1ª série de educação bilíngüe. Os conceitos teóricos e a fundamentação metodológica estão embasados na Análise da Conversa Etnometodológica (ACE) e na Microetnografia Escolar. O corpus da análise se constitui de cerca de 4 horas gravações audiovisuais realizadas em uma escola particular de Porto Alegre que possui um currículo de educação bilíngüe (português – inglês). Após a análise dos dados verificou-se uma diferença significativa quanto à organização da sistemática empregada nas duas atividades. Foi observada a livre tomada dos turnos pelos alunos e o conseqüente direcionamento da atividade durante a contação de histórias resultando em um gerenciamento mais local dos turnos de fala. Por outro lado, em função da natureza organizacional da atividade de hora da rodinha, constatou-se um controle mais rígido das auto-seleções e um acesso mais restrito ao piso conversacional gerenciado pela professora. Além disso, após a análise das interações em cada uma delas, verificou-se também uma maneira diferenciada de participação dos alunos corroborando a asserção de que há um movimento de mudança no padrão interacional esperado para esse cenário. A maneira pela qual os alunos tomam os turnos de fala, o teor de determinadas contribuições e algumas respostas dos professores para essas ações podem remeter a “um aparente caos”. Contudo, uma análise detida das interações revela um alto engajamento dos alunos e uma construção conjunta da participação durante as atividades propostas.

Texto completo disponível em http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/15319/000677870.pdf?sequence=1
000677870

Divulgando pesquisa: Dissertação de Mestrado de Ana Paula Barbosa Risério Cortez

RISÉRIO CORTEZ, Ana Paula Barbosa. A língua inglesa como objeto e
instrumento mediador de ensino-aprendizagem em educação bilíngüe
. São
Paulo: 185 pp, 2007.
Orientadora: Professora Doutora Fernanda Coelho Liberali.
Dissertação (Mestrado em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem)
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2007.
Áreas de Concentração: Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem.
Palavras-chave: Educação Bilíngüe, Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural.

RESUMO:
O objetivo deste trabalho é discutir o papel da língua inglesa como ferramenta Mediadora em educação bilíngüe. O estudo está fundamentado na Teoria da Atividade
sócio-histórico-cultural (Vygotsky, 1933-1935/1934, Leontiev, 1977-1978), que, por sua vez, apóia-se na concepção sócio-histórico-cultural do desenvolvimento (Vygotsky,
1933,1935), bem como na compreensão dialógica da linguagem (Bakhtin, 1981). Também
utiliza as visões a respeito de educação bilíngüe presentes no trabalho de Hamers e Blanc 2000). Trata-se de uma pesquisa-ação crítica (Kincheloe, 1997), uma vez que há
avaliação, reflexão e reconstrução da própria prática, em um paradigma crítico, inserida no contexto educacional bilíngüe, visando à transformação e a novas alternativas para os envolvidos na pesquisa e a novos horizontes em ensino-aprendizagem bilíngüe. Esta investigação inclui a professora-pesquisadora e a turma de alunos da sexta série do ensino fundamental de uma escola bilíngüe na cidade de São Paulo. O estudo foi conduzido durante o segundo bimestre letivo do ano 2005 e o material coletado compõe-se por gravações em vídeo das aulas do período, com seleção dos dados, a partir de análise inicial. Os resultados apontam que nas aulas de língua inglesa o objeto da atividade é o inglês, contemplado em uma visão enunciativa. É constituído para se tornar ferramenta para-resultado, utilizado para expandir a compreensão dos alunos sobre a própria língua. É instrumento-e-resultado quando é interpretado, contestado e expandido durante os debates entre professora e alunos. Nas aulas de estudos sociais, o inglês é o objeto quando se refere a novo vocabulário, conteúdo gramatical ou gêneros que possam fazer parte da atividade. É ferramenta-para-resultado quando é utilizado sem uma reflexão maior ou sem grandes questionamentos por parte dos alunos a respeito dos conceitos relativos à área. O inglês é ferramenta-e-resultado nas aulas de estudos sociais em momentos nos quais existem questões para expandir e fazer correlações entre conceitos, e a língua assume um papel para além de sua estrutura, servindo para constituir o próprio
objeto de estudos sociais. A discussão dos resultados aponta que, nessa perspectiva, a linguagem expande a si mesma e ao conteúdo da área, nas duas disciplinas.

Texto completo disponível em http://www.sapientia.pucsp.br//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=4336

Literatura Infantil Bilíngue: Conheça Glória Kirinus


Ainda é difícil encontrar materiais de boa qualidade que apoiem e enriqueçam o trabalho com as língua na educação bilíngue respeitando a criança e integrando aspectos culturais relacionados às duas línguas, não é mesmo?

Por isso, descobrir os livros infantils de Glória Kirinus me deixou muito feliz. Utilizando uma linguagem poética tanto nos textos quanto nas ilustrações, o português e o espanhol se aproximam na tecedura das histórias.

Alguns de seus livros são:

* Te conto que me contaram / Te cuento que me contar. Com ilustrações de Fernando Cardoso. Editora Cortez.

* Quando chove a cântaros / Cuando Llueve a cantaros. Com ilustrações de Graça Lima. Editora Paulinas

* O galo cantou por engano / El gallo canto equivocado. Editora Paulinas.

* Quando as montanhas conversam / Cuando los cerros conversan. Com ilustrações de Graça Lima. Editora Paulinas.

Glória Kirinus é doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP, mestre em Literatura Brasileira pela PUC-RJ, especialista em Literatura Brasileira pela UFPR e pós-doutoranda C.E.A.Q /Sorbonne - Paris. Escreveu o livro teórico “Criança e Poesia na Pedagogia Freinet”, publicado pela Editora Paulinas. Para conhecer mais sobre ela e seu trabalho acesse o site http://www.gloriakirinus.com.br

Espero que gostem da dica! Bom fim de semana,

Selma

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Seminário Identidade e Diversidade Cultural - Para uma cultura da convivência do diverso

Identidade e diversidade cultural - conceitos em debate que se encontram associados a sistemas de representação das relações entre indivíduos e grupos, questões de direcionamento sexual, de hibridismos, da crítica à noção de raça à ênfase na etnicidade, das diferenças culturais, das novas identidades políticas e das singularidades. Indígenas, quilombolas, migrantes, refugiados, ciganos, homossexuais, latino-americanos fazem-se presentes como atores políticos e sociais a partir das diferenças de gênero, culturais e étnicas.

O campo da cultura torna-se instrumento de definição de políticas de inclusão social, de promoção do respeito e de uma cultura da paz. Mesas de debate, colóquio, conferências, filmes, apresentações artísticas e lançamento de livro.

Público Alvo: educadores, intelectuais, ativistas e lideranças de organizações não-governamentais, estudantes e demais interessados no tema. Local Teatro Paulo Autran.

Inscrições pelo Portal SESCSP a partir de 01/05 ou pessoalmente na Central de Atendimento do SESC Pinheiros.

Grátis

De 19/05 a 21/05. Terça, das 20h às 22h.; Quarta e quinta, das 14h30 às 21h.

SESC Pinheiros

sábado, 18 de abril de 2009

Educação bilíngue no Brasil: possibilidades e desafios rumo a uma sociedade lingúistica e culturalmente plural

Convido os colegas à leitura de um trabalho que apresentei na Semana da Educação da FEUSP (Faculdade de educação da USP) em setembro último. Talvez algumas idéias do texto possam contribuir para debates.

O texto original encontra-se nos anais do evento, disponíveis no link http://www3.fe.usp.br/secoes/semana08/completos/103.swf. O título desta postagem é um link direto para o trabalho.

Abraços e bom feriado,

Selma de Assis Moura

sábado, 11 de abril de 2009

Matéria na Folha Equilíbrio sobre Educação Bilíngue

19/03/2009 - 10h06
Quanto mais cedo se aprende idioma, melhor, dizem especialistas
RACHEL BOTELHO, da Folha de S.Paulo
(originalmente disponível em http://www.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u537179.shtml)

Já não se discute mais a importância do inglês na vida profissional ou, antes disso, no acesso ao mundo de informações e ferramentas disponíveis na internet. A dúvida, agora, parece estar na melhor época para aprender o novo idioma a ponto de dominá-lo no futuro.

Para os especialistas ouvidos pela Folha, a resposta é: quanto mais cedo, melhor. "Ao nascer, o cérebro tem uma plasticidade neural muito grande, uma capacidade de aprendizado que declina com a idade. E, para algumas habilidades, como essa, declina mais rapidamente do que para outras", afirma o neurocientista Marcus Vinícius Baldo, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo e presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento.

Sabrina Camargo Viertler, de um ano e oito meses, faz atividade na escola Cidade Jardim-Play Pen, localizada em São Paulo
Nas casas em que se fala somente um idioma, as escolas de educação infantil bilíngue são o caminho mais natural. Desde 2005, cerca de 40 instituições do gênero abriram as portas no país, segundo a Organização das Escolas Bilíngues do Estado de São Paulo. Só no Estado, estima-se que existam 50.

A maioria delas recebe bebês com pouco mais de um ano de idade para uma imersão na língua, quando todas as atividades são feitas no segundo idioma. Dos cinco aos sete anos, ocorre o processo de alfabetização -em português, na maioria dos casos. "É importante que a alfabetização seja feita na língua materna e em tempos diferentes [do inglês] porque o método é completamente diferente nas duas línguas", diz Eliane Gomes Nogueira, membro da Organização das Escolas Bilíngues do Estado de São Paulo.

Segundo Marizilda Guimarães Martins, mestre em educação infantil bilíngue, a alfabetização ocorre uma só vez, mas o conhecimento é automaticamente transferido para outro idioma em que a criança já tenha habilidade oral.

Muitos pais, entretanto, temem que a exposição concomitante a dois idiomas confunda as crianças e prejudique o aprendizado da primeira língua. A publicitária Camila Travesso, 37, deixou as ressalvas de lado e matriculou os três filhos, de um a seis anos, em uma escola bilíngue. "Achei que daria um nó na cabeça deles, mas não dá. Sinceramente, não vejo nenhum ponto negativo", diz.

Para Terezinha Machado Maher, especialista em ensino bilíngue do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, a exposição a uma ou mais línguas estrangeiras é sempre benéfica. "Há um mito de que pode causar confusão mental na criança, mas não é verdade. Existem na África regiões com um grau de densidade linguística muito grande em que as crianças falam cinco ou seis línguas sem problemas. Nós subutilizamos nossa capacidade de aprendizado", diz.

No início, é natural que um idioma interfira no outro, mas trata-se de um processo natural e passageiro. "É o que se chama de troca de código, mas está provado que se trata de um enriquecimento cognitivo, não de um empobrecimento", diz Marizilda Guimarães Martins.

Outro aspecto positivo é a suavização -ou mesmo ausência- de sotaque. "As crianças estão preparadas para falar mais fonemas do que nós, por isso raramente temos uma pronúncia exata de uma língua que aprendemos mais tarde", diz.

Segundo Terezinha Maher, problemas podem surgir apenas se a criança for alfabetizada em outra língua que não a materna. "Ela precisa conhecer bem a língua. Nas décadas de 1980 e 1990, algumas escolas insistiam em alfabetizar em inglês. Passados cinco anos, a criança era um leitor precário em ambas", afirma.

Para evitar frustrações, os pais devem acompanhar de perto a fase de alfabetização. "O material de leitura e as primeiras tarefas de escrita devem ser em português", diz.

Dica para quem estuda ou se interessa pela educação indígena



Para quem quer começar a pesquisar a educação indígena, a educação bilíngue línguas indígenas/português, a educação intercultural e outros temas semelhantes, um bom ponto de partida é o site da ONG Instituto Socioambiental, que traz informações muito úteis, como a Enciclopédia dos Povos Indígenas do Brasil, além de muitos dados sob a forma de tabelas, quadros, mapas e notícias.

O site é http://www.socioambiental.org/prg/pib.shtm. (Clicando no título dessa postagem você já vai direto pra lá. Espero que aproveite a dica.

Abraços,
Selma

Seminário de Formação: A Intercompreensão: Pesquisas, Dispositivos de Formação, Oferta Curricular

A INTERCOMPREENSÃO: PESQUISAS, DISPOSITIVOS DE FORMAÇÃO, OFERTA CURRICULAR
SEMINÁRIO DE FORMAÇÃO
2009: ANO DA FRANÇA NO BRASIL

DE 4 A 6 MAIO DE 2009 - MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA – SÃO PAULO

CONFERENCISTAS

Christian Degache - Maître de conférences HDR - Université Grenoble 3

Dolores Alvarez - Directrice de la Promotion et de l’Enseignement des Langues - Union Latine

Manuel Tost - Professor Catedrático Emérito - Universitat Autònoma de Barcelona

Maria Helena Araújo e Sá – Professora Catedrática - Universidade de Aveiro

Patrick Chardenet - Directeur Délégué Langue française, diversité culturelle et linguistique - Agence Universitaire de la Francophonie

PROGRAMA

04 MAIO

09h30 - 10h00 : Abertura

• Antonio Carlos Sartini - Superintendente do Museu da Língua Portuguesa

• Jean-Martin Tidori - Attaché de Coopération et d’Action Culturelle - Service Culturel du Consulat Général de France

10h00 - 11h30 : Conferências-debates

• Patrick Chardenet : Ensino e pesquisa, uma abordagem integrada para os departamentos universitários de línguas

• Dolores Alvarez : Políticas interlinguísticas nos espaços românicos (África, Américas, Ásia e Europa): a atividade da União Latina

11h30 - 11h45 : Intervalo

11h45 - 12h45 : Conferência-debate

• Manuel Tost : Experiências européias e latino-americanas no campo da intercompreensão: abordagem, públicos, pesquisa, formação

12h45 - 14h15 : Intervalo para almoço

14h15 - 15h15 : Apresentação de ferramentas

• Manuel Tost / Dolores Alvarez : Itinerários Românicos

15h15 - 16h15 : Apresentação de ferramentas

• Christian Degache/ Maria Helena Araújo e Sá : Galanet et Galapro

05 MAIO

09h30 - 12h30 : Oficina de iniciação (1) - Manuel Tost / Christian Degache / Maria Helena Araújo e Sá

12h30 - 14h00 : Intervalo para almoço

14h00 - 17h00 : Oficina de iniciação (2) - Manuel Tost / Christian Degache / Maria Helena Araujo e Sá

06 MAIO

09h30 - 10h30 : Maria Helena Araújo e Sá

Temas de pesquisa: As atividades metalinguageiras nos bate-papos on-line plurilingues romanófonos.

10h30 - 11h30 : Christian Degache

Temas de pesquisa: Os fatores não-linguísticos: questões interculturais e intercompreensão.

11h30 - 11h45 : Intervalo

11h45 - 12h45 : Manuel Tost

Temas de pesquisa: Como se dá a compreensão?

12h45 - 14h15 : Intervalo para almoço

14h15 - 15h30 : Balanço :

Claudine Franchon Cabrera – Attachée de Coopération pour le Français - Consulat Général de France

Dolores Alvarez

Patrick Chardenet

Sítio do evento:

http://www.auf.org/communication-information/agenda/seminaire-national-l-intercomprehension-recherche-dispositif-de-formation-offre-curriculaire.html?var_recherche=l%27intercompr%C3%A9hension

domingo, 5 de abril de 2009

XII SILEL - Simpósio Internacional de Letras e Linguística

O Instituto de Letras e Lingüística da Universidade Federal de Uberlândia realizará, entre os dias 17 e 19 de novembro de 2009, no campus Santa Mônica, na cidade de Uberlândia – MG/Brasil, o XII SILEL - Simpósio Nacional de Letras e Lingüística / II Simpósio Internacional de Letras e Lingüística.

A proposta do evento é promover a reflexão em torno dos Estudos Lingüísticos e dos Estudos Literários, configurando-se como um espaço de discussão e circulação de idéias e trabalhos que fundamentam as principais linhas de pesquisa que compõem essas áreas.

Em sua última edição, o SILEL contou com 2639 participantes de 26 estados brasileiros e de 10 países diferentes, o que determinou a qualidade e a amplitude dos debates realizados, posteriormente publicados em dois livros.

O evento reunirá conferências e mesas-redondas compostas por renomados pesquisadores do Brasil e do exterior; comunicações orais, que devem fazer circular trabalhos de professores e pós-graduandos; e painéis, que contemplarão, além de pesquisas realizadas por alunos de pós-graduação, as reflexões de pesquisadores iniciantes. A fim de alcançar maior integração e articulação entre os pesquisadores, as comunicações orais serão organizadas em Grupos Temáticos (GTs) coordenados por professores doutores vinculados a um programa de pós-graduação, de modo que os trabalhos apresentados, enfeixados sob um tema comum, proporcionem profícuos debates.

As inscrições e a submissão de trabalhos serão realizadas obedecendo ao seguinte calendário:
De 02/03/2009 até 16/03/2009 – para coordenação de Grupo Temático;
De 31/03/2009 até 18/05/2009 – para comunicação em Grupo Temático;
De 30/04/2009 até 30/05/2009 – para apresentação em painéis.

Outras informações a respeito de valores, submissão de trabalhos, organização de Grupos Temáticos e formatação de originais podem ser encontradas no sítio do evento (http://www.ileel.ufu.br/silel2009) ou pelo email silel.ufu@gmail.com.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pós-Graduação Multidisciplinar em Culturas e Identidades Brasileiras

Mestrado Strictu Sensu - Instituto de Estudos Brasileiros
Área de Concentração: Estudos Brasileiros

Da próxima segunda-feira (dia 6) até o dia 17 de abril, estarão abertas as inscrições para o preenchimento das vagas de mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação em Culturas e Identidades Brasileiras do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. O programa, com área de concentração em “Estudos Brasileiros”, tem o objetivo de realizar pesquisas e desenvolver reflexões sobre a sociedade brasileira.

As linhas de pesquisa são “Sociedade e Cultura na América Portuguesa e no Brasil” e “Brasil: a Realidade da Criação, a Criação da Realidade”. A primeira trata das culturas em sua expressão mais ampla, na complexidade das relações entre grupos sociais; a segunda aborda como o documento - seja discurso, imagem, som (independentemente da mídia em que se encontra registrado) - é conformado pelo universo social daqueles que o produzem, enquanto também conforma esse mesmo universo.

As inscrições devem ser feitas no IEB, localizado à Av. Professor Mello Moraes, Travessa 8, 140, Cidade Universitária, São Paulo. Para informações sobre documentos e acesso ao edital do processo seletivo, consultar o site www.ieb.usp.br.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Seminário "Aprendizagem do Francês, Identidades Plurilingues e Interculturalidade"

Rio de Janeiro, 29 e 30 de abril

A partir da iniciativa de pesquisadores franco-brasileiros do Centro de Pesquisa Interuniversitário EXPERICE (Universidade de Paris XIII / Norte – Universidade de Paris VIII) em colaboração com o Centro de Pesquisa sobre a diversidade linguistica da francofonia (CREDILIF) - Pluralismo, Representações e Expressões Francofonicas (PREFics) (Universidade Européia da Bretagne - Rennes II) realiza-se sob a égide do Ano da França no Brasil 2009 o Seminário Franco-Brasileiro de Aprendizagem do Francês, Identidades Plurilíngues e Interculturalidade tendo como tema central a interculturalidade no domínio das ciências da educação e da didática do FLE (francês língua estrangeira).

O Colégio Franco-Brasileiro e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em colaboração com a Universidade de Paris XIII/ Norte – EXPERICE convidam os colegas a participarem do Seminário Franco-Brasileiro de Aprendizagem do Francês, Identidades Plurilingues e Interculturalidade que será realizado no Rio de Janeiro, no Colégio Franco-Brasileiro, nos dias 29 e 30 de abril de 2009 com o intuito de ampliar as trocas acadêmicas entorno da temática central da interculturalidade, múltiplas identidades, culturas e formação no domínio da aprendizagem do francês língua estrangeira (FLE) e das ciências da educação.

O Seminário Franco-Brasileiro de Aprendizagem do Francês, Identidades Plurilíngues e Interculturalidade possibilita o intercâmbio de novas interrogações, abordagens e leituras por parte dos conferencistas, dos palestrantes e dos expositores de trabalhos dos diversos paises e instituições participantes, sobretudo os franco-brasileiros, além da perspectiva de criação de novas redes investigativas plurais, nacionais e internacionais cada vez mais necessárias à pesquisa científica.

Maiores informações em www.siaf.comunicar.pro.br

sábado, 14 de março de 2009

Curso de Introdução à Língua e Cultura Suaíli - FFLCH-USP, em SP

O Centro de Línguas da FFLCH-USP comunica que estão abertas as
inscrições para o curso Introdução à Língua e Cultura Suaíli.

Para mais informações, consulte o site do Centro de Línguas (www.fflch.usp.br/cl).

Atenciosamente,
--
Centro de Línguas da FFLCH - USP
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Universidade de São Paulo
Av. Prof. Lineu Prestes, 159 - sala 5 - Subsolo (Casa de Cultura Japonesa)
Cidade Universitária - São Paulo - SP - Brasil
Tel./Fax: + 55 11 3091 2416
e-mail: clinguas@edu.usp.br

quarta-feira, 11 de março de 2009

Curso para professores na Red Brick, em SP



(Clique na imagem para ampliá-la)

sábado, 7 de março de 2009

Formação de Professores de Inglês no Alumni

A formação dos professores é essencial no sucesso acadêmico dos alunos. Por isso, compartilho uma dica de curso de formação internacional de professores de inglês realizado no Alumni, em São Paulo. Seguem informações abaixo.

Selma


World Learning SIT TESOL Certificate Program at Alumni

• What is it?
The WL-SIT TESOL (Teaching English to Speakers of Other Languages) Certificate Program is an intensive 130-hour course, which provides participants with practical knowledge and skills in teaching English to speakers of other languages (ESOL), as well as tools for reflection and growth in one’s work as a teacher. Participants who satisfactorily complete the requirements of the course receive certificates from the School for International Training (SIT), Brattleboro, VT, and USA. For further information on the course, which includes a section with Frequently Asked Questions, please visit the World Learning site (www.worldlearning.org). Once on the site, please click on “Professional and Continuing Education and Services” and then on “SIT TESOL Certificate Program."

• Who is it for?
People interested in teaching English to speakers of other languages. Although targeted at participants with little or no previous teaching experience, the course helps experienced professionals reflect on and effect changes in their current classroom practice. Since the course focuses on teaching methodology, not necessarily on language improvement, participants must demonstrate English proficiency (orally during the interview and in writing through their application essay) in order to take the course. Besides, a minimum TOEFL score of 550 or equivalent is required of non-native speakers of English.

Our goal is for participants to feel comfortable when participating in classroom discussions, when writing their reflective assignments, and when explaining grammar / vocabulary and correcting pronunciation while teaching their EFL learners. Former participants (both native and non-native speakers of the English language) have found it helpful to use any of the many grammar books available in the market to review structures and other topics before the course starts.
Please note that Alumni will only form groups with a minimum of 8 and a maximum of 12 participants.

• Where?
The only place to offer the course in Brazil is Associação Alumni, a highly-reputed US-Brazil Binational center in São Paulo. The course is usually offered at our Jardins Branch, located at Rua Padre João Manuel 319. Tel. 55-11-3067-5322. The building is within walking distance from the Consolação subway station. Upon specific requests and depending on what individual needs are, Alumni can provide basic orientation to participants, but it is the responsibility of each individual to arrange flights, visas, housing, and payment in Brazilian currency (Reais).

• What´s the typical schedule? Intensive courses (January or July) run over a four-week period with classes all day long from 9 AM to 6 PM. Sessions are from Monday to Friday with occasional half-day sessions on Saturdays. Time outside the classroom is spent on reading, writing, and planning lessons. It is virtually impossible to be working during the course, even with private students. Extensive courses run over a four-month period. Sessions are all-day long on Fridays plus half-day sessions on Saturdays. Some of our former participants have worked part-time while taking the extensive course.

• How does it work? The program provides practical training through demonstrations, lesson planning, practice teaching, self-reflection, analysis, and feedback. Participants develop skills in teaching speaking, listening, reading, writing, grammar and culture. During the program, participants (a) attend workshop sessions with trainers, (b) meet with course peers to plan lessons with trainers’ guidance, supervision and support, (c)teach EFL lessons to “volunteer” students recruited by Alumni, and (d)use their time outside the classroom to read articles, write essays, prepare materials for their teaching, etc.

• How are participants evaluated? Participants are evaluated on the basis of their lesson planning, teaching and analytical skills when reflecting on their classroom practice. At the end of the program, participants turn in a portfolio with evidence of their coursework and present a kit with their teaching tools. The course works on a pass-fail basis, with no grades allotted, but participants do receive a detailed evaluation letter signed by all course trainers. They also get a Certificate from SIT, mailed to Alumni about four weeks after the course ends. Participants meet individually with a trainer at different points in the course to review both strengths and areas that need improvement to ensure that teachers know exactly where they stand before the course finishes.

How much is it?
The fee for this 130-hour program is R$ 3.877,00. If the course is an intensive one, full payment must be received before the end of the first week of the program. If the course is an extensive one, the first installment is due at registration and the remaining amount is spread out over the following months, but participants must finish paying for the program before the last session. Please note that Alumni does not offer discounts or scholarships for this program.

•How can I register or get more information?
By emailing fabio.carazzi@alumni.org.br, wagner@alumni.org.br or silvia@alumni.org.br

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Reportagem sobre o cérebro bilíngüe na Revista Educação

Por um cérebro bilíngüe
Texto originalmente disponível em http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=11862

Pesquisa detecta os momentos ideais para se aprender uma segunda língua

Temos em média 100 bilhões de neurônios que se comunicam pelas chamadas sinapses, as quais levam e registram informações. A lembrança numérica é do biólogo Rodrigo Collino, que faz pesquisas em neurociências. Num mundo em que a palavra de ordem é "globalização", esse conhecimento aparentemente quantitativo do sistema nervoso central se mostra importante para que se saiba um pouco mais sobre seu funcionamento - e, portanto, sobre sua otimização nas crescentes demandas de conhecimento do homem contemporâneo.

Por exemplo: ao avaliar a fase do maior número de sinapses durante a vida humana, pode-se prever também o melhor momento para certos aprendizados e como se estruturam as informações na memória. Em outras palavras, melhorar o desempenho. Esse é, de fato, o objetivo ao qual provavelmente servirá a pesquisa de mestrado desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) por Collino, que, além de biólogo, é professor de inglês e trabalha com testes neurofisiológicos sobre a aquisição de línguas. Seus resultados, mais do que ajudar a detectar os momentos ideais para se aprender uma língua além da materna, podem servir de base aos profissionais do ensino. Como a aquisição de idiomas se torna primordial nas sociedades atuais, o assunto envolve gerações de educadores e aprendizes.

Testes preliminares aplicados por Collino apontaram para uma melhor percepção de fonemas do inglês por indivíduos que o aprenderam entre 7 e 10 anos. De fato, é na primeira infância que ocorre uma espécie de boom de sinapses, cujo ápice se dá por volta dos 3 anos. Sabe-se também que os bebês até 1 ano de idade têm capacidade para distinguir sons e pares minimais (bad/bed do inglês, fée/feu do francês, som/são do português). A distinção desses fonemas de diferença sutil tende a rarear com o passar do tempo. "A partir de 1 ano, o bebê começa a privilegiar os sons de uma determinada língua, certamente aquela que ouve com mais freqüência", afirma Collino. Assim, é interessante que, em caso de bilingüismo, a criança ouça sons das línguas nas quais virá a ser alfabetizada.

Fenômeno inconsciente - Estudos recentes em neurociências têm sugerido que, mesmo com o passar do tempo, o sistema nervoso continua mostrando reações de distinção dos sons e nuanças, mas apenas no nível inconsciente. "O adulto vai perdendo a capacidade de identificar conscientemente sons que não pertencem à sua língua mãe. Assim, mesmo que tenha uma resposta neural ao ouvir determinados sons diferentes, ele não se dá conta." Nesse sentido, a pergunta que resta responder para os educadores é sobre qual a melhor maneira de trazer à consciência um fenômeno que se dá em nível inconsciente, "o que seria valioso àqueles que já passaram da 'idade ótima' para o aprendizado", considera Collino.

A resposta pode acarretar mudanças na área do ensino de línguas. Não é verdade que adultos não aprendem línguas, mas não se pode deixar de reconhecer, por outro lado, que a ciência comprova maior desembaraço de aquisição na infância e a perda dessa "facilidade" é progressiva no homem. Aliás, a partir dos 40 anos, os seres humanos começam a perder sinapses não utilizadas - cabe o chavão do "enferrujado" para as línguas estrangeiras - e até a terceira idade perde-se 10% dos neurônios. Eles são em número 30% maior nos homens em relação às mulheres - mas isso não significa que sejam menos inteligentes ou menos aptas a aprender.

Embora estudos apontem maior densidade de massa cinzenta em indivíduos com aprendizagem precoce de idioma estrangeiro e com bom nível de proficiência naquela língua, é possível ser fluente numa língua estrangeira mesmo começando seus estudos na idade adulta. O envolvimento emocional do adulto com uma cultura e seu interesse podem levá-lo a aprender perfeitamente. Mas os professores de línguas têm de lidar com dois aspectos fundamentais no ensino.

Primeiro, a dificuldade decorrente dos anos para aqueles que nunca tiveram oportunidade de "formar um cérebro bilíngüe" precoce. Nesse caso, um trabalho de sensibilização concorre na tentativa de tornar conscientes as distinções percebidas no nível inconsciente. Esse procedimento muitas vezes esbarra em obstáculos comuns e por isso conhecidas até como "sotaques" específicos. No Brasil, ao se imitar, por exemplo, um imigrante japonês, troca-se o "l" pelo "r".

Rodrigo Collino evoca esse fato já anedótico para lembrar que isso é conseqüência de uma não-identificação consciente do par "l/r" na maioria dos falantes do japonês. Experiência realizada pela professora de francês Ligia Fonseca Ferreira, do Departamento de Letras Modernas da USP e diretora de seu Centro de Línguas, mostra que o caminho pode ser mesmo o do resgate dos aspectos mais "primitivos" da assimilação de uma língua diferente. Com a tarefa de ensinar francês para jovens e adultos ingressantes que nada conhecem ainda, Ligia faz primeiro um trabalho de sensibilização para universo sonoro. O objetivo é exercitar e ampliar a percepção, fazendo-os ouvir, às vezes repetir, fonemas, palavras, trechos de frases e canções, e promover exercícios de conscientização corporal. Nada de gramática, nem de regras nas primeiras aulas.

"A idéia é também sensibilizar os alunos a observar como recebem e percebem o idioma antes de passar à produção", explica. Ligia acredita que é preciso que um indivíduo compreenda a própria organização de seu aprendizado. Ela julga os métodos comunicativos, que exigem produção imediata, um pouco ineficazes nesse sentido. Sua abordagem vai ao encontro das pesquisas de Collino na medida em que ativa, com seus exercícios de escuta, possíveis registros armazenados na memória dos futuros falantes, o que pode levar a uma melhor consciência fonológica da língua. "Muitas vezes, a língua fascina quando ouvida e assusta ao ter de ser falada", conta Ligia. "Por isso, os aprendizes sentem emoções diferentes, nem sempre evidentes para eles mesmos, e não adiantaria, numa etapa inicial, lidar com o que é coletivo, como partir do pressuposto de que os brasileiros gostam da França e do francês.

Isso não basta para garantir a motivação ou o sucesso no aprendizado." Citando as pesquisas do neurologista Antonio Damásio, autor de O Erro de Descartes (Companhia das Letras, 336 págs., R$ 49,50), Ligia procura se distanciar também de algo que, para ela, separaria a razão, portanto os processos cognitivos, da emoção.

Dessa forma, o aluno se prepararia com mais segurança para se confrontar às outras dimensões do aprendizado da língua estrangeira. No entanto, a aquisição de um idioma requer também a parte estrutural, ou seja, a "parametrização" (sintaxe). Diferentemente do que se tenderia a crer, as idades citadas como ideais na formação de sinapses podem ser também para a alfabetização, conforme o professor Vilson José Leffa, da Universidade Federal de Pelotas (RS). "É possível ler com 3 anos de idade e até antes", diz ele. "Há casos de crianças alfabetizadas em duas línguas simultaneamente. Mas isso não quer dizer que se deva fazê-lo, pois forçar a criança pode ser prejudicial, a aprendizagem tem de ser prazerosa." Linguagem e ciência - Vilson Leffa é especializado em lingüística aplicada e também em novas tecnologias, e tem um site para discussão sobre o assunto (www.leffa.pro.br). Sua experiência lembra que a ciência da linguagem não contradiz a biologia, mas corrobora alguns de seus dados com relação ao aprendizado da gramática e dos parâmetros. "De fato, pela lingüística chomskyana, o cérebro muda com a idade, adquire outras funções e parece perder a capacidade de aprender a língua", explica. Mas o envolvimento emocional com o aprendizado pode resolver essa defasagem.

Por isso, uma outra ciência é necessária para se aprender línguas (e outras coisas): a pedagogia. "Ela tenta corrigir a natureza, ajudando o sujeito, acelerando a aprendizagem, por exemplo", afirma Leffa. Daí também as diferenciações de ensino entre adultos, jovens e crianças. Aliás, questões relativas à abordagem e método passaram por muitas fases. Segundo observa ele, em geral, uma maneira de ensinar era justamente contrária à anterior.

Depois de muitas experiências, Leffa percebe, em suas pesquisas, que "vivemos uma era pós-método; tudo já foi experimentado e no fundo existem duas maneiras de o aluno aprender uma língua: com a ajuda do método ou apesar do método". E o que acontece, atualmente, é que as várias técnicas emprestam, cada uma, a sua contribuição. "Um levantamento das abordagens usadas nas escolas oficiais ou de ensino de línguas mostra ênfase no exercício: aprendemos a falar, falando, a escrever, escrevendo, a ler, lendo", diz.

A professora de alemão Elke Specke, da Escola Suíço- Brasileira de São Paulo, testemunha essa pluralidade de métodos nas atuais salas de aula. Ensinando alemão para alunos de 10 a 11 anos que falam o português como língua materna, mas praticam ambos os idiomas desde o jardim da infância, Elke deve garantir-lhes a fluência e o bom uso da gramática e da sintaxe. Os objetivos de sua instituição é que os estudantes, ao findarem o ensino médio, sejam bilíngües, no que tem obtido êxito.

A experiência de Elke tem particularidades: ela mesma nasceu no Brasil, mas de pais alemães. Assim, nunca falou português em casa. Elke se tornaria bilíngüe ao freqüentar a escola no Brasil. Hoje, quando procura explicar o significado de uma palavra alemã, tenta fazê-lo com os recursos da própria língua, mas percebe que seus alunos encontram rapidamente um equivalente em português, com precisão e mais facilidade do que ela própria. A professora acha admissível, pois compreende que essas crianças formaram um cérebro bilíngüe e passam pela transposição entre as línguas.

A tradução é, aliás, polêmica no ensino de línguas. Por ter sido a metodologia mais antiga, também se tornou alvo das maiores críticas. Antes, ensinava-se a segunda língua pela primeira. Mais tarde considerada arcaica em relação às novas abordagens, a tradução foi praticamente "banida" da sala de aula. Curiosamente, porém, as pesquisas na área da neurociência reconhecem o armazenamento concomitante de informações no cérebro e os dados tendem a fazer com que se defenda o aprendizado cumulativo.

O professor Leffa, que pesquisou e estudou os métodos e abordagens de forma diacrônica, conclui que "o acesso ao significado por meio da tradução pode ser uma etapa necessária no desenvolvimento da língua estrangeira, principalmente em situações formais de ensino, como a sala de aula".

No entanto, o ensino de uma língua estrangeira apenas pela tradução pode ser mesmo limitante. Daí a necessidade do emprego de várias maneiras de ensinar.

De todo modo, a escola ainda terá muitos desafios nessa área. Há que se contar com a heterogeneidade dos grupos, pois, além dos interesses diferentes, as pessoas têm também maior ou menor aptidão. O papel do professor será o de despertar; levar seus alunos a terem entusiasmo pela cultura estrangeira. O primeiro pressuposto para se aprender uma língua é o de estar aberto às diferenças.

Sabe-se de longa data, aliás, que não é possível separar língua e cultura. Outra língua é uma outra maneira de dizer, portanto de pensar, viver e até sentir. Desse modo, talvez as fronteiras a atravessar sejam, ainda, as da tolerância - uma velha lição.

Quanto à ciência, avançando, vem auxiliar todo tipo de iniciativa. Leffa observa que as novas tecnologias, acompanhando as mudanças da sociedade, devem ser aproveitadas pelos professores. Mas também é um campo novo: se a técnica contribui muito para o avanço das pesquisas, faltam ainda pesquisas sobre a utilidade e os limites da técnica.

ENDEREÇO WEB:
http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=11862
Publicada em: 14/7/2006